Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Cuidado com os preços ocultos

O caso do leitor que teve de pagar o dobro da diária que havia reservado

Mr. Miles, O Estado de S. Paulo

13 Novembro 2018 | 03h00

Desta vez, nosso correspondente inglês decidiu dar um alentado espaço à pergunta enviada por um dos seus leitores, por considerá-la pertinente, divertida e “on the other hand, assustadora”. Veja o que você acha.

 

 

Caro Mr. Miles: reservei um hotel pela internet numa grande cidade do Oriente Médio. O preço me pareceu bom, a localização era ótima e as fotos me agradaram. Entretanto, jamais me senti tão explorado. 

Cheguei cedo e estava cansado. Pedi um early check-in. O hotel disse-me que era impossível porque estava lotado. Sentei-me para esperar e, em menos de cinco minutos, apareceu a opção do early check-in por um valor que representava módicos 30% da tarifa.

Fiquei, of course (como diria o senhor), indignado, mas estava tão cansado que acabei concordando, apesar de ter ficado claro que estava sendo vítima de uma arapuca. Fui ao meu quarto e descobri que havia uma taxa adicional para ter acesso ao controle remoto da televisão. Ok, concordo consigo: há que se aceitar as diferenças entre culturas longínquas. Aquilo, however (como leio em suas palavras), me pareceu a mais elementar das picaretagens. 

Não liguei a tevê, tomei um banho – não havia sabonete, nem xampu, mas tive medo de ter de pagar por eles no meio da ducha – e fui para a cama. Havia, my God (comemoraria o senhor), uma minúscula garrafa de água gratuita. Como tinha sede, bebi tudo em um gole só. Fui complementar minha hidratação com água da geladeira, e só havia garrafas d’água Evian e Perrier, que custavam US$ 8 cada. Preferi dormir. O cansaço piora e torna mais rabugentas as nossas avaliações.

Quando acordei, recuperado, decidi me conectar ao Wi-Fi do hotel, incluído no valor da diária. Foi uma luta. Dez minutos depois, após ouvir sons estranhos e ver imagens desencontradas, decidi falar com a recepção.

Em um inglês que me pareceu vir diretamente do Iêmen, o recepcionista, por fim, conseguiu me explicar que o Wi-Fi incluído no preço era “ligeiramente inferior”, e que se eu quisesse uma conexão mais veloz, teria de, of course (como diria o senhor), pagar mais uma taxa de valor considerável. Não tive outra alternativa. 

Mais tarde, visto que havia um sol para cada hóspede, decidi usufruir da piscina anunciada no site do hotel – que, ainda não mencionei, tem 50 andares e não é, portanto, uma espelunca. Procurei o roupão no armário e não o encontrei. Um desastre porque é claro que não se pode caminhar de sunga pelos corredores do hotel de um país muçulmano.  

Liguei novamente para a recepção. Não entendo como o senhor de sotaques. Mas ouso dizer, de forma especulativa, que, dessa vez, fui atendido por um bengali – por que não? Ele foi muito gentil e garantiu que me enviaria o roupão para o apartamento por mais uma taxa bastante expressiva. Desisti presumindo que a piscina estaria vazia e iria me custar uma fortuna pagar para enchê-la. 

Em suma: a diária custou-me quase o dobro do valor prometido. Pergunto-lhe, emérito viajante: como evitar esse tipo de estelionato, cada dia mais frequente em companhias aéreas e hotéis? 

Juan Marcelo Consiglia, por e-mail

Well, my friend: sinto muito por você. A dissimulação e o estelionato estão, unfortunately, cada dia mais presentes em todas as atividades humanas. Não há por que imaginar que as viagens estariam livres dessas pragas. Espanta que empresas, antes reputadas, venham adotando a tática de embutir preços surpresa, meias-verdades ou mentiras deslavadas em suas estratégias de marketing.

Recently, um amigo, ao desfrutar de uma passagem obtida por um programa de milhas, foi literalmente obrigado a pagar 80 dólares pelo envio de sua bagagem. A mala, I presume, não tinha cartão de fidelidade.

A única saída que conheço é conversar com quem já tenha vivido a mesma experiência anteriormente. Só assim será possível não repeti-la.

*MR. MILES É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E 16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS. SIGA-O NO INSTAGRAM @MRMILESOFICIAL E ESCREVA PARA MILES@ESTADAO.COM.

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