Da arte de comprar lembranças de viagem

Nosso impetuoso viajante parece ter sido "picado" pelo inseto da aventura com a chegada da primavera no Hemisfério Norte. E, embora tenha tomado o rumo sul, deliciou-se com o birdwatching que praticou na Floresta de Sepilok, região de Sabah, em Bornéu.

O Estado de S.Paulo

14 Maio 2013 | 02h09

Conta nosso correspondente: "Bornéu, que pertence à Malásia, tem cerca de 622 espécies endêmicas e migratórias. Adoraria, if I could, ter visto pelo menos cem delas. However, a paciência e o par de binóculos são as únicas armas de que dispõem os praticantes desse esporte. Além, of course, de um breve conhecimento de ornitologia. O grande momento dessa expedição foi meu encontro com um bristlehead de cerca de 25 centímetros de comprimento. Trata-se de uma ave inesquecível, de corpo cinza, rosto vermelho e topete amarelo. Confesso que ainda não tinha tido um pássaro como esse no foco de minhas lentes. E, como sinto que estou em fase de sorte, decidi viajar diretamente para Botsuana, em busca de novas emoções de avistamento".

A seguir, a resposta de mr. Miles a mais uma de suas leitoras.

Mr. Miles: o que o senhor considera um bom souvenir para trazer de uma viagem?

Suzana Graber, por e-mail

"Well, my dear Suzan, eis o que chamo de uma very personal question. A impressão que tenho, observando o bagageiro dos aviões, é que most of the travellers compram suas lembranças antes mesmo de conhecer o destino. Ou seja: se alguém vai à Espanha, não importa quantas maravilhas encontre à venda, sua ideia fixa é trazer um leque ou um cartaz de touradas com o nome do presenteado estampado ao lado do de Manolete. No Brasil ainda é mais divertido: são raros os estrangeiros que não compram um berimbau. By the way, ouso dizer que todos os aviões de carreira do mundo transportam ao menos um berimbau, o que me faz supor que a capoeira é o jogo mais popular do mundo.

Quanto a mim, Suzan, confesso que sou um consumidor bissexto e seletivo. Se algum produto me chama a atenção é pelo significado que tem para o presenteado. Ainda outro dia, em Ashgabat, no Turcomenistão, encontrei uma lata de biscoitos de estampa primorosa com arabescos coloridos. Nela despontaram, imediatamente, os olhos profundos de Peña de la Cruz, uma querida amiga de Tegucigalpa, cujo charmoso solar é recheado de caixas e latas em delirantes composições. Creio que ela tenha gostado da lata - que remeti imediatamente -, mas aposto que o fato de eu ter lembrado de sua singela coleção em um lugar tão distante terá sido muito mais remarkable.

Há outros souvenirs que agradam. Sobretudo os que misturam carinho com ironia, ideais para pessoas de quem você gosta, mas com as quais mantém inconciliáveis divergências. Mildred Collins, my dear Mildred, é um bom exemplo. Trata-se de uma ecologista militante e exacerbada, capaz de passar uma descompostura em um transeunte que, desatento, pise numa centopeia escondida na relva. Do you know this kind of people? Até cenouras ela come com piedade (oh, poor carrots!). Pois, quando eu passar em Capetown, na volta para a Europa, vou a uma loja para comprar-lhe um maço de scarab paper. São apenas folhas de papel para escrever, um pouco fibrosas demais, eu diria, mas perfeitas para presentear ecochatos.

Elas não resultam de árvores derrubadas, mas, believe me, de um processo de aglutinação dos dejetos de elefantes. I believe she will love them, won't she?"

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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