DANIEL RODRIGUES | NYT
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Deliciosas diferenças entre vizinhos

Divididos pela Rua da Misericórdia, o baladeiro Bairro Alto e o chique Chiado têm, cada qual a seu modo, atrativos de sobra

Seth Sherwood / LISBOA / THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2015 | 17h19

Caminhar pela Rua da Misericórdia, em Lisboa, é passear pela estreita fronteira que separa o Bairro Alto e o Chiado, dois mundos muito diferentes no coração da capital portuguesa. Na direção oeste, o boêmio Bairro Alto guarda, entre suas paredes grafitadas, lojas vintage, restaurantezinhos escondidos, bares, tascas e música ao vivo, onde multidões barulhentas enchem as ruas até altas horas.

Com entrada livre, o Carpe Diem Arte e Pesquisa (carpe.pt) faz você mergulhar em uma mansão do século 1916 gloriosamente desbotada, cujo labirinto de salas aristocráticas tem escadarias, enormes lareiras, painéis com os tradicionais azulejos azuis e tetos de gesso esculpidos.

Os espaços funcionam como galerias para exposições diversas e criações exclusivas, feitas por um elenco rotativo de artistas contemporâneos internacionais, que já incluiu o pintor camaronês Barthélémy Toguo, o provocador Adrian Paci, da Albânia (que coloca o cotidiano em paradoxo com situações irreais) e a portuguesa Gabriela Albergaria, conhecida por suas instalações compostas por uma única árvore.

Limitado no conforto físico, mas transbordando de comida tradicional portuguesa, o restaurante Antigo 1.° de Maio (Rua da Atalaia, 8) vem atraindo gerações para o pequeno espaço cheio de referências ao folclore português, com mesas de toalha xadrez e azulejos pintados. As porções são abundantes do início ao fim, começando com aperitivos como escargot ou melão com presunto cru, passando pelos tira-gostos de lombo de porco grelhado e sardinhas assadas. Para terminar, uma onda de doces irresistíveis, incluindo pudim de ovos e mousse de manga. Uma refeição com três pratos para dois custa cerca de 40 euros.

Para a digestão, tente uma dose de ginja (4 euros), o típico licor português de cereja, nas tascas igualmente pequenas, rústicas e lotadas de garrafas e quinquilharias. Um bom exemplo é a Tasca do Chico (Rua do Diário de Notícias, 39), onde é provável encontrar alguma celebridade brasileira. O bar é um dos inúmeros refúgios de fado que deram fama ao Bairro Alto e onde estrelas como Raquel Tavares e Mariza são conhecidas por fazer aparições-surpresa – e, de quebra, dar uma canja. O melhor: sem precisar pagar nada a mais por isso.

Linha imaginária. O dinheiro extra será útil ao chegar no Chiado, a leste da Rua da Misericórdia, que acena com butiques refinadas, empórios de design, igrejas centenárias, teatros históricos e um verdadeiro palácio de artigos gastronômicos.

Que tal servir um jantar em um prato decorado com homens meio unicórnio e mulheres com corpo de zebra brincando em um jardim de borboletas e libélulas? A Vista Alegre (vistaalegreatlantis.com), fábrica portuguesa de porcelana de alta qualidade, cerâmica e cristais desde o século 19, apresenta uma linha de louça criada pelo designer de moda francês Christian Lacroix. Criaturas míticas e outros seres exóticos da fauna e da flora animam a série, de pratos de sobremesa (¤ 29) a bules (¤ 180).

Ou deixe o Belcanto (belcanto.pt) servir você. O restaurante, com décadas de história, foi reaberto em 2012 pelo chef português José Avillez e tem duas estrelas Michelin – trata-se do único restaurante em Lisboa com tal avaliação. Centrado na cozinha portuguesa contemporânea, o menu à la carte pode apresentar leitão com laranja e batata, rabada com purê de alho ou robalo com algas e mariscos. Menu-degustação a partir de 125 euros.

Para um panorama noturno da cidade, veja a capital brilhar do terraço do bar do Hotel do Chiado (hoteldochiado.pt), projetado em parte pelo arquiteto português Álvaro Siza Vieira, ganhador do prêmio Pritzker (o Oscar da arquitetura). Com um mojito de vinho do porto (¤ 11) ou o espirtuoso drinque Amantes do Chiado (vodca, leite de coco, creme de cacau e pimenta, por ¤ 10) em mãos, você pode ver a muralha do Castelo de São Jorge, o Rio Tejo fluindo em direção ao Atlântico e o resto da acessível, dourada e convidativa Lisboa.

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