De moto na isolada ilha vietnamita

Foi minha primeira vez conduzindo uma moto. Mesmo assim, segurei a Honda com a confiança de uma veterana e encarei os buracos das ruas de barro vermelho, acompanhada do meu namorado. Depois de uma noite de tempestade, a manhã estava nublada. Mas estávamos determinados a passar as horas de sol que se aproximavam em Sao Beach, o paraíso de areia branca que sabíamos estar entre os mais belos locais de Phu Quoc, uma ilha a 50 quilômetros da costa oeste do Vietnã.

BRIENNE WALSH / PHU QUOC , THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2012 | 03h07

Em algum lugar perto de um mercado que vendia produtos típicos - pimenta preta, molho de peixe e pérolas de água salgada - pegamos o caminho errado e acabamos voltando ao Parque Nacional Phu Quoc, cujas florestas, montanhas e praias cobrem cerca de 70% dos 222 quilômetros quadrados da ilha. Em um trecho complicado, a moto caiu por cima de mim, e acabei no chão com um profundo corte no joelho.

A parada no hospital e os três pontos foram inevitáveis, mas voltei para cima da moto. Simplesmente não podia perder tempo ali, onde o oceano é uma miríade de tons verdes e montanhas densamente arborizadas chegam a tocar as areias brancas.

Só recentemente Phu Quoc virou destino turístico. O tranquilo vilarejo de pescadores foi alvo de disputas entre Camboja e Vietnã no fim do século 20. Durante a Guerra do Vietnã, a ilha foi usada como campo de detenção para soldados norte-vietnamitas - hoje, o presídio é monumento histórico. Atualmente, com cerca de 50 hotéis e uma infinidade de spas, bares e restaurantes à beira-mar, tem conforto para uma escapada de luxo, a uma hora de voo de Ho Chi Minh.

A maioria dos resorts está em Long Beach e Lang Ong Beach, onde corais protegidos por bancos de areia aguardam os mergulhadores. Nós havíamos explorado essas águas no dia anterior. Por horas, mergulhamos por recifes coloridos, repletos de peixes, tartarugas e ouriços do mar. Paramos apenas para almoçar no barco de pesca que nosso guia, Conrad, havia ancorado em uma faixa deserta de areia.

"Os russos estão chegando", disse o guia, enquanto saboreávamos lulas grelhadas, rolinhos primavera, salada de manga e o molho de peixe que é o principal produto de exportação. Um novo porto será construído para acomodar iates russos e, segundo ele, nas escolas, o idioma já é o terceiro mais ensinado, atrás do vietnamita e do inglês. Reflexo do aumento do número de abastados turistas da Rússia que a ilha recebe.

Contemplação. No caminho até Sao Beach, qualquer desvio na estrada levava ao encontro da tradição local: um grupo de meninas com uniformes escolares pedalava para casa; pescadores descansavam sob palmeiras ou ao lado de seus barcos. Atravessamos montanhas pouco povoadas, onde fazendas de pimenta se destacavam de um lado, enquanto o outro era tomado por publicidades de futuros resorts e shopping centers.

Finalmente, depois de mais trechos esburacados, avistamos a placa de Sao Beach. A praia em si não guarda nenhum segredo. O que a torna um tesouro é a relativa inacessibilidade. Deixamos as motos na entrada da praia e, de repente, todos os sons desapareceram, exceto o ruído das ondas. Havia areia branca em todas as direções, parecendo se fundir com o céu nublado que exibia tons de marfim e creme. E só ocasionalmente o brilho etéreo era quebrado por silhuetas de banhistas solitários nas águas rasas.

Era este o paraíso que Phu Quoc havia prometido. E de fato nos entregou.

Phu Quoc, a uma hora

de voo de Ho Chi Minh,

é a escapada ideal,

com resorts, mergulho

e paisagens paradisíacas

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