Mônica Nóbrega/Estadão
Mônica Nóbrega/Estadão

Degustar o Alentejo: roteiro com vinhos, restaurantes e história

Boa infraestrutura turística e localização central e próxima a Lisboa tornam Évora a base perfeita para explorar as estradas e adegas desta porção sul do país

Mônica Nóbrega, O Estado de S. Paulo

09 Maio 2017 | 05h00

ÉVORA - As planas estradas do Alentejo desenham curvas suaves em meio a campos plantados de sobreiros e azinheiras. Ambas as árvores são fundamentais na economia local. Da primeira é extraída a cortiça, de que a região é a principal produtora no mundo, e a segunda dá a bolota, um tipo de castanha que alimenta o porco preto e deixa a carne do animal ainda mais tenra e saborosa. Só umas poucas colinas baixas, chamadas ali de montes, ondulam a linha do horizonte, recobertas pelas videiras responsáveis por outro produto fundamental na região: o vinho. 

Foi exatamente para conhecer a produção do vinho alentejano e as opções que ela oferece ao turismo que passei quatro dias na região, no fim do outono europeu. Com o inverno próximo, os parreirais começavam a enferrujar suas folhas e caminhar para o estado de dormência. Nas adegas, que é como Portugal chama os galpões industriais onde se faz o vinho, as uvas da safra 2016 começavam o processo de vinificação. Enquanto isso, garrafas de 2015 chegavam às lojas e mesas.

Beber, comer e contemplar é o que se faz mais e melhor no Alentejo. As paisagens são largas; as cidades, pequenas, com construções ora medievais, de pedra, ora caiadas, formando quarteirões de casas brancas com telhados avermelhados. Os conventos chegaram a somar 48 no século 19. Sobraram 22, e alguns dos prédios desativados para fins religiosos hoje são hotéis imersos em um charme histórico inspirador. Charmosos são também os hotéis que ficam dentro das fazendas, aqui chamadas de herdades, que costumam ter poucos quartos e colocam o hóspede para dormir entre vinhedos. 

A cultura do vinho no Alentejo é milenar, mas sofreu altos e baixos ao longo de sua história. No século 17, a produção local foi prejudicada pela decisão do Marquês de Pombal de proteger os vinhos do Douro, no norte do país. Mais tarde, o governo do ditador Salazar, nas décadas de 1930 a 1960, decidiu que as terras alentejanas deveriam produzir cereais, o que levou ao extermínio da maior parte dos vinhedos. Por isso, vinhas antigas são raras – e quem as tem, como a Herdade do Rocim, onde vinhedos sobreviventes têm de 50 a 60 anos, divulga e cria rótulos especiais a partir delas.

As primeiras Denominações de Origem Controlada (DOC), ou seja, certificados que atestam a qualidade do vinho e sua produção de acordo com certos parâmetros, foram regulamentadas em 1988: completam três décadas de existência no ano que vem. Existe ainda o selo Vinho Regional Alentejano, uma categoria mais abrangente que a DOC.

Hoje, são cerca de 260 produtores de vinho nesta que é a maior região de Portugal, ocupando um terço do território continental do país. Estão espalhados pelos distritos de Portalegre, mais ao norte, Beja, ao sul, e Évora, ótima para se hospedar por causa de sua localização central. É preciso alugar carro para desbravar estas estradas, ou contratar serviços privados de transporte caso a ideia seja apreciar as degustações sem moderação. 

A cidade de Évora, a apenas 140 quilômetros de Lisboa, ganha pontos também pelos ótimos restaurantes que tem. A cozinha alentejana é farta e natural. Queijos e embutidos, chamados localmente de enchidos, aspargo, grão-de-bico, o já citado porco preto e o azeite de oliva são ingredientes locais tão importantes quanto os campos, os sobreiros, as azinheiras e o próprio vinho na composição do terroir alentejano.

 

SAIBA MAIS

1. Aéreo: a TAP voa direto São Paulo–Lisboa–São Paulo, com tarifas que começam em R$ 4.434. 

2. Carro: para alugar, faça a pesquisa no site oficial do aeroporto de Lisboa, que compara preços de várias locadoras que têm lojas no terminal. Há modelos básicos desde 38,80 euros a diária.

3. Transporte terrestre: a Babika tem tanto passeios pré-formatados quanto o serviço de transporte personalizado, desde 80 euros para meio dia de transfer, e 130 euros o dia inteiro. Contatos: 351-916-941-601; babikamail@sapo.pt. Para grupos de mais de 7 pessoas, procure a Viagens Rainha Santa Isabel

4. Site: a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana reúne informações sobre vinhos e enoturismo no site vinhosdoalentejo.pt

ONDE FICAR

Casa do Escritor. Este cama e café familiar é impecável. Tem três quartos duplos com decoração de bom gosto e banheiro privativo, e conta com uma gostosa piscina no quintal. Fica a 5 minutos de caminhada da Praça do Giraldo, a principal de Évora. Diárias desde 75 euros.

Pousada dos Lóios. Também chamada de Pousada Convento de Évora, ocupa o prédio do antigo Mosteiro de São João Evangelista ou dos Lóios, fundado no fim do século 15, em 1487. Está em frente ao Templo de Diana, em um trecho elevado do centro histórico, com vista ampla. Os quartos eram as antigas celas dos monges e são quase todos diferentes entre si. O café da manhã é servido em um dos claustros, transformado em um pomar de laranjas e mexericas. Desde 100 euros.

Convento do Espinheiro. Antigo convento fundado no século 15, é monumento nacional. Fica a 10 minutos de carro do centro de Évora, com parte dos seus 92 quartos voltados para o também histórico Mosteiro da Cartuxa. O restaurante onde é servido o café da manhã é a antiga adega do convento; o bar de vinhos, a cisterna. O Pulpitus Bar tem mesa de sinuca. E a capela ainda serve a funções religiosas – inclusive casamentos. Diárias desde 166 euros. 

*A repórter viajou a convite da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana.  

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Mônica Nóbrega, O Estado de S. Paulo

09 Maio 2017 | 04h30

ÉVORA - Teve pastel de nata e queijada, dois típicos doces conventuais, logo no primeiro café da manhã em Évora. Muito adequado para o ambiente: o restaurante da Pousada dos Lóios distribui suas mesas pelo claustro do antigo Mosteiro de São João Evangelista, transformado em hotel e elevado à condição de monumento nacional. 

Por esta e outras relíquias do centro histórico, Évora é Patrimônio Mundial da Unesco. Uma cidade-museu protegida por muralhas e por onde passa o Aqueduto da Água da Prata, da primeira metade do século 16. Que preserva, em meio à arquitetura medieval portuguesa, um templo romano do século 1.º, o Templo de Diana. E onde é possível ver diante da principal igreja católica, a Catedral de Nossa Senhora da Assunção, o ramo de oliveira, a cruz e a espada que formam o brasão da Inquisição, esculpido na parede de uma casa.

A Praça do Giraldo é o marco zero de Évora e endereço do centro de informações turísticas. As ruas têm calçamento de pedras, e algumas são tão estreitas que certos modelos de carros não passam. Residências são identificáveis pelos varais de roupas pendurados fora das janelas. Muitos imóveis são ocupados por lojas e restaurantes. 

Na Igreja de São Francisco, a Capela dos Ossos tem 5 mil crânios incrustados nas paredes, fora os demais ossos humanos, formando um dos pontos turísticos mais visitados da cidade. Os monges que criaram o lugar ainda acharam que a ideia precisava de legenda, e assim, sobre a entrada, colocaram a inscrição “nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”. Sobra para os guias de turismo tirarem a má impressão, com a informação de que o objetivo da capela é lembrar a fragilidade da vida. É uma tentativa. 

 

Bebe-se. A Adega Ervideira tem uma herdade a 30 quilômetros do centro de Évora. Mas é possível degustar seus vinhos no centro histórico, na loja da marca. A Ervideira foi a primeira adega a fazer espumantes no Alentejo. Tem um vinho branco, o Invisível, que é absolutamente transparente, mas todo feito com uvas tintas. E outro, o Conde d’Ervideira, tinto, cujo envelhecimento em garrafa é feito em uma represa, a uma profundidade de 30 metros, por 8 meses. Duarte Leal da Costa, proprietário, é quem conta as histórias. O povo do vinho pode ser cheio de manias, afinal. 

A 2 quilômetros do centro de Évora fica Quinta de Valbom, extensão do Mosteiro da Cartuxa, onde se produz um dos vinhos portugueses mais conhecidos no Brasil. Trata-se do conceituado Pêra-Manca tinto, feito com as uvas aragonez e trincadeira, apenas nos anos de safra excepcional. No Brasil, uma garrafa de 2011 custa mais de R$ 2 mil.

A Cartuxa é uma marca da Fundação Eugenio de Almeida, organização social que dedica metade dos lucros a projetos de educação e cultura. Além dos vinhos, a fundação produz cortiça, legumes, cereais e azeite.

Uma das etapas da visita turística, feita no prédio de 1580, consiste em treinar o olfato para perceber a complexidade dos aromas do vinho, por meio de essências aplicadas em tiras de papel, como se faz com perfumes. Visitas custam de  5 euros a 30 euros por pessoa e incluem degustação – sem Pêra-Manca tinto, claro. 

Come-se. O restaurante Piparoza (Alcarcova de Baixo, 23; 351-266-709-517) é um salãozinho com menos de dez mesas onde nenhuma entrada custa mais de 7 euros e o prato principal mais caro sai por 20 euros. O cardápio enxuto tem pataniscas de bacalhau, que são uns bolinhos achatados e fritos, e arroz de pato. A carta de vinhos é uma das poucas em Évora que oferecem rótulos de outras nacionalidades. Mas precisa? 

No excelente Fialho, decorado com prêmios, diplomas, pratos, garrafas e várias outras quinquilharias, além de provar a sopa de cação com coentro – cação de coentrada –, foi possível experimentar o tinto Herdade Perdigão Reserva 2014.

MAIS SOBRE VINHOS

1. Nativas

Portugal tem cerca de 300 castas de uvas autóctones, ou seja, nativas – ou indígenas, como são chamadas no país. A touriga nacional, considerada a mais portuguesa das uvas, também é largamente cultivada no Alentejo.

2. Da gema 

Mas as uvas alentejanas da gema são as brancas antão vaz, roupeiro e arinto, e as tintas aragonez, trincadeira e alicante bouschet.

3. DOC 

São oito as Denominações de Origem Controlada (DOC) regulamentadas para o vinho alentejano: Borba, Évora, Granja-Amareleja, Moura, Portalegre, Redondo, Reguengos e Vidigueira.

4.  Preços 

Em Portugal, há vinhos de boa qualidade por 5 euros. Bons vinhos custam até 10 euros, e os excelentes, até 20 euros. A dica é de Isabel Bastos, da Quinta Dona Maria. 

5. Regional 

As garrafas também podem receber o selo de Vinho Regional Alentejano, categoria menos rígida em relação às castas admitidas nos cortes, que permitiu a certificação de produtores além das oito sub-regiões.

6. Consumo 

O Alentejo consome localmente quase metade do vinho que produz: 44,7% são bebidos na própria região. Fora da União Europeia, o Brasil é o segundo maior consumidor de vinhos do Alentejo no mundo, atrás de Angola.

7. Free shop 

Não deixe para comprar vinhos no aeroporto de Lisboa. A falta de variedade é decepcionante; apesar disso, os preços pouco diferem dos das adegas. Vale para presentes de última hora.

 

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Mônica Nóbrega, O Estado de S. Paulo

09 Maio 2017 | 04h30

VIDIGUEIRA - Em um salão envidraçado inundado de luz natural estão seis ânforas de barro, bojudas e com mais de 2 metros de altura. Cada um desses recipientes acumula de 200 a 300 anos de existência desde sua confecção, ninguém sabe ao certo. São chamados de talhas e servem para fazer vinho: o vinho de talha, que é o vinho alentejano de raiz. 

A Herdade do Rocim, adega inaugurada em 2007 perto da cidade de Vidigueira e que produz entre 400 mil e 450 mil litros de vinho por ano, é uma das vinícolas alentejanas que estão promovendo uma resgate do vinho de talha como produto com apelo comercial. Tanto que produtores promovem uma verdadeira caça às ânforas, porque não há fabricação significativa atual. Os vasos que existem estão espalhados por propriedades rurais, e são centenários. 

A enóloga Vânia Guibarra explica que, neste processo ancestral de vinificação, a interferência do enólogo é quase nula. As uvas maceradas são colocadas na ânfora para fermentar, e a ação humana limita-se a mexer o conteúdo diariamente para facilitar a oxigenação. O Dia de São Martinho, 11 de novembro, é a data oficial para abertura das talhas, segundo a tradição. Coloca-se uma torneira no orifício na base da ânfora e o vinho é extraído por ali, já filtrado pelo bagaço da uva que se depositou no fundo. Está pronto para beber. 

Na degustação que a enóloga conduz no restaurante da adega, o vinho de talha Amphora 2015, feito com as castas antão vaz, rabo de ovelha, perrum e manteúdo, tem um sabor vegetal fresco. É um vinho que pede sal; os enchidos e queijos no centro da mesa começam a desaparecer. 

Vânia Guibarra é boa professora de vinhos do Alentejo. Explica que antão vaz é uva nativa, querida por enólogos, rende vinhos perfumados e bem estruturados. O Olho de Mocho Reserva Branco 2014 é feito apenas com essa casta; com ele vem a entrada, feijão temperado com cardo.

A bochecha de porco preto servida como prato principal está de cortar com a colher. Vem com migas de azeitona – migas são uma receita alentejana, um tipo de purê de pão umedecido – e, no copo, o tinto Rocim Alicante Bouschet 2015. A casta alicante bouschet é outra que está na essência vitivinícola do Alentejo. 

A Herdade do Rocim recebe para visitas guiadas de segunda-feira a sábado. Custa de 5 euros a 50 euros por pessoa. Reserve. 

 

Arte contemporânea. A Quinta do Quetzal quer colocar o Alentejo no circuito de arte contemporânea. Desde setembro de 2016, abriga no prédio industrial e turístico um espaço de exposições. Atualmente, está em cartaz parte da coleção privada da família de proprietários, os holandeses De Bruin-Heijn, donos de uma das maiores coleções privadas de arte contemporânea do planeta. 

Os vinhos somam 200 mil garrafas por ano: o Guadalupe, que não passa por barris de carvalho, e o Quetzal, que tem madeira. A degustação é feita no restaurante, diante da colina-símbolo da marca, com linhas bem definidas de vinhas. Paisagem perfeita, como tudo o mais ali. 

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Mônica Nóbrega, O Estado de S. Paulo

09 Maio 2017 | 04h30

ALBERNOA - Foi a refeição mais gastronômica deste roteiro pelo Alentejo. O menu do restaurante da Herdade da Malhadinha Nova é assinado pelo chef Joachim Koerper, dos restaurantes Eleven de Lisboa e do Rio de Janeiro. Os pratos, claro, são harmonizados com os vinhos da marca – que foram apresentados por Rita, uma das integrantes da família de proprietários da herdade, os Soares. Rita contou histórias curiosas como a de que todos os rótulos dos vinhos da marca trazem desenhos feitos pelas crianças da família.

A sequência teve cinco pratos. O delicioso Malhadinha Rosé 2015 acompanhou foie gras tostado em creme de batata com couve, descrito como uma releitura do caldo verde. A carne de porco preto com pipoca de torresmo mereceu uma degustação dupla de dois tintos Malhadinha: o de 2007, considerado um dos melhores anos para as safras alentejanas, e o de 2013. Ambos feitos com mistura das melhores castas do respectivo ano.

A visita com prova de vinhos custa de 10 euros a 35 euros; o menu degustação no restaurante, harmonizado, de 70 euros a 120 euros.

 

Hotel. Para quem é do design e da modernidade, o hotel da Herdade da Malhadinha Nova é o mais bonito do Alentejo. Ocupa uma construção baixa, que reverbera a atmosfera rural e quase some na paisagem. Tem 20 quartos lindos de cair o queixo. 

Dentro, o piso de lajotas vermelhas e os móveis de madeira pesada lembram fazenda; e se misturam à iluminação e aos objetos de Philippe Starck, Charles & Ray Eames e Mariano Fortuny. A piscina tem vista para vinhedos. E as diárias, uma boa relação custo-benefício para a hotelaria de luxo que o lugar propõe: de 200 euros a 350 euros.

A propriedade, de 450 hectares, conta ainda com áreas preservadas, olivais para a produção de azeites, ruínas do começo do século 20. Tudo para visitar de jipe, de bicicleta, a cavalo, desde que sem pressa, com longas pausas para a contemplação que a herdade propõe. Fique pelo menos duas noites. Site: malhadinhanova.pt

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Mônica Nóbrega, O Estado de S. Paulo

09 Maio 2017 | 04h30

Sentada à cabeceira da mesa posta para seis pessoas – toalha rendada, louça branca de bordas douradas, castiçais de um metro de altura – Isabel Bastos comanda o brinde. Abre, assim, o imponente almoço no salão do palácio do século 18 que, por acaso, é também a sua casa. Nos copos, o vinho branco Dona Maria Amantis 2013. 

Amantis é um intermediário no catálogo de uma dúzia de rótulos da Quinta Dona Maria – Júlio Bastos, vinícola na cidade de Estremoz, 50 quilômetros a nordeste de Évora. A adega é de porte médio, produz 450 mil garrafas por ano. E a graça de visitá-la, para além das degustações, está tanto nas relíquias do passado quanto na intriga amorosa que abrigou. 

Nos primeiros anos do século 18, o então rei de Portugal e Algarves, d. João V, comprou a quinta para dar de presente a Dona Maria, sua amante ou cortesã, como se dizia, por quem estava apaixonado, a despeito de seu casamento oficial com a princesa austríaca Maria Ana de Áustria. Anos depois, em 1752, foi inaugurada na propriedade uma capela consagrada a Nossa Senhora do Carmo, motivo pelo qual o local é também conhecido como Quinta do Carmo. 

Na linda capela começou a visita à vinícola. Há acabamentos em mármores cinza, branco e rosa, todos da região, e azulejos portugueses daqueles mais típicos, brancos e azuis, que compõem painéis com imagens sagradas e de feitos heroicos da realeza.

A quinta produz vinho há cerca de 150 anos. O atual proprietário, Júlio Bastos, faz vinhos comerciais no local desde 1988. Depois de mais de uma década associado a uma grande empresa do ramo, implantou em 2003 uma nova proposta, que fez surgir ali uma adega-butique, de vinhos mais autorais. 

Em um grande galpão ainda são conservados seis antigos lagares de mármore. Estes tanques ainda hoje são usados para a pisa artesanal das uvas recém-colhidas. Tudo está restaurado, e as dependências da adega foram ampliadas para criar novos espaços como a sala de degustações. É nela que Isabel Bastos apresenta nove opções dos vinhos da marca. 

O último deles é o excelente Júlio B. Bastos 2012, um alicante bouschet que leva o nome do pai do proprietário da adega. É o xodó da casa. 

 

Fartura. Isabel, naquele dia, almoçou também. A dona da casa guia pessoalmente todos os grupos que visitam a propriedade – por isso, não há como ir sem agendamento. “Às vezes, peço desculpas e não como, senão são muitas refeições num dia só”, contou. 

O almoço foi farto, de acordo com o costume alentejano. A sopa de tomates com ovo de gema mole da entrada veio em porção suficiente para ser, sozinha, uma refeição. Em seguida, o folhado de queijo de cabra com mel e amêndoas foi servido com o tinto Dona Maria Amantis Reserva 2013. Sobre os tintos, a anfitriã reproduziu o comentário de Júlio Bastos, seu marido. “A safra de 2015 foi a melhor da vida dele.” As garrafas da “melhor safra da vida”, no entanto, devem ser vendidas só a partir de 2018. 

O prato principal, lombo de bacalhau com couve portuguesa e batatas foi devorado mais por vontade do que por fome, na companhia do tinto Dona Maria Grande Reserva 2011. Para encerrar, ainda foi apresentada uma mesa com quantidade exagerada de doces portugueses, frutas e queijos regionais. 

Antes de se despedir, Isabel mostrou o jardim nos fundos do terreno. Caminha-se entre palmeiras de mais de um século e árvores frutíferas para chegar a um gazebo com bancos e, por último, ao antigo tanque que armazenava água para a rega – agora usado como piscina. A visita guiada com almoço custa 140 euros por pessoa: donamaria.pt.

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