Desafio com água até o pescoço

Na Alambari de Baixo, a dica é não ter medo: o trecho alagado é curto e o guia estende uma corda para ajudar

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2009 | 03h15

Prepare-se: você vai se molhar até o pescoço. E, mesmo assim, sairá feliz da vida. A caminhada pela Alambari de Baixo, que integra o núcleo Ouro Grosso, nem é tão exaustiva. O grande desafio ali está mesmo em superar o medo de andar com a água acima da cintura. Pode parecer extremamente desafiador, mas, acredite, não é.

 

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A maior dica para aproveitar o passeio na Alambari de Baixo é não ter medo. A estudante mineira Carina Rodrigues da Luz, de 15 anos, quase desistiu da aventura ao ser informada que haveria um trecho com água até o pescoço. Sem saber nadar, ela não queria sequer entrar na trilha. Os monitores fizeram questão de incentivar a garota: "Você vai até uma parte da caverna, onde a água é baixa. Se quando chegar nesse trecho você não quiser entrar, não tem problema."

Convencida, Carina decidiu acompanhar o grupo. Foi o tempo todo de mãos dadas com a monitora. Talvez não tenha reparado bem nas gigantescas formações que surgiam vez ou outra. Mas, durante o percurso, constatou que o monitor disse a verdade: não se caminha com água no corpo o tempo todo. E as travessias alagadas são poucas e curtas.

Antigamente, o trecho final - onde a água é mais alta - coincidia com o fim da caverna, do outro lado do morro. Por enquanto, com a proibição de sair pela boca menor, os grupos apenas olham a saída e retornam pelo mesmo caminho.

O monitor vai na frente para checar a altura da água. Amarra uma corda de segurança para o grupo se apoiar. Quem preferir pode usar uma pequena boia, que fica à disposição.

Carina não retornou. Seguiu com o grupo, bem mais tranquila e com um sorriso no rosto. Na saída da caverna, concluiu: "Valeu mesmo a pena. Foi ótimo superar o medo."

OURO GROSSO

Depois do merecido lanche, quem tem fôlego pode seguir para a caverna Ouro Grosso, que dá nome ao núcleo. Antes de chegar, a trilha, curtinha, rende diversão extra. É preciso passar por dentro - isso mesmo, dentro - de uma figueira centenária. E logo você está na entrada da caverna.

Definitivamente, a Ouro Grosso está vetada aos claustrofóbicos. É preciso se arrastar e contorcer o corpo para conseguir entrar. Cuidado onde põe a mão: você está na caverna preferida das aranhas.

Por dentro, no entanto, há pouco o que observar além de uma pequena queda d"água, distante poucos metros da entrada. Mas não foi sempre assim. Antes das novas regras de visitação do Petar, a Ouro Grosso era conhecida como "caverna adrenalina". Os corajosos passavam por trechos desafiadores, entre penhascos e pequenas escaladas até chegar a quedas d"água maiores.

O que não significa que a caverna não mereça ser vista. A brincadeira de passar pelas fendas estreitas entre pedras é até interessante. Mas, depois da divertida manhã na Alambari de Baixo, a Ouro Grosso pode parecer um tantinho sem graça.

ORIENTE-SE

COMO CHEGAR

linkDe São Paulo, há duas opções de caminho. Pela Rodovia Castelo Branco, siga até a SP-127, sentido Tatuí. Em Capão Bonito, entre na SP-250 rumo a Apiaí. A principal desvantagem é o trecho de quase uma hora entre Apiaí e Iporanga por uma estrada de terra repleta de curvas. São 6 horas de viagem

linkTambém é possível ir pela Regis Bittencourt até Jacupiranga. De lá, pegue a SP-193 até Eldorado. Depois, siga pela SP-165 por 70 quilômetros até Iporanga. A desvantagem é o excesso de caminhões na BR-116. Mas a estrada para Iporanga é mais confortável e a viagem, um pouco mais curta

QUEM LEVA

linkA Inside (0--11-4508-8010: www.insideviagens.com.br) tem pacote de 2 noites, por R$ 223. Inclui hospedagem com café, seguro e passeios. Sem transporte

linkA Pisa Trekking (0--11-5052- 4085; www.pisa.tur.br) montou pacote de 3 noites, com saída de São Paulo. Inclui hospedagem com pensão completa e lanche de trilha, passeios, seguro e entrada no parque

linkEm Iporanga, a Ecocave (0--15-3556-1574; www.ecocave.com.br) oferece passeios com monitores especializados. O roteiro de um dia, para duas pessoas, custa R$ 58 cada, com entrada no parque e seguro incluídos

SOBRE O PARQUE

linkA portaria do núcleo Santana, o principal, fica entre Iporanga e Apiaí. Entrada: R$ 5. Telefone: (0--15) 3552-1875

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