Deixe-se enganar pelo centro 'antigo' de Dresden

Bombardeada na 2.ª Guerra, cidade reconstruiu seus prédios mantendo o estilo arquitetônico

Humberto Maia Junior, O Estado de S.Paulo

27 Janeiro 2009 | 01h32

A arquitetura barroca de Dresden, na Alemanha, pode enganar o visitante desavisado. Um dos prédios mais antigos do centro é a Kulturpalast, casa de concertos de música clássica erguida em 1969 pelo então governo comunista. Ali por perto, há prédios que parecem ter quase 300 anos, mas que foram construídos em... 2005.     Passeio pelo rio, de dia ou no fim da tarde, garante bons cliques   Veja também: Encanto de velhos e novos mestres Reconstruídos, melhor dizendo. Na noite de 13 de fevereiro de 1945, a capital do Estado da Saxônia foi alvejada pelas tropas aliadas durante a 2ª Guerra Mundial. Os 1.300 bombardeios causaram a destruição quase total da cidade, especialmente na área da Altstadt (Cidade Velha). Após a reunificação do país, Dresden recebeu investimentos para reerguer seu centro histórico, no estilo original. Missão completada com êxito: sem um guia, você poderia jurar que ela faz parte daquele grupo de cidades europeias de arquitetura clássica, como Praga, Paris e Budapeste. A Neumarkt, por exemplo, lembra muito a Staromestké Nám (Praça da Cidade Velha) de Praga. A praça é cercada por vários prédios coloridos, que parecem reverenciar a Frauenkirche, igreja em estilo barroco construída entre 1726 e 1743, que ruiu dias após o bombardeio. Em 1993 começaram os trabalhos de reconstrução e, desde 2005, seu domo, a 95 metros do solo, voltou a dominar a silhueta da cidade. Na Theaterplatz, a Praça do Teatro, mais ícones reconstruídos. Ao redor da estátua do rei saxão João ficam a catedral católica Hofkirche e o Sächsische Staatoper, o prédio da Ópera Estadual da Cidade, também chamado de Semperoper. As duas construções foram reerguidas na década de 1980. Em estilo neorrenascentista, o Semperoper é um marco para a cidade. O local foi palco de lançamentos históricos como a ópera Tannhäuser, de Richard Wagner, em 1845. A maior atração da Theaterplatz é também o edifício mais grandioso de Desden, o Zwinger. Construído por ordem do príncipe Augusto, o Grande, em 1732, o Zwinger foi palco para os grandes bailes e festas da época. Seus becos foram testemunhas dos encontros amorosos do monarca, que governou Dresden entre os séculos 17 e 18. Hoje, abriga vários museus (leia mais aqui). Outro marco da arquitetura neorrenascentista é o Albertinum, o antigo arsenal real. O local também foi transformado em três museus, entre eles a Galerie Neue Meister (Galeria dos Novos Mestres), com pinturas de artistas alemães e de outros países da Europa. Cartão-postal Um passeio pelo Rio Elba, que corta a cidade, certamente vai garantir alguns de seus melhore cliques. Num dia de céu azul ou no pôr-do-sol, não é preciso dominar técnicas de fotografia para conseguir uma imagem igual às dos cartões-postais vendidos nas lojinhas. Às margens do rio, moradores da cidade caminham, pedalam ou relaxam num piquenique nos meses mais quentes, de junho a setembro. O clima agradável e a bela paisagem deram à Dresden o título de Florença do Elba. Um pouco mais afastada do centro está a Blaues Wunder, ou Maravilha Azul, ponte pênsil de 141 metros de comprimento que leva até Loschwitz, região de colinas, pequenas vilas e palácios. Ao redor de Dresden há muito verde. O vale do Elba tem belas montanhas, que renderam à região o apelido de Saxônia Suíça. Quando a noite cai, Dresden revela uma aura vibrante. Na Cidade Nova (Neustadt), poupada dos bombardeios, há vários bares, pubs, cafés e clubes. Uma curiosidade: a área ganhou tal nome por ter sido construída em 1685. Muito antes, portanto, da atual Altstadt. O ressurgimento  Depois de décadas separada pelos regimes comunista e capitalista, a Alemanha estava unificada em 1990. Em Dresden, 14 pessoas, lideradas por Ludwig Güttler, criaram uma sociedade para ajudar na reconstrução da Frauenkirche. Engenheiros e arquitetos trabalharam na missão, que marcou o ressurgimento da cidade. O objetivo era usar a igreja para superar as lembranças da noite de 13 de fevereiro de 1945, quando Inglaterra e Estados Unidos iniciaram um bombardeio - foram 4 mil toneladas de bombas em dois dias, o suficiente para devastar toda Altstadt (Cidade Velha). O ataque, a 12 semanas do fim da guerra, causou controvérsia. Os aliados se justificaram dizendo que Dresden era um importante alvo militar - e caminho para o assalto à capital, Berlim. Para os críticos, a cidade era apenas um centro cultural nada estratégico. Décadas após a tragédia, o pragmatismo alemão ordenava que as polêmicas fossem esquecidas e os esforços, direcionados para a reconstrução da cidade. Governo e sociedade civil se uniram na tarefa. O marco foi a Frauenkirche. A sociedade criada por Güttler atraiu 5 mil membros. Graças às doações, as obras começaram em 1993. Günter Blobel, sobrevivente da guerra e vencedor do Prêmio Nobel de Medicina de 1999, doou o prêmio de US$ 1 milhão. Pinturas e fotografias antigas ajudaram a recriar a igreja. Ao custo de 180 milhões, Dresden pôde inaugurá-la em 2005, a tempo das comemorações de seus 800 anos, no ano seguinte.   Viagem feita a convite do Centro de Turismo Alemão, da Leading Hotels of the World e da TAM

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