Mônica Nobrega/Estadão
Mônica Nobrega/Estadão

Degustar estrelas

Seis estrelas Michelin são suficientes para empanturrar um viajante durante quatro dias. Tantos couverts, entradas, pratos e pratinhos, menus-degustação, sobremesas e cafés e petit fours, provados em quatro restaurantes premiados, pedem horas de atividade do maxilar e um apetite elástico. Ao menos era inverno, a estação da gulodice. Precisamente, o comecinho do inverno europeu, quando passei quatro dias na província francesa de Rhônes-Alpes para tal maratona gastronômica.

MÔNICA NOBREGA / MEGÈVE, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2013 | 07h16

Rhônes-Alpes é a terceira região mais reconhecida pelo Guia Michelin na França. São 50 estrelas no total, atrás de Île-de-France (onde está Paris, com 70) e da dobradinha Provença/Côte D'Azur (65). Fica lá o único restaurante que recebeu a terceira estrela em 2012, o Flocons de Sel (leia na página 9).

À parte da constelação, há que se considerar também chocolates, queijos, iogurtes, vinhos, doces, todas as calorias produzidas nos arredores dos restaurantes estrelados, degustadas e vendidas em lojinhas que são delicadas cabanas alpinas nas montanhas nevadas. Ou em mercados urbanos - o de Lyon é dedicado ao chef-celebridade Paul Bocuse, que nasceu, fez fama e mora lá.

A leste da região, na parte que faz fronteira com a Suíça, as montanhas e vilas encravadas nos Alpes lembram... a Suíça. Mais para oeste, Lyon tem vibração de cidade grande, algum caos urbano e um centro histórico que, além de patrimônio da Unesco, é delicioso para caminhar e comprar coisinhas. Ao norte, a região vinícola de Beaujolais produz o polêmico Beaujolais Nouveau e outras 12 denominações bem aceitas e muito mais interessantes. E sobram por ali castelos de famílias centenárias que viraram hotéis pequeninos entre vinhedos, numerosamente abertos à visitação.

Nessa viagem dedicada sobretudo ao paladar, há que se considerar as paisagens como molduras luxuosas para mesas fartas. Desfrutá-las nos intervalos entre uma refeição e o próximo lanchinho. Um city tour a pé aqui, um sobrevoo ali, o minicruzeiro em um lago cercado de montanhas mais adiante, algo de arquitetura medieval. Pitadas de história para alimentar o espírito. Porque o corpo - aquela calça reservada para o jantar do terceiro dia vai acusar na leve resistência do botão em ser fechado -, o corpo estará todo o tempo muito bem alimentado.

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