Cruzeiro alternativo (e gelado) na Noruega

Conforto é menor no inverno. Mas os preços também

Paul Schneider, The New York Times

24 Março 2009 | 02h35

Zarpar em meio aos uivos de uma nevasca à meia-noite pode não ser tão romântico quanto fazer a mesma coisa ao pôr-do-sol, mas tem certo charme. Ao cruzar o cais mal iluminado de Bergen, na Noruega, numa noite de novembro, com a cabeça abaixada sobre o peito e os olhos semicerrados contra os flocos furiosos, eu estava em um estado intermediário entre o alarme e a excitação.

 

Surpresas: montanhas, auroras boreais e aldeias de pescadores compensam a nevasca inicial

Meu navio, o Vesteraalen, estava a caminho da costa da Noruega no Atlântico Norte, com 34 paradas na fina flor da Europa no Mar Ártico - uma viagem entre fiordes nevados, montanhas imponentes, auroras boreais e aldeias de pescadores. Da parada final, assim ouvira dizer, podia-se avistar a Rússia.

 

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Todo inverno a Hurtigruten, uma frota de cruzeiro norueguesa que fica abarrotada no verão, vê seus navios subocupados. Como a linha está sob contrato com o governo para entregar correspondência e carga o ano todo, não pode seguir outras empresas de cruzeiro rumo a águas mais quentes e reduz suas tarifas quase pela metade. Periodicamente, oferece duas passagens pelo preço de uma. E foi assim que eu me vi, com minha irmã Bethany, sendo rebocado por uma tempestade de neve na nossa partida no Vesteraalen.

No lado de dentro estava quente, mas logo descobrimos que o Vesteraalen não era nenhum palácio do prazer flutuante. "Este não é um navio de cruzeiro", disse-me Egbert Pijfers, oficial encarregado de manter os passageiros informados em norueguês, inglês e alemão. "Esta é uma viagem num navio com carga e passageiros locais."

Era exatamente disso que os outros passageiros pareciam gostar. "Já estivemos num cruzeiro da Hurtigruten antes e gostamos da atmosfera prosaica", explicou um cavalheiro.

A nossa primeira ronda pelo navio mostrou que a situação era mais que "prosaica". Descobrimos uma sala com pista de dança que, no entanto, permanecia escura e vazia. No envidraçado salão Panorama, o ponto de observação no alto do navio, havia outro bar, fechado.

A venda dois por um não conseguira atrair muitos interessados. O Vesteraalen, de 350 pés (105 metros) de comprimento e construído para acomodar 540 pessoas em 147 cabines, estava levando menos de 40 passageiros acomodados em camarotes, além de algumas poucas dezenas de moradores que subiram para uma parada ou duas e permaneciam a maior parte do tempo na cabine do café, aberta a noite toda.

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