Da irrequieta capital à austeridade de Haia

Aos poucos o trem se afasta da estação central de Amsterdã e o caos dos bondes, bicicletas e passageiros vai ficando para trás, dando lugar à paisagem campestre do interior da Holanda. Amanhece lentamente e, mesmo com chuva, o caminho é feito de verde. Um ou outro moinho pode ser visto ao longe - assim como bolsões de cultivo de flores. Amarelas, vermelhas. Tudo é intenso.

JOÃO LUIZ SAMPAIO , AMSTERDÃ , O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2013 | 02h15

A primeira parada é a estação de Haarlem, construção de pedra que remonta a outros séculos. E a viagem continua por mais meia hora até que o trem chega a Haia. A estação é moderna, gigantesca - e, a partir dela, um bonde te leva ao centro antigo da cidade. As ruas medievais próximas ao antigo prédio do parlamento estão vazias, silenciosas. A chuva ainda cai.

Pouco mais de uma hora separa a capital Amsterdã da cidade de Haia, mais ao sul. Ainda assim, elas parecem pertencer a dois mundos distintos. Há diversos pontos de contato na arquitetura e na formação urbana. Mas, se Amsterdã é feita de movimento, em Haia a sensação é de austeridade. Talvez seja o fato de que ali vive a monarquia holandesa, talvez exista alguma relação com a presença, ali, da corte que julga crimes contra a humanidade.

Seja como for, em ambas as cidades, um bom início para a visita são os museus que ajudam a contar suas histórias. Na capital, há o Amsterdam Museum (amsterdammuseum.nl), com uma coleção de obras de arte e artefatos que testemunham o nascimento e o crescimento da cidade. Uma outra opção é conhecer o Grachtenhuis (hetgrachtenhuis.nl), que foi inaugurado no primeiro semestre e ajuda o visitante a entender, por meio de recursos digitais e projeções, como o surgimento dos canais é parte indissociável do modo como a cidade cresceu ao longo dos anos.

Em Haia, o Historiches Museum (haagshistorischmuseum.nl), ainda que sem os mesmos recursos multimídia de seus similares em Amsterdã, desempenha papel semelhante. Localizado em um casarão do século 17 no centro antigo da cidade, pode ser o ponto de partida da visita - e tem como destaque de sua coleção Vista de Haia, de Jan van Goyen, obra de cinco metros de largura, além de um vídeo que simula o crescimento da cidade em direção ao Mar do Norte.

Em Amsterdã, outra maneira de conhecer a cidade é um passeio de barco por seus 120 canais (patrimônio da Unesco), normalmente em pacotes que incluem refeições a bordo (amsterdamcanalcruises.nl). As viagens duram de duas a três horas, não são exatamente baratas - custam por volta de 60 - e o jantar não tem nada de muito especial. Por conta disso, uma alternativa mais interessante poder ser fazer o mesmo percurso a pé, se limitando ao centro da cidade, com direito a pausas para refeições rápidas. Ou então optar pelas viagens de barco mais curtas, de uma hora, que são feitas ao longo de todo o dia ( 12,50).

Na capital, há outras atrações obrigatórias - e algumas delas sugerem uma visita temática da cidade. Se o seu interesse é a arte, além do Rijskmuseum e do Museu Van Gogh, é possível visitar o Stedelijk, instituição dedicada à arte moderna (stedelijk.nl), ou o Eye, cuja coleção é dedicada à história do cinema e está abrigada em um prédio que é símbolo da arquitetura mais recente da cidade, inaugurado em 2012 (eyefilm.nl).

Uma visita ao Museu Anne Frank, no entanto, te oferece uma outra Amsterdã. Ele fica na casa em que a jovem garota e sua família se esconderam das tropas nazistas durante a 2.ª Guerra Mundial. A visita é impactante por si só, mas um aplicativo oferecido no site do museu (annefrank.org) oferece a possibilidade de percorrer a cidade reconhecendo os locais que estiveram de alguma forma associados aos episódios da guerra.

Tempo. Em Haia, também há bons museus, com dois destaques: o Escher in Het Palais, que é dedicado exclusivamente ao artista M. C. Escher, morto em 1972 (escherinhetpaleis.nl); e o Mauritshuis, que já foi a casa do Conde de Nassau, governador do Brasil holandês, e hoje guarda uma boa coleção de obras de Vermeer e Rembrandt (mauritshuis.nl). Para quem gosta de história, também dá para sair da época colonial direto para o século 20, conhecendo o prédio onde está instalada a Corte Internacional de Justiça, órgão ligado à ONU (icj-cij.org).

Opções não faltam e a visita a Haia, no final das contas, depende do tempo disponível para explorar o lugar. Seja como for, no entanto, ainda que por apenas um dia ou uma tarde, conhecer a cidade serve como excelente complemento à visita a Amsterdã.

Em Keukenhoff, 7 milhões de tulipas  Para quem a Holanda é sinônimo de tulipas, uma visita fundamental é o parque Keukenhoff, em Lisse, a cerca de meia hora de carro do centro de Amsterdã. Trata-se de um enorme museu a céu aberto no qual as obras são as dezenas de espécies de tulipas produzidas na Holanda. Produtores mandam seus espécimes anualmente para o parque, que foi criado em 1857 e, ao longo das décadas, passou por alterações. O design das plantações é alterado a cada ano, sempre respeitando um tema específico. Em 2013, a homenageada foi a Inglaterra e 7 milhões de flores foram plantadas. Para visitar Keukenhoff, no entanto, é preciso estar atento: o parque fica aberto apenas durante oito semanas por ano, a partir do final de março. / J.LS.

O Dia da Rainha, celebrado desde 1890 em 30 de abril, vira a partir do ano que vem o Dia do Rei e será comemorado em 27 de abril, data de aniversário de Willem-Alexander, novo monarca da Holanda

A biografia 'Van Gogh', de S. Naifeh, com 1.100 páginas, não é uma companheira prática de viagem. A dica é recorrer à edição de bolso das cartas do pintor, lançada pela L&PM

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