De lá para cá

Fotogênica sim. Do amanhecer, entrecortada por nuvens baixas da tradicional neblina de São Francisco ao pôr do sol, com o dourado do cair da tarde ornando com sua cor peculiar, a Golden Gate parece estar sempre fazendo pose para os cliques. Mas o ícone da cidade está longe de ser mero cartão-postal. Por ela passam mais de 110 mil carros por dia - quem vai à região do Vale do Napa, uma das principais áreas vinícolas dos Estados Unidos, precisa passar por ela. Com tantos atributos, não é de se estranhar que esteja sendo preparada uma grande festa para celebrar os 75 anos do maior símbolo local.

ADRIANA MOREIRA , SÃO FRANCISCO, O Estado de S.Paulo

24 Abril 2012 | 03h09

Os festejos se concentram nos dias 26 e 27 de maio, com shows, exposições e performances ao longo da costa, espalhados em pontos turísticos entre Fort Point e Fisherman's Wharf. Às 21h30 do dia 27, uma queima de fogos encerra a celebração.

A promessa, contudo, é que haja eventos comemorativos ao longo de todo o ano, com espetáculos espalhados pela cidade (confira a programação no goldengatebridge75.org). Sem esquecer de presentear também a própria aniversariante, que vai ganhar uma nova área de visitantes e tours noturnos. A histórica Round House, usada como apoio para as linhas de trem no início do século 20 (destruída em um incêndio em 2001) e hoje abandonada, deve ser revitalizada.

São Francisco, claro, tem muito mais a exibir além da ponte alaranjada. Em razão das comemorações, decidimos fazer também uma homenagem (do nosso jeito), usando a Golden Gate como ponto central para explorar atrações dentro e fora da cidade.

No pedal. Com alguma disposição, vale a pena alugar uma bicicleta, seja para fazer o clássico passeio a Sausalito, do outro lado da ponte, como para explorar a metrópole. A cidade é bastante receptiva aos ciclistas, com faixas preferenciais e rotas planejadas. E não se assuste com as imensas e cinematográficas ladeiras: há diversas rotas para fugir das ruas mais íngremes. Basta ficar de olho nos mapas ciclísticos, nas placas de rua e, logicamente, pedir dicas na hora de alugar sua magrela. Foi o que fiz.

Mas calma. Se pedalar não é o seu forte, você pode percorrer o mesmo trajeto desta reportagem usando o meio de transporte que lhe for mais conveniente: táxi, ônibus, tênis, bondinho... Afinal, as distâncias entre atrações não são grandes. São Francisco tem apenas 49 milhas quadradas (127 quilômetros quadrados) - é possível ir a pé de Chinatown a Little Italy e, de lá, seguir para Fisherman's Wharf. Ao mesmo tempo, Chinatown está colada à Union Square, que por sua vez está pertinho da Market Street, no coração da cidade. Use isso a seu favor e explore cada cantinho dela.

Não estranhe, contudo, se ao final você ainda tiver a sensação de que precisa voltar. A razão talvez seja a vocação friendly, amigável de São Francisco: hippie friendly, gay friendly, bike friendly, grafite friendly... É como se, na falta de rótulos que a definissem propriamente, São Francisco tivesse aceitado todos. Camaleônica, com muito orgulho.

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