Bruna Tiussu/ AE
Bruna Tiussu/ AE

Cultura barroca com toques de sofisticação em Tiradentes

A cidade se diferencia dos demais municípios históricos de Minas Gerais pelo que oferece aos turistas

Bruna Tiussu - O Estado de S. Paulo,

15 Novembro 2011 | 15h25

 TIRADENTES -Igualmente rica em cultura, elementos do Brasil colonial e do barroco, Tiradentes tem um quê de sofisticação que a diferencia das demais cidades históricas de Minas. Talvez pelos restaurantes superconvidativos que se alinham ao redor da praça central, as lojinhas de artesanato descoladas e pousadas organizadíssimas que, combinados, dão um ar de destino perfeito para um feriado de descanso.

 

Um pouco também porque já ficou nacionalmente conhecida por seu festival gastronômico que, ano após ano, leva para lá chefs famosos que comandam uma programação incrível de workshops culinários e jantares finos. O evento dura apenas duas semanas, normalmente no mês de agosto, mas o requinte, acredite, permanece na cidade.

 

Simplesmente caminhar pelas ruazinhas já é um passeio delicioso. No centrinho, o visitante se vê parcialmente livre das sinuosas ladeiras – até decidir alcançar as igrejas lá do alto –, se depara com casarões belíssimos, muito bem conservados e com jardins de dar inveja. Um dos pontos de parada obrigatória é o Chafariz de São José, com fachada barroca, como já era de se esperar. Foi ali instalado em 1749 para abastecer a vila de água potável e servir de bebedouro aos cavalos.

 

Os animais, por sinal, não são raros ali na praça central, o Largo das Forras. Mas, nos dias de hoje, ficam devidamente posicionados em frente às suas coloridas charretes só aguardando os turistas pouco dispostos a enfrentar as subidas que os aguardam – ou que simplesmente topem experimentar um tipo diferente de tour por Tiradentes.

 

Relíquias sagradas. É lá no alto, no fim da ladeira, que fica a Matriz de Santo Antônio. Dizem que dali ela protege a cidade por completo. Sua construção começou em 1710 e só foi finalizada em 1752, porém, a fachada em branco e amarelo que hoje se vê é de 1810, com projeto assinado por Aleijadinho.

 

Listada entre os principais monumentos barrocos do País, tem o altar todo revestido em ouro, pinturas em estilo rococó e, no coro, um órgão português que, assim como o de São João del Rey, ainda é utilizado, sempre nas missas de sexta-feira.

No caminho para a Matriz está a Capela Nossa Senhora do Rosário, construída entre 1708 e 1719 pelos escravos negros. Além de imagens sacras – a maioria delas também negra –, é possível notar tons dourados nos detalhes da decoração do altar. Isso porque os trabalhadores escondiam ouro roubado de seus senhores nas unhas e cabelos. Tudo para agradar os deuses.

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