Aryane Cararo/Estadão
Aryane Cararo/Estadão

Depois de se fartar, um tour pelo casario

O caldeirão de barro chega fumegando à mesa. O cheiro é de carne caseira bem temperada. É preciso esperar o vapor se afastar para descobrir o barreado, prato típico paranaense. Beleza não é seu forte. Mas sabor... Chega a juntar água na boca. A carne bovina, cozida por mais de 20 horas em panela de barro vedada e servida com farinha de mandioca, desmancha na boca. E fez de Morretes um dos pontos turísticos mais concorridos do Paraná aos fins de semana.

MORRETES, O Estado de S.Paulo

23 Julho 2013 | 02h17

A boa comida, oferecida em vários restaurantes à beira do bucólico Rio Nhundiaquara, como o My House (R$ 36 barreado com frutos do mar) ou o tradicional Madalozo (R$ 41,90), trouxe não só turistas, mas fez a cidade de casinhas centenárias se colorir e encher de barraquinhas - lembra até Embu das Artes, mas com mais charme. O trem não é a única forma de chegar ao município, que fica pertinho do mar. A maioria prefere ir de carro pela Estrada da Graciosa, uma via antiga de paralelepípedos com Mata Atlântica em todo seu esplendor.

Morretes surgiu como vila em 1733, graças ao ciclo do ouro. O produto foi substituído pela erva-mate, que vinha de Curitiba pela Serra do Mar no lombo de mulas e, dali, seguia por rio até o porto de Antonina para ser exportado. Essa atividade acabou com a chegada do trem e, depois, foi substituída pela cana-de-açúcar, que deu origem a um dos produtos mais famosos da cidade, a cachaça.

A de banana é, de longe, a mais gostosa, e a fruta também costuma ser bem empregada em doces e balas, famosíssimos - pecado sair de lá sem experimentar ao menos a bala de banana da marca Antonina, fabricada desde 1979. Hoje, o gengibre é a principal plantação e os sorvetes da raiz estão por toda parte. Virou moda.

Comer é, de fato, uma grande atividade na cidade. Mas é preciso não exagerar no barreado, pois é comida para deixar qualquer um largado no banco da praça. Não que isso seja ruim. A pracinha é bem simpática, com crianças correndo atrás de bolinhas de sabão, barraquinhas e coloridas lojas de artesanato.

Mas é que tem tanta coisa para fazer antes de seguir caminho para Antonina, a 15 quilômetros dali... Você pode observar o casario local e a igrejinha, descer o rio de boia (Morretes é famosa por isso), alugar um caiaque e brincar com as crianças ou se deixar levar por um barqueiro - sem o charme da gôndola de Veneza, mas feliz da vida com o fim de semana bem aproveitado. /A.C.

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