Wanise Martinez/ AE
Wanise Martinez/ AE

De mochila na Bolívia

Depois do primeiro voo até o País e de um segundo trecho aéreo para ir à capital, longos trajetos de ônibus marcaram o dia a dia. Além da solidariedade dos moradores

Wanise Martinez - O Estado de S. Pailo,

04 Outubro 2011 | 10h26

O começo - Santa Cruz de La Sierra

 

Apenas três horas de viagem separam o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, de Santa Cruz de la Sierra, porta de entrada para a maioria absoluta dos mochileiros que chega à Bolívia. O voo da Gol, única empresa brasileira que faz o trajeto, chega ao Aeroporto Viru Viru à 00h15.

 

A empolgação pelo começo da aventura ajudou a não sentir a noite mal dormida nos bancos do aeroporto. A manhã seguinte nos encontrou cheias de ansiosa disposição. A cidade fundada pelo capitão espanhol Ñuflo de Chávez em 1561 tem na Praça 24 de Setembro o seu ponto central. Dali, vá à Catedral Metropolitana, ao Palácio do Governo e à Casa de Cultura.

 

Fora da área urbana, a 16 quilômetros de distância, visite as Dunas do Palmar, também chamadas Lomas de Arena, para ver montanhas de areia alaranjadas, lagoas de água cristalina e 200 espécies de pássaros em um parque que existe por ali. Alugar um carro para ir até lá custa cerca de US$ 80 se você pechinchar nas agências do centro da cidade.

 

Dali para La Paz escolhemos pegar um voo, com duração de uma hora, da Aerosur (cerca de US$ 120 ou R$ 200). De ônibus, o trajeto é feito em 17 horas por cerca de um quinto desse valor – custa 100 bolivianos (R$ 25). Mas nosso roteiro incluía opções radicalmente econômicas nos próximos dias. Por isso, optamos pela despesa, pensando no tempo disponível. 

 

La Paz

 

As milhares de casas penduradas em encostas de morros e a Cordilheira dos Andes ao fundo transformam a capital da Bolívia em uma cidade impressionante. São subidas e descidas por toda parte, tomadas por pessoas e carros. Calor e o inevitável soroche podem deixar os primeiros momentos difíceis.

 

Afetada pelo mal de altitude e pela mistura de odores que toma as ruas (temperos, incensos, suor), não consegui comer a comida local. Preferi um lanche do Burger King.

 

As cholas, mulheres nativas que celebram a tradição indígena nas saias rodadas, nos xales coloridos e no chapéu coco, dominam o comércio de rua. As Calles Illampu, Santa Cruz e Sagárnaga são algumas das mais frequentadas pelos turistas em busca de ponchos coloridos, artesanato local e roupas de trilha e aventura. Mochileiros fazem a festa: dá para encontrar casaco impermeável por 270 bolivianos (R$ 63), touca de lã de lhama por 30 bolivianos (R$ 7) e botas por 400 bolivianos (R$ 94). Não esqueça de usar o “Hay descuento?” - os bolivianos sempre negociam - e de perguntar sobre a autenticidade dos produtos.

 

As ruínas de Tiwanaku, mais importante sítio arqueológico da Bolívia e Patrimônio da Unesco, são o passeio imperdível de La Paz (por 120 e 160 bolivianos ou R$ 30 a R$ 40). Sobrou energia para a balada? A Blue House Club, na Calle Mexico, é bem animada. 

 

Copacabana

 

Montanhas verdes e as águas do famoso Lago Titicaca embelezam a estrada entre La Paz e Copacabana, pitoresca cidadezinha a três horas de ônibus da capital. Considerada centro de peregrinação, abriga a imagem de uma das padroeiras da Bolívia, a Virgem da Candelária.

 

Mas não é apenas religioso o motivo que leva a maioria dos mochileiros até lá. Copacabana deve boa parte de sua vocação turística ao lago. Em 1h30 de viagem, um barco leva o viajante até a Isla del Sol, considerada sagrada, repleta de ruínas e santuários.

 

A taxa de entrada, de 40 bolivianos (R$ 10) dá direito a um guia local. O que é necessário: é fácil se perder.

Os turistas desembarcam no sul da ilha, Yumani. A caminhada começa por uma escadaria pré-colombiana que leva a um ponto elevado, de onde se veem outras ilhas e os Andes. No fim há uma fonte, considerada da juventude. Se não quiser beber a água, pelo menos molhe o rosto. Vai que funciona contra rugas.

 

Neste lado da ilha fica o palácio inca Pilkokayna, que foi construído com 12 salas para representar os meses do ano. Não consegui ir até lá: a chuva que se aproximava fez o guia apressar o fim do passeio. Os ventos na Isla del Sol são fortes e oferecem risco aos barcos no retorno.

 

Há ainda o lado norte da ilha, Challapampa, que a chuva não nos deixou ver. Por lá, há mais ruínas e um museu.

Na parte urbana de Copacabana, os turistas batem pernas pelas Calles Pando e Oruro. Para o jantar, o Café Alax Pacha, na Avenida 6 de Agosto, é ótima pedida – serve pratos locais, massas e pizzas. A truta com arroz e verduras, deliciosa, sai por 35 bolivianos (R$ 8,80).

 

À noite, o movimento se transfere para os bares da Calle Costanera, às margens de um iluminado Titicaca. 

 

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