Mônica Nobrega/Estadão
Mônica Nobrega/Estadão

Descendo nas pistas de Valle Nevado, no Chile

O primeiro trecho era um declive suave que terminava no encontro da nossa pista com a intermediária. Moleza.

Mônica Nóbrega, O Estado de S. Paulo

17 Julho 2018 | 04h30

“E não vai assistir à partida?”, perguntou uma instrutora na pista dos aprendizes na manhã de segunda-feira. Eram 10h15 no horário local, 11h15 no de Brasília. Naquele momento, o hexa ainda era possível em 2018. A seleção brasileira estava em campo contra o México pelas oitavas de final.

O dia tinha amanhecido sem sol, mas sem nevasca e mais claro. Com uma colega de grupo, segui para as pistas assim que abriram, às 9 horas. O plano era esquiar por uma hora e voltar para ver o jogo nos telões do Valle Lounge, o bar mais gostoso da estação.

Descer esquiando e subir agarradas ao teleski, um meio de elevação no qual o esportista é arrastado por um suporte colocado entre as pernas, foi ficando fácil. Compreendi os benefícios da neve fofa graças à nevasca do dia anterior – diminui o esforço físico e fica muito mais leve controlar os esquis. Um dos instrutores que estavam por ali nos recomendou a pista Camino Bajo.

Assistimos ao segundo tempo de Brasil e México com uma multidão de brasileiros e dois solitários mexicanos. Almoçamos hambúrgueres no Monte Bianco, o restaurante italiano (13.900 pesos, R$ 82). E seguimos para a fila da jardineira que faz o dia inteiro o trajeto entre a entrada do hotel Puerta del Sol e o ponto de partida da gôndola, lá embaixo, no centro de visitantes.

Se dois dias antes o passeio de gôndola foi para ver a paisagem e tirar fotos, neste cuidamos de estudar o trajeto e observar do alto cada detalhe da nossa pista verde – ainda iniciante, mas muito mais longa, com curvas e declives bem mais acentuados. A gôndola é o único meio de elevação que pode ser usado por quem não vai esquiar, nem praticar snowboard. Por isso o desembarque, na média montanha, é um ponto festivo. Por ali fica o parque de neve. Outro núcleo da escola de esqui e snowboard. O bar restaurante de montanha Bajo Zero.

Partimos. O primeiro trecho era um declive suave que terminava no encontro da nossa pista com a intermediária Diablada. Moleza. Nosso caminho estava à direita. Foi neste ponto que “conheci” Bela. A menina e seu pai faziam uma força danada subindo ladeira de ladinho para uma correção em seu percurso.

Calculei mal. No primeiro impulso para voltar a esquiar, caí sentada. Foi um tombo leve e numa posição conveniente; logo consegui levantar. Ato seguinte, mais abaixo, encontrei minha companheira estatelada na neve fofa da lateral da pista, rindo e contando que tinha “quase levantado voo”. Foi exatamente por medo de “levantar voo” que me joguei de lado no chão mais fofo que pude identificar quando percebi que não seria capaz de fazer uma curva fechada à esquerda; também não estava conseguindo frear. Foi o meu maior tombo. Nessa hora, o pai de Bela me ofereceu ajuda.

No trecho final da Camino Bajo ainda nos aguardava uma descida tão íngreme que cogitamos descer sentadas, escorregando como num esquibunda. Respiramos, retomamos a coragem e, surpreendentemente, nenhuma de nós duas caiu. Meu coração estava acelerado e o rosto quente quando cheguei à entrada do teleférico Vaiven. Minutos atrás, eu praguejava contra o instrutor que nos convenceu a encarar a Camino Bajo. Agora, lamentava que só faltassem dez minutos para o fechamento das pistas naquela segunda-feira.

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