Denver Inesperada (e inspiradora) paisagem alpina

Nas melhores canções de rock - que não por acaso são as melhores músicas para se ouvir ao volante -, há um momento em que todas as engrenagens funcionam juntas: uma pausa logo antes do refrão, quando todo o universo parece se expandir por um brevíssimo momento, fazendo sentir um arrepio no couro cabeludo e levitar um milímetro na direção da eternidade.

O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2012 | 03h09

A Highway 285, no Colorado, atinge esse auge ao chegar em Kenosha Pass quando, depois de 105 quilômetros pelas montanhas numa sinuosa pista dupla que parte de Denver rumo ao sudoeste, chegamos a uma curva e, sem aviso, desembocamos na vastidão do South Park Valley.

O golpe emocional e psicológico causado por South Park não tem igual: 2.330 quilômetros quadrados de beleza alpina (a 2.700 metros de altitude ou mais) quase desprovida de árvores, cercados por montanhas ainda mais altas que nunca perdem sua cobertura nevada.

O poeta Walt Whitman parou em Kenosha durante uma viagem ao oeste em 1879. "Todo o mundo do oeste é, num certo sentido, apenas um prolongamento dessas montanhas", escreveu em seu diário durante uma pausa para contemplar o vale.

Décadas antes dos primeiros acordes do rock, as palavras de Whitman fizeram o couro cabeludo arrepiar num estado ampliado de consciência. / ADAM NAGOURNEY, NYT

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