De cima do penhasco, Ronda captura turistas, poetas e bandoleiros

A favorita de bandoleiros, poetas viajantes e toureiros está retratada em pinturas, filmes e histórias românticas de um tempo que volta a fazer parte de seu dia a dia a cada temporada. Desde 2012, Ronda promove três dias de festa em maio para resgatar suas raízes. Moradores, vizinhos e turistas revivem acontecimentos e costumes do século 19, quando a fama da cidade ganhou o mundo pelos relatos aventureiros de quem a conhecia.

RONDA, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2013 | 02h19

Carruagens e trajes de época tomam as ruas em desfiles. Filmes inspirados nas façanhas de bandoleiros e contrabandistas entram em cartaz. Episódios históricos são reconstituídos em peças de teatro a céu aberto. Gastronomia e arte, claro, também têm espaço, assim como as borracheras (bebedeiras) e o flamenco. A programação da próxima edição estará disponível em breve no rondaromantica.org.

Se o evento não coincidir com seu roteiro, tudo bem. A 130 quilômetros de Sevilha e a cerca de uma hora da Costa do Sol, em Málaga, Ronda vale a visita em qualquer época do ano - pode nevar no inverno. Não por acaso, é um dos destinos de fim de semana preferidos dos andaluzes.

A beleza cênica da cidade é o fator de encanto mais evidente que Ronda exerce sobre os visitantes. Parte de suas construções está debruçada sobre penhascos que alcançam 150 metros de profundidade e seus bairros são ligados por três pontes - a Árabe, a Velha e a Nova - sendo esta última, de 1761, a mais emblemática. Na margem sul do Rio Guadalevín - ou Rio Grande - fica o centro velho; do lado oposto, surge a parte moderna.

Sobre a Ponte Nova impera o Parador de Turismo, hotel da rede espanhola que ocupa o antigo prédio da prefeitura e cujos quartos oferecem belos panoramas. No restaurante, é possível provar receitas clássicas como o cabrito assado ou o rabo de touro cozido com alho, cebola e pimentões.

A poucos metros dali fica a famosa Real Maestranza de Caballería de Ronda, uma das mais antigas praças de touros da Espanha, de 1785. O ingresso custa 6,50 e dá acesso a todos os setores do espaço, desde a arena até os camarins. O Museu Taurino completa a visita, com pinturas, vestimentas e artigos usados ao longo dos tempos, assim como as armas de época e o código de honra que vigorava entre cavalheiros nos duelos com pistola.

Ali pertinho fica o Paseo de Blas Infante, reduto verde da cidade, com árvores, flores e varandas com panorâmicas belíssimas da paisagem que cerca Ronda. Dali é possível seguir pela Carrera Espinel, a principal artéria comercial exclusiva para pedestres, mais conhecida pelos locais como Calle la Bola.

Passado. A região que hoje concentra cerca de 40 mil habitantes registrou ao longo dos séculos a passagem de fenícios, romanos e árabes. Todos um dia quiseram controlar esse importante enclave comercial, a principal rota para o Vale do Rio Guadalquivir, o mais importante da Andaluzia, desde o Estreito de Gibraltar.

Essa história pode ser conferida no Museu de Arqueologia, dentro do Palácio de Mondragón, uma das construções emblemáticas da cidade. Seus pátios internos, que novidade, conduzem a jardins com mais e mais vistas espetaculares. / F.V.

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