Da revolução à arte nos museus

Acervos nem sempre são confiáveis, mas abordam assuntos variados e ensinam bastante

Mônica Nóbrega, O Estado de S.Paulo

24 Março 2009 | 02h35

Havana, toda ela um museu a céu aberto, tem notável prazer em contar sua história. Narrativa que ganha alguns toques de ficção, remendos não exatamente sutis para adequar o passado às conveniências dos burocratas da vez. A dica é nunca confiar em tudo o que vê, lê e ouve nos 61 museus da capital cubana. Mas não deixe de visitá-los. Há acervos sobre assuntos variadíssimos e muito a aprender.

 

Como em Versalhes: sala de espelhos é inspirada no palácio francês

Revolução

O Museu da Revolução exalta sem pudores os irmãos Castro e o herói nacional Che Guevara. Isto posto, garante horas divertidas e instrutivas se você deixar de lado a preocupação com coisas como linha do tempo da Revolução Cubana - falta uma boa curadoria para organizar a coleção - e concentrar a atenção em curiosidades e detalhes. Há um belo acervo fotográfico, pouco divulgado, com instantâneos de mulheres revolucionárias. O prédio do museu foi residência oficial de presidentes cubanos até o ditador Fulgêncio Batista (1901- 1973) ser deposto por Fidel. De arquitetura colonial espanhola, tem em seu interior um ambiente tão rococó quanto ninguém esperaria encontrar em Cuba, uma sala dos espelhos inspirada no Palácio de Versalhes. No anexo, o Memorial Granma exibe armamento militar pesado, como tanques e helicópteros.

 

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Real Fuerza

O Castillo de la Real Fuerza é a fortaleza mais antiga do país. Foi erguido no século 16 como armazém dos tesouros que as colônias centro e sul-americanas eram obrigadas a pagar em impostos à metrópole espanhola. Fica bem diante da Baía de Havana, na Plaza de Armas, em Havana Velha. O bem conservado castelo é cercado por fossos e grades. Nas salas há exemplares originais de moedas que circulavam na Cuba colonial e placas enormes de prata e ouro. Várias peças foram encontradas no fundo do mar a partir de 1980 e pertenciam a embarcações que naufragaram. O telhado é o local para uma foto panorâmica da baía. A entrada é grátis, mas os atenciosos guias esperam uma gratificação no fim da visita. Em geral, 1 ou 2 pesos conversíveis são suficientes.

Pintura Mural

O mesmo esquema de gratificar o guia vale para o Museu da Pintura Mural, na casa do século 16 que, dizem, é a mais antiga da cidade ainda de pé. As paredes foram descascadas para expor afrescos de séculos passados e há também fragmentos de paredes de outras residências, além de fotos. As varandas superiores ao redor do átrio central formam um dos lugares mais poéticos de Havana.

Rum

O acervo do Museu do Rum, mantido pela Fundação Havana Club, descreve o processo de produção da bebida nacional e mostra a importância do açúcar na economia cubana. No mesmo prédio, erguido no século 18, ficam galeria de arte, loja e um bar-restaurante para encerrar o passeio, quem sabe, com um mojito bem gelado.

linkMuseu da Revolução: www.cnpc.cult.cu/cnpc/museos/musRevul/pcpal.htm. Refugio n.º 1, Havana Velha. Diariamente, das 10 às 17 horas. Entrada: 4 pesos conversíveis (R$ 9)

linkCastillo de la Real Fuerza: www.cnpc.cult.cu/cnpc/museos/Museo%20Ceramica/htm/elcastillodelafuerza.htm. De segunda a sábado, 9 às 18 horas. Grátis

linkMuseu da Pintura Mural: Calle Obispo, s/n.º. Diariamente, das 10 às 18 horas. Grátis

linkMuseu do Rum: www.havanaclubfoundation.com. Diariamente, das 9 horas às 17h30. Grátis

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