Bruna Toni/Estadão
Bruna Toni/Estadão

Desafio dos 10 anos

O que mudou e o que permaneceu igual no turismo na última década?

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

29 Janeiro 2019 | 03h00

Não é que eu goste de ficar mais velha. Adoro fazer aniversário, comemorar com festas animadas, mas pensar que isso significa que não terei mais a idade passada me traz uma nostalgia insuportável. Mesmo assim, me arrisquei no desafio que invadiu as redes sociais há duas semanas, o tal #10yearschallenge (ou, traduzindo, #desafiodos10anos). Comparei duas imagens minhas, clicadas no intervalo de dez anos.E até o Viagem publicou em seu Instagram  a comparação de duas capas: Buenos Aires em 2009 e Estados Unidos, 2019.

O tal desafio me fez perceber que em 10 anos cabem realmente muitas transformações interessantes – em nós mesmos e no mundo. É pouquíssimo tempo para a história. Porém, sendo o nosso tempo de vida ainda mais curto, torna-se fascinante o ato de memorar o que passou, encarar o que ficou e o que mudou. E como nem o mundo das viagens foge à passagem do tempo, eis o desafio.  

 

Lugares

Lembro de ir ao Rio de Janeiro e cruzar o Elevado da Perimetral, considerar a Barra da Tijuca como outro país, gastar tempo pensando como iria driblar as tarifas dos taxistas na saída do Santos Dumont. Felizmente, agora experimentamos uma revitalizada Praça Mauá, chegamos à Barra de metrô e BRT – continua longe, mas melhorou – e saímos do aeroporto de VLT e/ou de Uber.

E assim como o corpo perde parte de sua força, os lugares perdem preciosidades. A diferença é que suas perdas costumam não ser naturais como as de nosso envelhecimento, mas fruto do nosso descaso. É amargo pensar no impacto do rompimento da barragem da Vale para as famílias que dependiam do turismo em Brumadinho, onde está o museu Inhotim, que não foi atingido, mas segue fechado por conta do risco. Conhecemos esse gosto: o Museu Nacional já não está inteiro. 

Fora do Brasil, entristece a ausência da Janela Azul. O emblemático arco de calcário, ponto turístico em Malta e cenário de filmes, ruiu por conta da erosão. Outras mudanças ocorreram justamente em nome da preservação. É o caso das restrições à visitação em Machu Picchu, no Peru. Já em Amsterdã, o excesso de turistas justificou a retirada do letreiro IAmsterdam. Adeus à foto clássica na Praça dos Museus. 

 

Tecnologia

Há 10 anos – não se espante se você já tiver nascido nos tempos da internet 3G – ainda era comum viajar levando guias de papel. E ai de quem não arranjasse um mapa da cidade para se deslocar sem erros. Se havia vantagens? Talvez a de não ficarmos tão reféns da tela do celular – apesar de que isso me parece mais um problema social que faz com que não lidemos tão bem com o que temos. De qualquer forma, era bacana preencher a coleção de lugares lidos e visitados na estante.

O entretenimento de bordo no celular e a chegada do Wi-Fi nas aeronaves ficarão cada vez mais populares. Tanto quanto a evolução da qualidade das fotos que os smartphones têm apresentado. E pensar que nos anos 2000 as câmeras digitais eram a sensação... 

Do que não sinto falta é de correr desesperada para o aeroporto e enfrentar longas filas na hora de fazer check-in. Por mais que algumas vezes falhem (e que as filas ainda permaneçam), os aplicativos das companhias aéreas já devem ter livrado muita gente de perder o voo com a opção do check-in online. A mesma alegria está em comprar passagens de ônibus nos sites das empresas. 

 

Aeroportos

No balanço geral, o aeroporto de Guarulhos melhorou, principalmente por causa do Terminal 3. E agora há, enfim, o Airport Express, trem que liga estações do metrô ao GRU. Bom, a uma estação próxima a ele. Outra conquista boa: a primeira turma composta só por pilotos mulheres foi formada. 

Agora do que certamente você se lembrará é de ter tido o direito de despachar as malas, escolher seu assento e ter um lanchinho durante o voo sem ter de pagar ainda mais por cada uma dessas coisas em viagens nacionais. Sim, nosso bolso também pode sofrer de nostalgia.

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