Cuidado com o 'breakfast stealing'

Quanto maior o restaurante, mais fácil para o meliante exercer sua nefasta habilidade

Mr. Miles, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2018 | 02h20

As notícias do bravo viajante britânico chegam de uma região pouco familiar para os brasileiros. Mr. Miles (e sua cachorrinha Trashie) estão no balneário de Nessebar, na Bulgária. Segundo nosso correspondente, “trata-se de uma das atrações do que aqui se chama costa dourada do Mar Negro e é, indeed, um interessante vilarejo histórico instalado em um istmo que supõe-se ter sido feito por obra humana na Antiguidade. As praias, however, não são exatamente convidativas. Tampouco os trajes de banho das senhoritas búlgaras”.

 E o que teria levado Mr. Miles aos confins dos Bálcãs em pleno início do outono europeu? A visita a um amigo, como sempre. Nem tão amigo nesse caso, como ele mesmo conta: “Confesso que Bogdan não é exatamente um sujeito agradável. Tipo hirsuto e grandalhão, ele conquistou uma medalha como arremessador de martelos nos Jogos Olímpicos do México ou de Munique, I can hardly remember. Lamentavelmente, seu único assunto é a sua própria e efêmera glória. Anyway, ele faz sucesso com as mulheres. E quis o destino que, das doze esposas que teve, quatro tivessem sido minhas grandes amigas – o que me obrigou a tornar-se seu tetrapadrinho de casamento. Can you believe in such a coincidence? 

Pois Bogdan’s present wife, my lovely Ekaterina, acaba de abrir um pub em Nessebar e nos convidou para atestar a legitimidade de seus single malts. Trashie e eu, of course. Achei tudo perfeito. Minha mascote, unfortunately, implicou com uma garrafa de Cragganmore.” 

A seguir, a carta da semana:

Prezado Mr. Miles: queria aproveitar sua prestigiosa coluna para advertir aos viajantes que tenham cuidado com seus pertences mesmo em hotéis de boa qualidade. Tive minha bolsa furtada na Argentina no café da manhã! 

Clarisse Mendonça Salvador, por e-mail

Thank you, Clarisse. Unfortunately, esse tipo de breakfast stealing está ganhando adeptos em todas as partes do mundo. Ocorre, quase sempre, em hotéis que oferecem bufês de guloseimas e é mais frequente naqueles que não controlam a entrada de hóspedes no salão. Para o amigo do alheio (com o perdão pelo trocadilho), it’s a piece of cake. Enquanto deglute seus muffins ou seus ovos, ele observa os grupos que adentram o recinto. Verifica, em seguida, quem deixou a bolsa mais promissora pendurada na cadeira. Todos o fazem, of course, porque bolsas e bandejas não compõem um bom par. Don’t you agree?

 Uma vez selecionado o objeto de desejo, só lhe resta esperar que a vítima se dirija aos alimentos. Nesse exato instante, perpetra o delito e sai, satisfeito, acenando para os serviçais. It’s awful, isn’t it? 

 Quanto maior for o restaurante, mais fácil fica para o meliante exercer sua nefasta habilidade. E, unfortunately, tenho informações de que não há diferença entre o número de estrelas que o aposento ostenta.

 Essa atividade pode ser tão rentável que alguns larápios chegam mesmo a se hospedar nos hotéis e a conviver com suas vítimas. Foi o que me contou uma grande amiga, gerente de um reputado estabelecimento de Londres, garantindo, however, que o breakfast stealing tem os dias contados porque já existem breakfast spies treinados pelos hotéis para combatê-los. Ocorre, porém, que os breakfast stealers ainda seguem operando com um passo de vantagem em relação aos espiões. Têm habilidade para reconhecê-los (talvez porque insistam em usar a gola alta, à maneira dos antigos policiais) e procuram suas vítimas em mesas mais remotas. Outra habilidade dessa classe de malandréus é observar, com antecipação, as videocâmeras instaladas no recinto, para evitar um close-up denunciador.

 A parte boa é que boa parte da gatunagem corre riscos para levar apenas objetos de toucador, lenços de papel e mapas amassados. Sobretudo porque, ainda que nos bufês, nenhuma mulher se afasta de seu smartphone. Enfim, vale a pena manter os sentidos em alerta, mesmo que ainda antes da ingestão do café ou do chá.

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