Adriana Moreira/Estadão
Adriana Moreira/Estadão

De carro na Califórnia - Carmel a San Luis Obispo (212 km)

Das escarpas de Big Sur aos elefantes-marinhos de Piedras Blancas

Adriana Moreira, O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2015 | 00h01

"Cada saliência, cada colina, cada planície mistificava meus anseios"; Jack Kerouac, On The Road

A manhã de sol ficou só no sonho. O dia com o qual mais tínhamos expectativas, pelas escarpas de Big Sur, amanheceu cinza e chovisquento. Com isso, resolvemos visitar a Missão de Carmel contando que o tempo melhorasse. Foi uma decisão acertada: a missão de San Carlos Borromeo de Carmelo (carmelmission.org; US$ 4) é uma das mais bem preservadas da Califórnia. Construída em 1771, guarda uma área de belos jardins e um museu com artefatos sacros e históricos. Ainda há missas na capela.

As nuvens iam e vinham, o vento não dava trégua, mas a chuva tinha partido quando saímos. Ainda assim, fizemos várias paradas em Big Sur, como para fotografar as pontes erguidas sobre impressionantes precipícios, como as clássicas Rocky Creek e a Bixby Bridge. A vista é linda com ou sem céu azul.

Quando nos aproximamos do Farol de Point Sur, as nuvens ficaram para trás e o sol finalmente apareceu. Fizemos uma breve pausa no River Inn, hotel com clima de casa de campo, cadeiras espalhadas sobre o riacho, caminhão de sorvetes e restaurante intimista.

A partir daí, a paisagem muda pouco. A parada seguinte foi em San Simeon, na praia de Piedras Blancas, conhecida por abrigar uma colônia com cerca de 17 mil elefantes-marinhos. Eles se espalham preguiçosamente na areia e, vez ou outra, decidem ir à água. É aí que se estranham, reclamam e voltam a cochilar.

A praia não está longe da saída para o Hearst Castle, mansão com vista para San Simeon planejada pelo ricaço William Hearst para abrigar sua coleção de arte. Concluída em 1947, a construção, em uma área de 127 acres, é hoje um museu. É preciso tempo para ver tudo como se deve – e reservar pelo hearstcastle.org (US$ 25). Em vez de tempo, tínhamos fome, e paramos para um hambúrguer rápido no simples e saboroso Sebastian’s antes de alcançar San Luis Obispo.

Universitários. San Luis Obispo é uma cidadezinha simpática e refinada, por onde circulam 20 mil estudantes da Universidade Politécnica da Califórnia – ou, mais precisamente, metade da população local. Mas, entre as lojas charmosas e as ruas arborizadas, um ícone rebelde ganhou status de ponto turístico: o Bubblegum Alley, o Beco do Chiclete.

Ninguém sabe como começou a tradição de grudar chicletes naquelas paredes. Acredita-se que tudo começou na década de 1950, em uma disputa entre estudantes – hoje, há milhares de gomas de mascar coloridas enfeitando o local. Graças também aos estudantes, há uma ampla oferta de bares na cidade, que costumam fazer convidativas promoções às terças-feiras.

Jantamos no ótimo Foremost Wine Co., com pratos inventivos e ampla carta de vinhos. A combinação inusitada de jamón serrano, burrata, morangos e manjericão (US$ 12) fez sentido no paladar, e o tartar de carneiro (US$ 15) foi tão inesquecível quanto o polvo grelhado (o segundo melhor que comi na vida; acho que passei a gostar de polvo), de US$ 18. 

Nos despedimos do carro, temporariamente, ali. O próximo trecho, até Santa Barbara, seria de trem.

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