Crise: bom momento para o turismo interno

A manutenção do dólar em um patamar mais elevado estimula o consumo de produtos nacionais e reforça o superávit da balança comercial. Além disso, aquece o turismo interno e incentiva a recuperação de atividades que perdiam a batalha para os produtos importados. A melhor contribuição do setor turístico para enfrentar a turbulência econômica passa pelo fortalecimento do mercado interno. A crise atingiu o sistema financeiro, setor mais sensível da economia. E qualquer um sabe que não é necessário que um banco, por exemplo, tenha problemas. Basta que seus clientes achem que ele tem um problema para vir a tê-lo de fato. Esse tipo de situação realimenta o impacto negativo. Por isso, todo esforço deve ser feito para segurar a cotação da única moeda que não pode perder o seu valor, a "moeda confiança". Pesquisa feita pelo Programa de Administração do Varejo (Provar), pela Fundação Instituto de Administração (FIA) e pela Felisoni Consultoria mostra que a confiança do consumidor paulistano é a maior em quase uma década. Tenho conversado com especialistas e lido muito. Digo: não existe nada na economia brasileira que indique algum sinal de recessão ou de crise interna. O Banco Central (BC) injetou dinheiro no sistema, direcionou recursos para compra das carteiras de bancos menores, passou a vender dólares das reservas para conter a cotação e, num ato excepcional, está emprestando a moeda americana diretamente para as empresas com intuito de financiar exportações. Conclusão? Estamos lutando bem. Aparentemente, o olho do furacão passou ou está passando. É verdade que o clima de absoluta perplexidade e a sensação do imprevisível provocaram um comportamento que extrapolou para o pânico geral. Mas toda crise abre, por outro lado, uma janela de oportunidade. E a nossa está aberta. O mercado financeiro é um sistema, ou seja, é composto de diversas partes que se juntam para formar um todo. As mudanças buscam sempre o equilíbrio e as influências interagem fazendo com que o sistema mude, às vezes, de modo inesperado. Parece que já esquecemos que, há cerca de três meses, o mundo ia acabar por outros motivos. Uma grande crise de logística agravada pelo preço do petróleo provocou uma imensa pressão inflacionária. Mas sabe-se que, se toda a população mundial vivesse conforme o modo de vida dos americanos, os impactos ambientais seriam imensos. Logo, a retração do consumo nos Estados Unidos e na Europa ajustará a forte pressão por matérias-primas e por alimentos e as economias emergentes poderão crescer sem inflação. Será benéfico para o equilíbrio da oferta e da demanda no mundo. E o planeta agradece. Um significativo indicador de confiança é a normalidade no mercado de crédito. Mesmo com o cenário pouco amistoso das últimas semanas, nem a previsão de desaceleração do empréstimo para pessoa física nem o juro mais alto impediram a demanda por crédito. A classe média se mantém indo às compras. É claro que teremos mudanças. Um dos efeitos da crise no setor do turismo será mais equilíbrio entre o número de visitantes que desembarcam no Brasil e o dos que viajam ao exterior. Com o aumento do dólar, o turismo interno será beneficiado, o que é positivo para a economia. O intuito, claro, é criar uma fagulha de otimismo, mas isso não nos exime de encarar as conseqüências da crise internacional. O Brasil segue bem - a coragem sempre marcou as nossas empresas. Aos companheiros operadores de turismo e agentes de viagem insisto que a hora é de fortalecer o mercado interno e de intensificar a oferta. No que diz respeito aos resorts brasileiros, os negócios estão aquecidos. E o telefone está tocando alto. * Alexandre Zubaran, presidente da Resorts Brasil e do Costa do Sauípe Resort

Alexandre Zubaran*, O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2008 | 02h48

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