De bike, entre Paris e Istambul

Os trilhos do antigo Expresso do Oriente guiam as pedaladas de José Antonio Ramalho - por 3.300 km

Lucas Frasão, O Estado de S.Paulo

24 Junho 2008 | 03h03

Um trem de luxo cortou a Europa ao meio no fim do século 19. Sobreviveu a duas guerras mundiais, teve sua rota alterada e inspirou livros e filmes. Hoje, seus trilhos guiam o brasileiro José Antonio Ramalho em uma viagem de bicicleta entre Paris (França) e Istambul (Turquia). Ele segue o percurso do antigo Expresso do Oriente, cujos vagões ainda circulam por lá, operados por outras empresas - o trem original foi desativado na década de 1970. Ramalho começou a aventura há pouco mais de uma semana, no dia 15, e deve terminar o trajeto no fim de julho. Vai percorrer mais de 3.300 quilômetros em 45 dias. ''Estou pedalando de 8 a 12 horas por dia, das 7 horas até o fim da tarde. Não é uma rotina tranqüila, mas dá para descansar um pouco.'' De acordo com o roteiro, o ponto de partida da manhã de hoje é Donaueschingen e o de chegada, Sigmaringen, duas cidadelas na região sudoeste da Alemanha, a 615 quilômetros de Berlim. ''Procuro lugares menos conhecidos, mas não vou deixar de pedalar nas capitais.'' Quando passou por montanhas e campos de trigo na França, ele encontrou um palacete que ''deve estar fora de qualquer rota turística''. A curiosidade pelo desconhecido ajuda Ramalho a encarar a empreitada sozinho, apenas na companhia de sua magrela. ''O lado mais aventureiro é você olhar no GPS e perceber que está longe de qualquer cidade grande.'' Oito países estão marcados no mapa da travessia. Além da França, local do começo da viagem, da Turquia, ponto final, e da Alemanha, onde o viajante está agora, Áustria, Eslováquia, Hungria, Sérvia e Bulgária integram o caminho. ''Há lugares maravilhosos para pedalar por aqui'', diz Ramalho. As ciclovias que permeiam o Rio Danúbio, por exemplo, estão no roteiro. São pelo menos 1.500 quilômetros, que seguem o fluxo do rio entre o sul da Alemanha e Belgrado, capital da Sérvia, passando por regiões que conservam casas medievais e por grandes cidades, caso de Budapeste. O aventureiro calculou gastar de 60 a 200 por noite de hospedagem. Ele conta com o apoio de empresas que forneceram um kit tecnológico de primeira linha. Com notebook, celular, câmera digital e GPS - juntos, os equipamentos pesam 2,5 quilos - , Ramalho dá notícias diárias de sua aventura na internet. É possível acompanhar as pedaladas no blog www.expressodoorientedebike.blogspot.com. OUTRAS EMOÇÕES Hoje com 46 anos, Ramalho tem no currículo experiências ainda mais radicais. Em 2000, voou de São Paulo até o Alasca em um bimotor e, depois, foi a Ushuaia, na Argentina. Sua primeira travessia de bike foi há três anos, entre França e Espanha. Depois, pedalou nos Andes, no Marrocos e no Himalaia.

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