De todas as cores

Mais do que dunas a perder de vista, as maiores paisagens desoladas do planeta têm climas e ecossistemas tão variados quanto as fotos inspiradoras desta página

Adriana Moreira, Mônica Nóbrega, O Estado de S.Paulo

17 Agosto 2010 | 02h18

Mojave. Turista pode dirigir por conta própria no deserto californiano

 

 

 

Até onde a vista alcança, não se registra sinal da presença humana. A linha do horizonte a incontáveis quilômetros e o silêncio só quebrado pelo assovio do vento intensificam a sensação de solidão. E terminam aí as semelhanças entre os desertos. Porque aquela imagem de dunas e mais dunas não corresponde à realidade em todos os casos.

Os maiores desertos do planeta são compostos por variados relevos e tipos de vegetação. Montanhas, rochas, estepes, lagos, planícies salgadas e gêiseres formam paisagens únicas.

Como regra, há duas definições. As chuvas têm índice anual inferior a 250 mililitros (na capital paulista, são 1.500 mililitros por ano). E inexistem condições para ocupação humana permanente. Aos viajantes, detalhes técnicos interessam menos que a beleza e o mistério dessas áreas. Do gigantesco Saara ao verde Gobi e ao árido Outback, selecionamos os mais belos (e turísticos) desertos do planeta. Para ver e, quem sabe, se aventurar.

SAARA

Gigante repleto de encantadores cenários

O maior deserto do mundo tem temperaturas que chegam a 55 graus de dia e descem abaixo de zero à noite. Passa por 11 países, mas tem quase a mesma extensão do Brasil - 8.396.000 quilômetros quadrados - e paisagens para lá de variadas. Pedras, dunas, oásis, morros e uma infinidade de cidades e povoados. Há maneiras variadas de explorar o Saara, dependendo de qual seja sua porta de entrada.

Star Wars

País muçulmano tolerante aos hábitos ocidentais, a Tunísia é uma ótima opção para um primeiro contato com o deserto. Os tours são feitos a partir de Tozeur, no sul do país. Bastam dez minutos nos carros 4X4 para chegar à primeira parada: Oung Jemel, cenário para o Star Wars de George Lucas. No mesmo dia, o visitante conhece Chebika, um oásis tal qual os dos desenhos animados. Dá até para passar uma noite no deserto, acampado com todo conforto em lugares como o acampamento Zaafran. Não perca o céu estreladíssimo da noite e o lindo amanhecer entre as dunas. Mais: http://www.cometotunisia.co.uk/

Mar de dunas

Erg Chebbi, um verdadeiro mar de dunas, é a principal atração para quem explora o Saara a partir do Marrocos. Os tours saem de Merzouga, quase na fronteira com a Argélia. Site: http://www.visitmorocco.com/

 

GOBI

Entre Mongólia e China, uma imensidão verde

O Gobi é verde em boa parte de sua extensão. Um tapete de vegetação rasteira interrompido por montanhas de pedra, leitos de antigos lagos completamente secos ou um conjunto de dunas (que representam apenas 3% do total do território). As temperaturas chegam aos 40 graus no verão - e descem a menos 40 no inverno, quando as visitas turísticas são impossíveis.

Sua área, de 1,3 milhão de quilômetros quadrados, equivale aos territórios de Espanha, França e Alemanha juntos. E se estende pelo centro da Ásia, entre a Mongólia e a China.

Parque de diversões

Paisagem tão diversa torna o Gobi um parque de diversões para aventureiros. Longos vales são perfeitos para mountain bike. Escalada é a pedida em paredes de rocha como as Vulture's Gorges, no Parque Gurvan Saikhan. Há dunas e mais dunas para o sandboard.

Lar itinerante

A infraestrutura é quase inexistente. Como opção de hospedagem, alguns poucos ger camps, acampamentos com tendas idênticas às dos nômades que habitam o deserto. A regra geral é contratar um guia-tradutor (nem seria seguro ir por conta própria), alugar um carro 4X4 e lotar o porta-malas com barraca, comida e água. O site mongoliatourism.gov.mn lista operadoras que organizam passeios.

 

 

 

 

Aridez. Considerado o deserto mais seco do mundo, Atacama tem gêiseres e planície de sal

 

 

ATACAMA

Sal, gêiseres e vulcões

Entre albergues simples com preços camaradas para mochileiros e resorts luxuosos, a vila de San Pedro de Atacama se acostumou ao vaivém de turistas. Localizado no norte do Chile, o Atacama é considerado o deserto mais seco do mundo. Entre as principais atrações, o Vulcão Licancabur, visível da vila, e o Salar de Tara, planície coberta de sal. Informações: http://www.sanpedroatacama.com/

Fumacê

Outra das atrações mais concorridas está localizada a uma altura de mais de 4.300 metros. Os gêiseres el Tatio ficam em um campo geotérmico com mais de 500 aberturas naturais expelindo fumaça na atmosfera.

Ver estrelas

A ausência de nuvens faz do Atacama um dos melhores pontos do mundo para observar a Via Láctea. Astrônomos profissionais se acotovelam para estudos. Amadores aproveitam miniobservatórios de hotéis como o Larache

 

 

OUTBACK

No coração da Austrália

Chegar ao coração da Austrália não é missão das mais fáceis - muito menos barata. As longas distâncias encarecem os pacotes que levam a Uluru (ou Ayers Rock), a principal atração do Outback, imenso deserto que ocupa 80% do país. Mais: www.enviroment.gov.au/parks/uluru

Sagrado

O monólito gigante que dá nome ao Parque Nacional australiano é sagrado para os aborígines. Por isso, há regras rígidas para os turistas, que devem caminhar apenas pelas trilhas. Há lugares onde a entrada é proibida.

Muitos tons

Além das trilhas, os principais tours são os que levam os visitantes a apreciar as variações de cor em Uluru durante o nascer e o pôr do sol. Subir no monólito não é proibido, mas os visitantes são desencorajados a fazê-lo por razões ambientais e culturais.

 

 

Outback. Deserto ocupa 80% da Austrália e abriga monólito sagrado para aborígenes

 

 

 

MOJAVE

Ótima infraestrutura e belas paisagens

A floresta de Joshua Trees (ou árvores de Josué, típicas da região), única no planeta, disputa a atenção dos viajantes com as Dunas de Kelso dentro da Área de Preservação do Mojave. Trata-se do terceiro maior parque dos Estados Unidos, com exceção do Alasca.

Além de repleto de atrações, o Mojave tem boa infraestrutura turística. A começar pelo site mais do que competente, o nps.gov/moja, com todas as informações para organizar a viagem. Uma boa ideia é começar pelo reformado Kelso Dunes Visitors Center.

 

À vontade

Em raros desertos o turista pode se dar ao luxo de viajar por conta própria. Pois o Mojave é ideal para independentes. As estradas são bem marcadas e sinalizadas. Mas, com exceção das rodovias principais, não têm asfalto (senão, qual seria a graça?). Há vários campings.

 

A pé, a cavalo

Trekking e cavalgada são as principais atividades no Mojave. A caça esportiva, para quem faz mesmo questão, é permitida. Desde que se tenha uma licença específica emitida pelo Estado da Califórnia. Informações: dfg.ca.gov/regulations

 

 

NAMÍBIA

Sossusvlei

Antes de chegar às Dunas de Sossusvlei, no Naukluft Park, são seis horas de carro a partir da capital, Windhoek, onde descem os aviões vindos de Johannesburgo, na vizinha África do Sul. As montanhas de areia são o cartão-postal do país e se transformam a cada instante - o deserto ocupa 70% do território da Namíbia. Conforme o sol desponta no céu e esbarra em nuvens estáticas, elas assumem diferentes recortes, ganham movimento, contornos e mudam de cor. Caranguejos e escaravelhos azuis surgem em meio às pegadas na areia e de qualquer ponto, a panorâmica é impressionante.

Deadvlei

Nem mesmo a brisa rompe o silêncio desse vale morto - que só se alcança depois de caminhar 2 quilômetros debaixo do sol forte. Mas a visão da natureza petrificada vale o esforço. O branco do chão, o preto dos troncos retorcidos, o laranja das dunas ao redor. Aproveite o tempo andando entre as acácias mortas e sentindo a energia local. No trajeto de volta, prepare-se para mais cenários de tirar o fôlego, agora com o sol mais baixo.

 

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