Dar certo

Com Woody Allen nos acostumamos a percorrer Nova York durante anos a fio, até que o cineasta voltou suas câmeras para cenários europeus em 2005. Mas, honrando o título de "o grande retratista da Big Apple para o cinema", ele deu um jeitinho de voltar ao seu lar cinematográfico em 2009 - seu último longa exibindo arranha-céus e parques da cidade americana havia sido Melinda, Melinda (2004). O fruto deste retorno foi a comédia Tudo pode dar certo, onde o diretor mergulha novamente em uma história de amor entre duas pessoas totalmente improváveis.

O Estado de S.Paulo

03 Julho 2012 | 03h12

O protagonista é um nova-iorquino de carteirinha, o pedante, pessimista e sessentão físico nuclear Boris Yellnikoff, personagem de Larry David. Contrariando todas as sua convicções, ele acaba acolhendo em sua casa a jovem e ingênua Melody Saint Anne Celestine (Evan Rachel Wood), que acabara de fugir da casa dos pais em Mississippi. É por aí que se desenrola a trama, tratando de questões ideológicas e comportamentais, com toques refinados de humor, bem ao gosto do cineasta.

No filme, Nova York não chega a assumir papel de protagonista, como já vimos o diretor fazer com tamanha maestria. Viaje até 1977 e lembre-se do primeiro grande sucesso de Allen, Noivo neurótico, noiva nervosa, ou ainda Manhattan (1979), quando, durante o lançamento, ele afirmou ter satisfeito no filme sua necessidade de mostrar a cidade como a terra das maravilhas.

Mas, como o próprio diretor costuma admitir, sempre que tem a oportunidade exibe Nova York de um jeito elogioso. Portanto, Tudo pode dar certo está recheado de cenas de uma Big Apple ensolarada, espontânea e ao mesmo tempo acolhedora. Já era de se esperar.

Como qualquer novata na cidade, Melody deseja conhecer seus pontos turísticos e consegue convencer até o irritante Boris a levá-la a um passeio. Eles percorrem as ruas históricas de Greenwich Village (nycgv.com), que mais parecem uma galeria cultural a céu aberto - o bairro também está no roteiro da Parada Gay -, e param para a admirar a Estátua da Liberdade. É quando Melody faz a típica cara de turista boquiaberta. Aqui vale uma dica: se quiser fazer uma foto da estátua mais de perto sem gastar nada, é só usar o serviço de ferry no Battery Park (tinyurl.com/ferry2statue). Na volta, basta pegar o mesmo barco.

Para recarregar as forças, o casal descansa na escadaria do Mausoléu de Grant (grantstomb.org), onde está enterrado o general Ulysses S. Grant, presidente dos Estados Unidos e um dos principais protagonistas da Guerra de Secessão. O memorial fica na área do Riverside Park, outro ponto de turismo e lazer. E, no caminho de casa, a dupla faz uma pausa gastronômica em Chinatown.

A trama se desenvolve e, quando Marietta (Patricia Clarkson), mãe de Melody, chega à cidade, mais um tour turístico se encaixa na história - desta vez, Boris consegue ficar fora do programa. Mãe e filha assumem de fato a posição de visitantes e embarcam em um ônibus hop on hop off (citysightsny.com), opção indicada para quem quer ter uma ideia geral dos pontos da cidade. Com os colegas turistas que esbanjam pitorescos chapéus em forma de coroa da Estátua da Liberdade, conferem o movimento incessante e os néons da Times Square do andar de cima do ônibus.

Elas ainda passeiam por divertidos mercados de antiguidades - o Antiques Garage, em Chelsea, e GreenFlea, na Greenwich Avenue devem estar no seu roteiro. E, apesar de deixarem de fora museus como Met (metmuseum.org), MoMA (moma.org) e Museu de História Natural (amnh.org), vão conferir as estátuas de cera do Madame Tussauds (madametussauds.com). Gosto é gosto. /BRUNA TIUSSU

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