Adriana Moreira/Estadão
Adriana Moreira/Estadão

Adriana Moreira, O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2015 | 00h02

"De repente, percebi que estava na Califórnia. Ar cálido e próspero soprando entre as palmeiras - ar que se pode beijar"; Jack Kerouac, On The Road

Não dá para viajar pela Califórnia sem pensar em On The Road, de Jack Kerouac. No clássico livro da geração beatnik, Sal Paradise cruza os Estados Unidos, de Nova York a São Francisco – e, mais tarde, segue até o México. As diferenças de nossa viagem com a de Kerouac eram muitas: não íamos de carona, mas num confortável carro alugado; comemos muito bem, em restaurantes com ingredientes frescos e regionais; São Francisco era nosso ponto de partida, e não de chegada. Mas compartilhamos com o escritor o encantamento com a estrada e sua inerente poesia.

Por essa razão, as frases destacadas nesta reportagem foram extraídas de On The Road. De São Francisco a Los Angeles, foram quatro dias de viagem, cerca de 800 quilômetros percorridos e muitas lições aprendidas. Como, por exemplo, entender que planejar é tão importante quanto abrir mão do planejamento para passar mais tempo curtindo o caminho. Acredite: você vai passar mais tempo nele do que imagina.

Para deixar os planos de lado, contudo, é preciso tê-los, então vamos a eles. Prefira ir de São Francisco a Los Angeles, e não no sentido oposto, para estar do mesmo lado dos inúmeros mirantes. E tente não ter pressa: você vai precisar de no mínimo dez dias para poder curtir também as cidades do trajeto.

Dispense o carro na chegada a São Francisco. Você estará cansado da viagem, o balcão das locadoras tem filas enormes com turistas que também vão desbravar a costa californiana e, acredite: ele não será necessário na cidade. Use metrô, táxi, ônibus, Uber (o aplicativo nasceu na Califórnia, é superpopular e vantajoso por lá) e, claro, os tradicionais bondinhos para desbravar a cidade.

Ponto de partida. Apesar de ser famosa pelas ladeiras, São Francisco engloba a lista de cidades bike friendly, com ciclovias e ciclorrotas que vão livrá-lo da maior parte das subidas. Há ao menos um passeio obrigatório sobre duas rodas: o que cruza a Golden Gate rumo a Sausalito. 

É possível fazer o tour por conta própria (o caminho é simples e repleto de ciclistas) ou com uma das empresas localizadas na região de Fisherman’s Wharf. Uma delas, a Blazing Saddles, foi criada há 30 anos por uma brasileira, Helena Sears, que pode providenciar um guia fluente em português para o tour, caso avisada com antecedência.

Sausalito é uma graça, repleta de cafés charmosos e sorveterias. Fique atento ao horário da balsa para retornar a São Francisco – e aproveite para conhecer na volta o Pier 39, com lojas espirituosas (como a Leftie’s, só com artigos para canhotos), restaurantes tentadores e a vista para os leões-marinhos que se exibem por ali.

O roteiro básico pela cidade inclui ainda a Lombard Street, a rua mais tortuosa do mundo (que você certamente já viu em algum filme de Hollywood), os restaurantes das vizinhas Little Italy e Chinatown, os murais do Mission, a noite do Castro... Sem falar em um pulinho em Alcatraz, a ilha-presídio que funcionou entre 1934 e 1963 e abrigou presos famosos como Al Capone. Há muito para ver, por isso, reserve ao menos três dias para São Francisco.

No último dia, pegue o carro reservado com antecedência (quem deixa para a última hora paga mais caro). Não adianta sair cedo demais: os nevoeiros pela manhã são comuns, e você perderá muito da paisagem. O ideal é cair na estrada entre 9 e 10 horas da manhã – Jack Kerouac também escreveu sobre as manhãs enevoadas do litoral californiano em outro livro, Big Sur.

É possível pegar a icônica Highway 1 a partir de São Francisco – há quem diga que esse primeiro trecho não tem lá grandes atrativos. Como nosso tempo era limitado, cortamos caminho e seguimos pela 101 até a saída para Monterey, a cerca de 2 horas de distância. É ali que a aventura realmente começa.

A JORNALISTA VIAJOU A CONVITE DO VISIT CALIFÓRNIA

Aéreo: de São Paulo a São Francisco, com volta de Los Angeles: R$ 2.669,46 na American; R$ 3.626 na TAM

 

Carro: dez diárias a partir de US$ 251 na Mobility

 

Quando ir: teoricamente, o ano todo. No verão, as manhãs têm mais neblina; é a melhor época para curtir praia. O inverno é chuvoso e os ventos inibem a vontade de parar para fotos

 

Site: visitcalifornia.com 

Onde ficar: Em São Francisco, Santa Barbara e Los Angeles nos hospedamos em hotéis da rede Kimpton, funcionais e confortáveis. Em São Francisco, havia bikes para empréstimo e, em Santa Barbara, da piscina tinha-se uma bela vista para a cidade. O atendimento simpático de Los Angeles, além da decoração clean e moderna foram o destaque em Los Angeles

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Adriana Moreira, O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2015 | 00h01

"Nada atrás de mim, tudo à minha frente, como sempre foi na estrada"; Jack Kerouac, On The Road

Nossa viagem tinha um quê de inspiração em Kerouac, mas foi Monterey, a primeira parada saindo de São Francisco, que se baseou na literatura para nomear seu principal ponto turístico, Cannery Row. O distrito, onde ficavam as fábricas de sardinha em lata no fim do século 19, ganhou esse nome em 1958, em homenagem ao livro homônimo de John Steinbeck. “Um poema, um fedor, um rangido, um tipo de luz, um tom, um hábito, uma nostalgia, um sonho”, escreveu ele sobre essa parte da cidade, muito antes de ela entrar na rota dos viajantes.

A atmosfera industrial permanece, mas ganhou cor e charme, restaurantes e cafés, lojas e jardins. Em uma das antigas fábricas está o indispensável Aquário de Monterey (de US$ 29,95 a US$ 39,95), com mais de 35 mil animais e plantas de 550 espécies. Fique atento aos horários de alimentação dos animais – você receberá a lista logo na entrada. 

Os tanques mais impressionantes são os das águas vivas, que exibem seu colorido e balé, e os das sardinhas, que nadam em círculos, seguindo o padrão da espécie – elas usam essa “coreografia” para despistar predadores. Há, claro, os enormes tanques onde desfilam tubarões, arraias, atuns e outros gigantes do mar. E as simpáticas lontras, cuja descontração faz parecer que elas estão curtindo a piscina em uma colônia de férias. O único ponto baixo foi o espaço reservado aos pinguins, tão deprimente quanto as aves que ali estavam.

Carmel. Almoce em Monterey antes de seguir viagem até Carmel-By-The-Sea pela 17 Mile Drive (isso, claro, se você não quiser passar uma noite naquele clima relax). Mesmo com o GPS, nos perdemos um pouquinho, o que proporcionou surpresas como uma casa colorida, enfeitada de borboletas – P.G. Butterfly House –, com um aviso de “propriedade particular” ao lado de outro que dizia “veterano do exército”. Pelo sim, pelo não, fotografamos com bastante atenção.

Já no caminho certo, cruzamos os portões de Pebble Beach, um condomínio por onde passa a estrada cênica. O trajeto é repleto de mansões, campos de golfe e paisagens que fazem você querer parar para fotografar a cada minuto, especialmente se o dia estiver ensolarado. Na entrada, paga-se a taxa de US$ 10 por carro e ganha-se um mapa, que lista as principais paradas.

É claro que o mapa não aponta algumas deliciosas particularidades, como os esquilos que povoam as praias e posam para os cliques ao lado das gaivotas, ambos interessados nos lanches dos turistas. Ou a família de cervos que cruzava um dos campos de golfe e permaneceu nos observando, imóvel, até que alguém tentasse uma aproximação maior. Mas marca o impressionante Cipreste Solitário, uma árvore à beira de um precipício que resiste aos fortes ventos daquela região há 250 anos. Não economize nas pausas – afinal, é por isso que você está na estrada. 

Descanso. Com tantas paisagens fotogênicas, chegamos a Carmel no fim da tarde. Pusemos as malas na Hofsas House (a partir de US$ 140 o casal), pousada familiar de estilo vintage, com ótimo atendimento (embora o café da manhã seja fraquinho), e corremos para tentar fazer algo ainda com a luz do sol. A cidade é pequeníssima, repleta de lojas charmosas nas quais eu teria deixado uma pequena fortuna não fosse o fato de que todas fecham às 17 horas e abrem só depois das 10 (quando já teríamos partido). A Califórnia, afinal, não é sobre ganhar dinheiro, mas sobre qualidade de vida – e o fim da tarde foi feito para assistir ao pôr do sol na praia, alguns metros abaixo.

Terminamos o dia no delicioso Basil Carmel, cujo menu é baseado nos ingredientes da estação. Compartilhamos o melhor polvo grelhado (US$ 18) que já comi na vida (e nem gosto de polvo) e suculentas almôndegas de carneiro (US$ 12) com molho de tomate, bebericando vinho californiano. De prato principal, pedi ravióli com alcachofras (US$ 18), outra especialidade da região.

A noite em Carmel acaba cedo – e era preciso guardar energias para mais um dia na estrada. Por isso, era hora de aproveitar o quarto com papel parede florido e edredom fofinho para sonhar com mais uma manhã de sol.

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Adriana Moreira, O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2015 | 00h01

"Cada saliência, cada colina, cada planície mistificava meus anseios"; Jack Kerouac, On The Road

A manhã de sol ficou só no sonho. O dia com o qual mais tínhamos expectativas, pelas escarpas de Big Sur, amanheceu cinza e chovisquento. Com isso, resolvemos visitar a Missão de Carmel contando que o tempo melhorasse. Foi uma decisão acertada: a missão de San Carlos Borromeo de Carmelo (carmelmission.org; US$ 4) é uma das mais bem preservadas da Califórnia. Construída em 1771, guarda uma área de belos jardins e um museu com artefatos sacros e históricos. Ainda há missas na capela.

As nuvens iam e vinham, o vento não dava trégua, mas a chuva tinha partido quando saímos. Ainda assim, fizemos várias paradas em Big Sur, como para fotografar as pontes erguidas sobre impressionantes precipícios, como as clássicas Rocky Creek e a Bixby Bridge. A vista é linda com ou sem céu azul.

Quando nos aproximamos do Farol de Point Sur, as nuvens ficaram para trás e o sol finalmente apareceu. Fizemos uma breve pausa no River Inn, hotel com clima de casa de campo, cadeiras espalhadas sobre o riacho, caminhão de sorvetes e restaurante intimista.

A partir daí, a paisagem muda pouco. A parada seguinte foi em San Simeon, na praia de Piedras Blancas, conhecida por abrigar uma colônia com cerca de 17 mil elefantes-marinhos. Eles se espalham preguiçosamente na areia e, vez ou outra, decidem ir à água. É aí que se estranham, reclamam e voltam a cochilar.

A praia não está longe da saída para o Hearst Castle, mansão com vista para San Simeon planejada pelo ricaço William Hearst para abrigar sua coleção de arte. Concluída em 1947, a construção, em uma área de 127 acres, é hoje um museu. É preciso tempo para ver tudo como se deve – e reservar pelo hearstcastle.org (US$ 25). Em vez de tempo, tínhamos fome, e paramos para um hambúrguer rápido no simples e saboroso Sebastian’s antes de alcançar San Luis Obispo.

Universitários. San Luis Obispo é uma cidadezinha simpática e refinada, por onde circulam 20 mil estudantes da Universidade Politécnica da Califórnia – ou, mais precisamente, metade da população local. Mas, entre as lojas charmosas e as ruas arborizadas, um ícone rebelde ganhou status de ponto turístico: o Bubblegum Alley, o Beco do Chiclete.

Ninguém sabe como começou a tradição de grudar chicletes naquelas paredes. Acredita-se que tudo começou na década de 1950, em uma disputa entre estudantes – hoje, há milhares de gomas de mascar coloridas enfeitando o local. Graças também aos estudantes, há uma ampla oferta de bares na cidade, que costumam fazer convidativas promoções às terças-feiras.

Jantamos no ótimo Foremost Wine Co., com pratos inventivos e ampla carta de vinhos. A combinação inusitada de jamón serrano, burrata, morangos e manjericão (US$ 12) fez sentido no paladar, e o tartar de carneiro (US$ 15) foi tão inesquecível quanto o polvo grelhado (o segundo melhor que comi na vida; acho que passei a gostar de polvo), de US$ 18. 

Nos despedimos do carro, temporariamente, ali. O próximo trecho, até Santa Barbara, seria de trem.

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Adriana Moreira, O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2015 | 00h01

"Na estrada, em algum lugar, a pérola me seria ofertada"; Jack Kerouac, On The Road

Era preciso madrugar para embarcar no trem de San Luis Obispo rumo a Santa Barbara. O Pacific Surfliner da Amtrak (desde US$ 27) partia às 6h55 – seriam 2h30 confortáveis, com Wi-Fi grátis e chance de cochilar enquanto a composição passa por campos de cultivo e povoados até, finalmente, margear o Pacífico. Para a melhor vista, sente-se ao lado direito. 

Deixar o carro para desbravar Santa Barbara pode ser uma boa ideia, principalmente para provar os vinhos produzidos na região sem ter de dirigir depois. Em Sideways – Entre umas e outras (2004), dois amigos 
percorrem as vinícolas da região. A rota ficou famosa depois do filme: é possível refazer o trajeto da dupla por conta própria, de carro - saiba mais aqui. Boa parte dos vinhedos ficam no Vale de Santa Inês, logo ao lado, de onde vêm a maior parte dos rótulos locais.

Mas mesmo dentro da cidade há boas opções. A Urban Wine Trail marca as casas que oferecem degustação de vinhos produzidos no condado de Santa Barbara e imediações. A maior parte fica no Art District, área de antigos galpões próximos à linha do trem que vem sendo revitalizada. É ali que os moradores da cidade fazem seu happy hour, entre bares com mesinhas ao ar livre. Cada casa tem o próprio sistema – algumas vendem apenas marcas próprias. 

Como estávamos sem carro, embarcamos no bondinho (US$ 22) para conhecer o resto da cidade. O tour passa pelo bairro de mansões das celebridades de Hollywood, pelas quadras de vôlei de praia, pela Stearn’s Wharf (a baía), pela antiga missão que deu origem à cidade e pela refinada State Street.

É nesta região que você deve se hospedar (a não ser, claro, que queira ficar próximo aos vinhedos). Ali, grifes internacionais convivem com lojinhas de presentes, butiques, brechós repletos de preciosidades e bons restaurantes, fazendo com que o viajante se dedique, basicamente, a comer e comprar.

Foi o que fiz. O dia terminou com um banquete no Sama Sama, que oferece comida da Indonésia com ingredientes locais. Nos fundos da casa, um jardim com mesas grandes e lampadinhas dá a sensação de estarmos em um informal jantar na casa de amigos. O menu muda de acordo com a época do ano; pratos principais custam cerca de US$ 20.

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Adriana Moreira, O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2015 | 00h01

"Viva, viaje, aventure-se e abençoe. E não se arrependa"; Jack Kerouac, On The Road

De Santa Barbara, é possível seguir direto a Los Angeles pela 101 (se tiver compromisso, lembre-se que o trânsito é pesado nas proximidades de L.A.) ou continuar pela Highway 1, passando por Malibu, Santa Monica e San Diego. Minha viagem terminou em Santa Monica, distrito de Los Angeles que consegue ser simples e refinado ao mesmo tempo. Com bons restaurantes, amplo comércio, ciclovias e o Pacific Park, píer que é seu cartão-postal, o distrito está a 20 minutos do Aeroporto de Los Angeles. Aqui, as atrações mais bacanas.

Third Street Promenade

Entre as avenidas Wilshire e Broadway, a 3rd Street virou uma rua exclusiva para pedestres. Marcas como H&M e Forever 21 dividem espaço com lojas locais, cafés e fast-foods. Os artistas de rua batem cartão: há imitador de Michael Jackson, teatro de bonecas, cantor de ópera... 

Pacific Park

A roda-gigante sobre o píer é o símbolo de Santa Monica – assistir a um pôr do sol com ela ao fundo é inesquecível. O ícone usa apenas energia solar – lá do alto, avista-se toda a costa de Venice a Malibu. No píer, há restaurantes como o disputado Bubba Gump, ambulantes e lembrancinhas caras. Desça as escadas para provar o Hot Dog on a Stick (US$ 4). Na prática, é só um enroladinho de salsicha, mas com uma massa macia e crocante. Caminhe em direção a Venice para ver atletas fazendo manobras incríveis em argolas e barras à beira-mar.

Comer, comer

Na Califórnia, comer bem e de maneira saudável é obrigatório. Para entrar no clima, visite as feiras – os Farmer’s Markets. O mais famoso de Santa Monica é realizado às quartas e sábados, próximo à 4th Street, e tem frutas, flores e ingredientes frescos. O meu favorito, contudo, ocorre aos domingos na Main Street, próximo à Heritage Square. Embora menor, tem ares de piquenique comunitário, com famílias esparramadas nos gramados, música ao vivo e comidas orgânicas, como falafel, omeletes, waffles. Para beber, nada de refrigerante: vá de limonada com morangos. Termina às 13h. Já que está por ali, aproveite para caminhar por esse trecho da Main, cheio de butiques descoladas.

 Para sentar à mesa e manter o clima de descontração há boas opções. O Santa Monica Sea Food é um refinado mercado de peixes frescos com um pequeno restaurante. Pedi o sanduíche de camarão (US$ 18) e não me arrependi. O Swettfin Poké (829 Broadway St.) tem tigelas balanceadas com arroz, peixe e vegetais (cuidado com a pimenta; em média, US$ 18) para uma refeição rápida. Ao lado, o Pono Burger simula um celeiro para mostrar quão frescos são seus ingredientes – o menu muda de acordo com a estação. Peça a batata doce frita (US$ 5) para acompanhar os sanduíches (cerca de US$ 12).

Pedal

O banco da minha bicicleta era baixo demais para mim, e parei no Santa Monica Bike Center para pedir um ajuste. Com um sorriso no rosto, o atendente fez o ajuste e não aceitou nem gorjeta. Dias depois, contei o caso a Shaun Boylan, diretor de passeios da empresa. “Essa é a nossa proposta, ser um porto seguro para os ciclistas.”Para locais, há estacionamento de magrelas e vestiário; para turistas, há aluguel de bicicletas e tours guiados – fiz o Sweet Spot (US$ 89), que dura de 3 a 4 horas e é contraindicado para quem está de dieta: as paradas são em docerias, com degustação.  Santa Monica é perfeita para pedalar, com ruas com pouco declive e ciclovias. A mais famosa é a Marvin Braude Trail, rota à beira-mar de 35 quilômetros que leva até Torrance, passando por Venice e Marina Del Rey.

Venice

Quem vai a Venice pela orla conhece a parte mais hippie do distrito, mas há mais para ver. Entre pela Venice Boulevard para se deparar com os canais que deram nome ao lugar (em inglês, Veneza é chamada de Venice). A atmosfera também é outra no Abbot Kinney Boulevard, com lojas modernas e antenadas, restaurantes charmosos, bares convidativos e murais lindamente grafitados. 

ESCAPADAS

Los Angeles

Chegar à metrópole depois de dias na estrada entre cidades pequenas pode ser um pouco chocante. Como Los Angeles é imensa, repleta de highways que podem confundir o viajante, uma boa maneira de conhecer os principais pontos turísticos (Calçada da Fama, Beverly Hills, Rodeo Drive) é embarcando nos clássicos ônibus hop on – hop off (a partir de US$ 39). Mas podem haver imprevistos – os ônibus atrasaram muito no dia em que estávamos na cidade por conta da gravação de uma série de TV. Na hora do almoço, pare no Farmer’s Market de LA para almoçar – a área foi remodelada recentemente e guarda ótimos estandes a preços convidativos. Está ao lado do The Grove, com charmosas lojas ao ar livre. Mais: discoverlosangele.com.

 

San Diego

Quem tem dias a mais pode esticar até San Diego – pela Highway 1, a viagem a partir de Santa Mônica leva cerca de 3h30. Planeje-se para uma parada estratégica em La Jolla, praia localizada cerca de 20 quilômetros antes da cidade, frequentada por celebridades e dotada de um pôr do sol disputado. O Zoológico de San Diego é um dos mais famosos do mundo, com animais raros como pandas e tartarugas gigantes das ilhas Galápagos. A área de Old Town, primeiro assentamento espanhol da cidade, guarda lojas coloridas, construções históricas e uma forte cultura mexicana, refletida também em seus restaurantes. De dia, aproveite para conhecer os museus; à noite, usufrua do clima festivo dos bares locais. Mais: sandiego.org.

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