Descanso abaixo de zero e a descoberta de um novo esporte

Descansar, para mim, sempre foi sinônimo de praia, cerveja e calor. Claro que não dispenso um bom museu, uma metrópole cheia de vida, um parque de natureza farta. Mas relaxar, esquecer do mundo e realmente sentir-se sem fazer nada, só mesmo em um típico cenário tropical.

Cenário: Felipe Mortara, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2013 | 02h12

Quando a trinca neve, vinho e frio entrou no horizonte, a ideia de absoluto dolce far niente ganhou outros contornos possíveis. Confesso que sempre enxerguei como um pouco enfadonhas e monótonas as férias na neve - isso até sentir na pele como elas podem ser.

Aprender um esporte de neve - no meu caso, o snowboard - pode (e deve) ser bem divertido. Uma chance de praticar uma atividade que não se tem acesso na esquina de casa todos os dias. Esse foi o meu lema a cada aula assistida - mesmo com mau tempo, mesmo após um almoço caprichado, mesmo com preguiça. Eu queria porque queria aprender a deslizar naquela prancha. E posso dizer que, após muitos tombos, escorregões e algum medo, consegui. Longe de ser bom, sei que disso eu não morro.

Não vou esquecer nunca a sensação de descer a longa pista de Camino Bajo (para iniciantes) em Valle Nevado. Nem o frio na barriga. Mais do que apenas descer a montanha deslizando com uma prancha de fibra presa ao pés, encontrei sentido nisso. Achei graça.

Curtir o ambiente nevado, respirar o ar frio e puro, reparar nos detalhes e diferenças de cada uma das estações. Dos carvalhos nevados nos bosques de Chillán ao olhar do cachorro do hotel, passando pela reação das crianças em suas primeiras deslizadas na neve. Há beleza em tudo.

E quando a chuva ou neve insiste em cair lá fora - como no momento em que escrevo estas linhas -, prevalece a arte de se divertir no hotel. As piscinas termais na área externa são sempre ótima pedida. Sair, deitar por alguns segundos na neve e voltar para as águas quentinhas proporciona uma maravilhosa sensação de vigor. Isso sem falar em massagens no spa, nos pratos caprichados e nos cabernet sauvignons, passaporte para um sono delicioso. Eis um baita de um descanso.

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