Deixe para comprar os galinhos em Barcelos

Ali a lenda ganha vida e o souvenir mais famoso do país, ótimas versões

Rosangela Dolis, O Estado de S.Paulo

24 Junho 2008 | 03h04

Certamente você já viu um deles enfeitando a casa de algum amigo. Feitos de cerâmica e multicoloridos, os galinhos de Barcelos são a lembrança mais popular entre os turistas que voltam de Portugal. Dizem que o objeto traz sorte, desde que tenha sido um presente. A tradição espalhou-se de tal forma que é possível comprar os galinhos em qualquer parte do país, mas o charme é mesmo fazer a aquisição em Barcelos. Ali eles custam menos ( 3,50 ou R$ 8,75 o médio) e são mais variados. Uma lenda medieval explica a origem dos galinhos. Os habitantes da vila andavam assustados com um crime de autoria desconhecida, quando chegou por ali um peregrino, que logo se tornou o principal suspeito. Ele foi preso, mas disse que estava de passagem, a caminho de Santiago de Compostela, e jurou inocência. Ninguém acreditou e o homem acabou sendo condenado à forca. Ele fez um último pedido: ser levado diante do juiz que o condenara. Na casa do juiz era oferecido um jantar a amigos. Para espanto de todos, o peregrino apontou para o galo assado que estava sobre a mesa, dizendo: ''É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem''. Todos riram, mas, pelo sim, pelo não, ninguém quis comer o galo. Assim que o homem começou a ser enforcado, o galo assado na casa do juiz ergueu-se na mesa e cantou. O peregrino foi salvo e autorizado a seguir seu caminho. DO COMEÇO Passados alguns anos, o homem voltou a Barcelos e mandou erguer o Cruzeiro do Galo, em louvor a São Tiago e a Nossa Senhora. Assim, para explorar a lenda, a sugestão é começar pelo cruzeiro, localizado no Museu Arqueológico ao ar livre, às margens do Rio Cávado. Aproveite que está na região para visitar a Câmara Municipal, resultado da recuperação de várias construções antigas - uma delas, o Hospital do Espírito Santo, que no século 15 serviu de posto de assistência aos peregrinos com destino a Santiago de Compostela, na Espanha. Na mesma área estão o Solar Medieval dos Pinheiros, senhores da vila em 1448, a Igreja Matriz, do século 14, e o pelourinho. Dali se avista também a ponte gótica medieval, do século 14, que leva a Barcelinhos. Qualquer uma das ruazinhas que saem do Paço vai dar no centro, onde vale visitar o Centro de Artesanato de Barcelos, na torre do Largo da Porta Nova, para ver uma infinidade de tipos de galos em cerâmica - embora o galo de Barcelos tenha crista vermelho-sangue e o corpo negro com corações vermelhos e miçangas multicoloridas, há uma variedade de padrões adotados pelos artesãos. Ali, a Porta Nova é a única torre que sobrou do conjunto de três que compunha a muralha do século 15. Foi usada como cadeia do século 17 até 1932. MAIS ARTESANATO No fim da Avenida Liberdade, ainda no centro de Barcelos, vale uma visita à Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço. Suas paredes são cobertas por painéis de azulejos azuis e brancos, datados de 1713, que relatam cenas da vida de São Bento. Curiosa é também a peça para a oferta de ovos: para que eles não se quebrem, o repositório contém água, de modo que os ovos descem flutuando e se depositam no fundo, inteiros. Por fim, as compras. Os galos são apenas um das tradições artesanais de Barcelos. A cidade tem seis rotas do tipo: da olaria, do figurado (em que se incluem os galos coloridos), dos bordados e tecelagem, da madeira, da cestaria e do vime e do ferro e outros metais. Museu Arqueológico: Paço dos Condes; grátis Mais Informações: www.cm-barcelos.pt

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