Adriana Moreira/AE
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Cruzamos a Golden Gate, em São Francisco, para conferir os melhores programas dos dois lados da ponte

Não há como não se sentir em casa em São Francisco. Do bairro chinês ao italiano, da área hippie ao reduto gay, a cidade é um desafio aos rótulos. E um colírio para os olhos

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

23 Abril 2012 | 21h16

SÃO FRANCISCO - Fotogênica sim. Do amanhecer, entrecortada por nuvens baixas da tradicional neblina de São Francisco ao pôr do sol, com o dourado do cair da tarde ornando com sua cor peculiar, a Golden Gate parece estar sempre fazendo pose para os cliques. Mas o ícone da cidade está longe de ser mero cartão-postal. Por ela passam mais de 110 mil carros por dia - quem vai à região do Vale do Napa, uma das principais áreas vinícolas dos Estados Unidos, precisa passar por ela. Com tantos atributos, não é de se estranhar que esteja sendo preparada uma grande festa para celebrar os 75 anos do maior símbolo local. 

Os festejos se concentram nos dias 26 e 27 de maio, com shows, exposições e performances ao longo da costa, espalhados em pontos turísticos entre Fort Point e Fisherman’s Wharf. Às 21h30 do dia 27, uma queima de fogos encerra a celebração. 

A promessa, contudo, é que haja eventos comemorativos ao longo de todo o ano, com espetáculos espalhados pela cidade (confira a programação no goldengatebridge75.org). Sem esquecer de presentear também a própria aniversariante, que vai ganhar uma nova área de visitantes e tours noturnos. A histórica Round House, usada como apoio para as linhas de trem no início do século 20 (destruída em um incêndio em 2001) e hoje abandonada, deve ser revitalizada.

São Francisco, claro, tem muito mais a exibir além da ponte alaranjada. Em razão das comemorações, decidimos fazer também uma homenagem (do nosso jeito), usando a Golden Gate como ponto central para explorar atrações dentro e fora da cidade.

No pedal. Com alguma disposição, vale a pena alugar uma bicicleta, seja para fazer o clássico passeio a Sausalito, do outro lado da ponte, como para explorar a metrópole. A cidade é bastante receptiva aos ciclistas, com faixas preferenciais e rotas planejadas. E não se assuste com as imensas e cinematográficas ladeiras: há diversas rotas para fugir das ruas mais íngremes. Basta ficar de olho nos mapas ciclísticos, nas placas de rua e, logicamente, pedir dicas na hora de alugar sua magrela. Foi o que fiz.

Mas calma. Se pedalar não é o seu forte, você pode percorrer o mesmo trajeto desta reportagem usando o meio de transporte que lhe for mais conveniente: táxi, ônibus, tênis, bondinho... Afinal, as distâncias entre atrações não são grandes. São Francisco tem apenas 49 milhas quadradas (127 quilômetros quadrados) - é possível ir a pé de Chinatown a Little Italy e, de lá, seguir para Fisherman’s Wharf. Ao mesmo tempo, Chinatown está colada à Union Square, que por sua vez está pertinho da Market Street, no coração da cidade. Use isso a seu favor e explore cada cantinho dela.

Não estranhe, contudo, se ao final você ainda tiver a sensação de que precisa voltar. A razão talvez seja a vocação friendly, amigável de São Francisco: hippie friendly, gay friendly, bike friendly, grafite friendly... É como se, na falta de rótulos que a definissem propriamente, São Francisco tivesse aceitado todos. Camaleônica, com muito orgulho.

Nome foi inspirado em baía turca 

Ao contrário do que se pode imaginar, a Golden Gate não foi assim batizada em razão de seu colorido característico, mas por causa da baía sobre a qual ela se ergue. Segundo a versão oficial, em 1846 o engenheiro John C. Fremont achou o local semelhante à baía Chrysoceras, em Istambul - em inglês, Golden Horn (chifre dourado) - e decidiu chamar o estreito de Golden Strait. Inaugurada, em 28 de maio 1937, a Golden Gate levou quatro anos para ser construída. Na época, seus mais de 2.700 metros de comprimento lhe renderam o título de maior ponte suspensa do mundo - hoje, ela é apenas a 9ª colocada. A pintura laranja tem um motivo prático: deixar a ponte visível mesmo nos dias de neblina.

Dicas

- Conheça a história de Walt Disney no divertido Walt Disney Family Museum (disney.go.com). Desenhos, maquetes, objetos e muita interatividade agradam a crianças e adultos.

- Uma das principais atrações do Pier 39 (pier39.com), point turístico repleto de lojas e restaurantes, são os leões marinhos. Eles chegaram ao local, por conta própria, em 1989.

Saiba mais

Passagem aérea: o trecho São Paulo - São Francisco - São Paulo custa a partir de US$ 1.083 na TAM (tam.com.br), US$ 1.152 na Delta (delta.com.br), US$ 1.955 na American (aa.com) e US$ 1.499 na LAN (lan.com). Voos com conexão.

Visto: é obrigatório para brasileiros. No início do mês a taxa para emissão passou de US$ 140 para US$ 160 e o governo americano anunciou a criação de mais dois consulados no País, em Belo Horizonte e Porto Alegre. Além disso, o consulado dos EUA promete mais dois postos para coleta de documentos em São Paulo. As entrevistas são agendadas pelo site visto-eua.com.br 

Aplicativos: o escritório de turismo da Califórnia lançou um aplicativo para iPad, com ferramenta para planejamento de viagens - útil especialmente para quem quer desbravar o Estado de carro. A versão para celular deve sair em breve. Para dispositivos Android, o guia da cidade do Trip Advisor é útil para encontrar hotéis e restaurantes em São Francisco

Transporte: a rede de transporte público da cidade é eficiente, com metrô (pequeno) e ônibus. Deixe o tradicional bondinho apenas para um passeio turístico. Site: sfmta.com

Pacotes: veja em blogs.estadao.com.br/viagem

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