De volta à era do gelo

Andar entre paredões de gelo eterno que passam os 20 metros de altura já me parecia bastante emocionante nos folders que anunciavam o passeio pela geleira Fox Glacier. Imagine então em um dia de chuva e vento forte.

O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2012 | 03h11

Agendei a aventura no dia anterior na minúscula cidade homônima. Sair do conforto da cama quente às 7 horas, para estar às 8 horas no local combinado com condições climáticas tão desfavoráveis era tarefa para poucos. Um desafio quase tão grande quanto o próprio passeio...

Ainda assim, todos estavam bem dispostos para encarar a aventura na chegada à base da expedição. Logo o grupo recebe as instruções básicas dos divertidos guias, que ajudam a "quebrar o gelo" (com o perdão do trocadilho) entre os participantes. Antes de sair, é preciso vestir as roupas especiais, sempre em camadas. Calça, jaqueta, luvas, gorro, bota e, encaixado nelas, ganchos de aço para conseguir caminhar por cerca de cinco horas sobre o gelo liso.

A chuva aperta quando entramos no ônibus, e começo a me perguntar como será possível realizar a caminhada nessas condições. Melhor nem pensar. O veículo, um valente modelo dos anos 1960, cruza as montanhas até a entrada do Fox Glacier, às margens do Rio Fox.

Ali, os turistas são divididos em grupos de no máximo dez pessoas antes de começar a caminhada. No começo, as botas pesam demais e coordenar os movimentos exige alguma paciência. Mas dá para pegar o jeito logo - e tudo se transforma em diversão.

Os caminhantes então seguem em fila indiana pelas montanhas. O guia explica que alguns lugares nunca foram pisados pelo homem - as empresas que operam os passeios só podem explorar algumas trilhas, já delimitadas, para que não haja danos ao meio ambiente.

A chuva e o vento não dão trégua - fotografar se torna uma missão complicada. Mas é impossível não registrar o momento em que o grupo passa por entre dois paredões altíssimos. A fenda se estreita tanto em alguns trechos que é preciso andar de lado.

Depois da travessia, uma surpresa. O guia saca da mochila uma barraca, grande o suficiente para acomodar todo o grupo. Ali, ele oferece uma bem-vinda caneca de café com leite quente e o lanche mais gelado que já comi na vida, composto de sanduíche, chocolate e frutas.

Enquanto nos mantemos abrigados, o guia sai da barraca e volta, momentos depois, avisando que o passeio teria de ser abreviado em razão das péssimas condições climáticas. Ninguém duvida. Nosso velho ônibus parece agora o lugar mais confortável do mundo.

De volta à base, encharcados até a alma, recebemos um certificado onde se lê que o turista "visitou o poderoso Fox Glacier, enfrentou as inclemências do clima de South Westland e ainda aguentou o papo maluco dos guias", numa clara amostra do humor kiwi. Uma foto das geleiras ilustra o diploma, num lindo dia de céu azul que não apareceu para nós.

Para quem prefere economizar adrenalina, Franz Josef, distante dez minutos de Fox Glacier, tem opções mais tranquilas. Há várias casas termais, com piscinas aquecidas naturalmente - um alívio em meio a tanto frio.

Franz Josef é um pouco maior que Fox Glacier, mas ambas as cidades têm boa infraestrutura turística, com opções de hospedagem, supermercado e lojinhas de souvenir. Uma dica para quem ficar em Fox Glacier é ir, a pé ou de bicicleta, até o belíssimo Lago Matheson, a 6 quilômetros do centro. Em Franz Josef também há opções de sobrevoos e paraquedismo. Mais: glaciercountry.co.nz. / T.Q.

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