Felipe Mortara/Estadão
Topo da Catedral Metropolitana  Felipe Mortara/Estadão

Topo da Catedral Metropolitana 

Felipe Mortara/Estadão

Descubra Quito, no Equador, agora com voo direto desde São Paulo

É fácil se apaixonar pelo casario colonial, pelos vulcões e sabores de Quito – agora mais próxima de SP com um novo voo direto

Felipe Mortara , Especial para O Estado

Atualizado

Topo da Catedral Metropolitana 

Felipe Mortara/Estadão

QUITO - A beleza monumental da fachada da Iglesia de San Francisco fica ainda mais impressionante ao badalar dos sinos. Assim que tocam, os pombos da praça decolam em uma revoada cenográfica. Logo, os olhos serão novamente atraídos por um dos mais majestosos casarios coloniais das Américas – por sinal, o primeiro a ser tombado como patrimônio histórico pela Unesco, em 1978. Seja bem-vindo a Quito, novamente ligada ao Brasil com voos diretos, saindo do aeroporto de Guarulhos. 

Cinco horas e meia de voo separam São Paulo e a capital do Equador – rota outrora oferecida pela empresa local Tame, suspensa há quase três anos e, desde dezembro, operada pela Gol

Apesar da beleza intensa da igreja de 1604, não foi ela que mais chamou minha atenção na capital. Nenhum outro lugar me soou tão idílico quanto a Igreja da Companhia de Jesus, a apenas alguns metros da de San Francisco. Minhas retinas jamais avistaram tanto ouro. 

Para completar o espetáculo, dei a sorte de chegar ao templo jesuítico de 1765 em pleno ensaio da Orquestra Sinfônica Nacional, que faria um concerto mais tarde, naquela noite amena de fevereiro. Os acordes dos violoncelos, fagotes e violinos ecoavam saborosamente na nave ornada de imagens religiosas. 

Sobre o palco, vestidos à paisana, cerca de 40 músicos obedeciam atentos aos comandos do maestro e encantavam moradores e turistas. Passava do meio-dia e não havia nada mais apetitoso do que aquela harmonia. Saí dali a caminhar pelo centro antigo, mergulhando num legado colonial hispânico iniciado em 1534 – que perdura até hoje.

 

Já na Catedral Metropolitana de Quito, erguida com elementos de quatro estilos arquitetônicos – barroco, mourisco, clássico e neogótico – há uma escadinha estreita que leva até o teto da cúpula. Chega a ser claustrofóbico em vários momentos, mas vale o esforço. As abóbadas verdes compõem linda moldura para as fotos. O acesso normal à igreja custa US$ 3 (a moeda oficial do Equador é o dólar americano), US$ 6 com acesso ao terraço. 

Contemple, lá do alto, aposentados tomando sol enquanto crianças brincam na Plaza Grande, a principal do país. Quem dera todos os dissabores pudessem ser curados com uma “visita ao céu”. Por conta da altitude de Quito, 2.850 metros acima do nível do mar, não é raro ouvir este paralelo celestial. 

No centro, a independência conquistada em 1809 é celebrada com um monumento repleto de animais e simbolismos, que podem ser esclarecidos na companhia de um bom guia. 

Ao lado da catedral fica o Palacio Carondelet, sede do governo do Equador e lar do presidente Lenin Moreno, eleito em 2017. Não se espante se vir algum grupo protestando com megafones na porta do imponente edifício branco com arcadas e colunas gregas. É bonita a ideia de proximidade do povo com o poder. 

 

A ARTE DE FAZER CHAPÉUS

Algumas quadras ladeira abaixo, um antigo viaduto de pedras marca o comecinho de La Ronda. Boêmia e repleta de artesãos, a rua de paralelepípedos tem um quê de decadente, mas é necessária para entender o espírito de Quito. Alguns bares feiosos não anulam o charme de quem fabrica ótimos produtos, de instrumentos musicais a chapéus, passando por sorvetes de sabores inusitados (como cúrcuma e sangria) até peões de madeira. 

Por sinal, foi ali que encontrei Luiz Lopez, sujeito bom de papo que aprendeu com o pai, ainda cedo, a trançar chapéus. Explicou pacientemente a diferença entre cada trabalho e porque um sombrero pode custar até US$ 8 mil (R$ 30 mil). O número de tramas por centímetro quadrado dá uma ideia do tempo levado para confeccionar cada um. Assim, estamos falando do trabalho de um dia ou de um ano. Por US$ 30 comprei o meu autêntico chapéu equatoriano, feito por ele ao longo de 48 horas. Ai de ti ousar dizer “chapéu panamá”...

SAIBA MAIS

Altitude: Quito está 2.850 metros acima do nível do mar – em alguns passeios, chega-se a mais de 4 mil metros. Para evitar o mal de altitude, tome muito líquido, caminhe devagar e não exagere nas bebidas alcoólicas. 

Clima: não há grandes variações climáticas na capital, a mínima é de 9 graus e a máxima, de 21, praticamente o ano todo.

Site: quitotravel.ec

*VIAGEM A CONVITE DA GOL E DE QUITO TURISMO.

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Mesmo voo, nova aeronave

Originalmente, voo era operado com o Boeing 737 Max 8, modelo proibido pela Anac após dois acidentes fora do Brasil. Agora, trecho é realizado em outro avião

Felipe Mortara, Especial para O Estado

09 de abril de 2019 | 04h30

O novo voo da Gol entre São Paulo e Quito, lançado em dezembro, encheu de expectativa o mercado turístico do Equador. Durante a WTM, feira voltada à promoção do setor de viagens, o coordenador do órgão de turismo de Quito para a América Latina, Rubén Lara, afirmou que o Brasil é mercado prioritário para o país. Segundo ele, há muita possibilidade de crescimento, já que os brasileiros representam pouco mais de 2% do total de turistas estrangeiros no país. 

Originalmente, o voo da Gol era operado com o Boeing 737 Max 8. No entanto, após aviões do mesmo modelo de outras empresas se envolverem em acidentes na Etiópia e na Indonésia, a Anac suspendeu o uso da aeronave. A Gol mantém a rota com aviões 737-800 Next Generation. A empresa esclarece que nada muda em relação ao serviço, à classe Economy Premium e aos produtos oferecidos a bordo. Ao todo, são três saídas semanais. As partidas ocorrem às terças, quintas e sábados; os voos retornam às segundas, quartas e sextas. A tarifa média, ida e volta, é de R$ 1.400.

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Cinco bate-voltas indispensáveis

De táxi, Uber ou com agências locais vale a pena sair do centro da capital e explorar os arredores

Felipe Mortara, Especial para O Estado

09 de abril de 2019 | 04h30

Embora o centro de Quito seja fascinante, vá alem e use táxi, Uber ou agências locais para fazer bate-voltas, como os cinco sugeridos a seguir:

Linha do Equador

O ponto turístico mais famoso do país não existe. Ou melhor, existe, mas é imaginário. A Linha do Equador exerce fascínio e desperta orgulho na população. Existem alguns marcos oficiais, mas o mais visitado é a Ciudad Mitad del Mundo (US$ 3,50), monumento de 30 metros de altura, com a linha demarcada em amarelo no chão e uma miniatura do centro de Quito. Bem ao lado fica o Museu Intiñan, com experiências científicas interativas sobre a influência das forças magnéticas naquele lugar. Alguns questionam sua autenticidade, mas ninguém vai discordar que é divertido. 

Virgen del Panecillo

virgendelpanecillo.com​

De qualquer canto de Quito que se olhe, lá está ela. A imensa estátua da Virgem Alada tem 41 metros de altura e parece se jogar sobre o vale onde está a capital. Concluída em 1975, é tida como a estátua de alumínio mais alta do mundo, a 3.016 metros de altitude. Paga-se US$ 1 para subir até o terraço na base do pedestal. De lá, uma baita visão da cidade, quase em miniatura. 

Capilla Del Hombre

guayasamin.org

Demora pouco tempo para o turista entender o tamanho da importância de Oswaldo Guayasamín (1919-1999) na arte equatoriana. Suas esculturas e pinturas são de imensa relevância no patrimônio cultural contemporâneo do país. Algumas de suas principais obras estão na Capilla del Hombre, memorial e museu idealizado pelo artista. Uma baita estrutura logo ao lado da casa onde viveu por décadas. Julgue por si próprio as comparações com Pablo Picasso. A entrada custa US$ 8. 

 

TelefériQo 

teleferico.com.ec

Ao longo de 10 minutos você sobe pelos 2,5 quilômetros de cabos pela encosta do Vulcão Pichincha até o topo de Cruz Loma. Ali, a 4.100 metros do nível do mar, fica claro porque a chamada Avenida dos Vulcões recebeu esse nome do explorador Alexander Von Humboldt. Num mesmo panorama capture o Cayambe (5.790 m) e o Cotopaxi (5.897 m), o mais alto – e fotogênico – vulcão do Equador. Uma curta caminhada de 20 minutos leva até um balanço que parece se debruçar no abismo. Tente escolher um dia com previsão de tempo aberto. Ingresso: US$ 8,50.

Mercado de Otavalo 

A 90 quilômetros ao norte de Quito fica um dos mercados mais autênticos do mundo. Ainda que durante a semana a praça central de Otavalo seja ocupada por dezenas de barracas, é aos sábados que a mágica ocorre. Mais de 4 mil bancas se espalham por dez ruas adjacentes à praça e vendem os mais variados itens. Passe o dia vivenciando o espírito andino em meio a frutas, temperos, louças, roupas e artesanatos delicados. É o lugar onde você terá contato com o Equador mais real, com gente da terra mesmo. Ambiente altamente propício às boas compras e aos melhores retratos da viagem. 

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Vulcões e natureza embelezam arredores da capital

Prepare-se para caminhadas em altitudes consideráveis e para paisagens espetaculares ao percorrer a Avenida dos Vulcões

Felipe Mortara, Especial para O Estado

09 de abril de 2019 | 04h30

Nem só de patrimônio colonial é feita uma visita à capital do Equador. Não é preciso ir longe para vivenciar a diversidade de paisagens que envolve Quito. Quase uma centena de vulcões ativos e inativos pululam ao redor e contrastam com florestas serranas que lembram nossa Mata Atlântica. Uma ou duas horas de carro para um lado ou para o outro levam a horizontes que parecem estar a centenas de quilômetros. 

Os vulcões são o carro-chefe do turismo de aventura no Equador. Prepare-se para caminhadas em altitudes consideráveis com vistas extraordinárias de picos nevados e crateras esfumaçadas. Ou para nada disso. 

O Quilotoa é um vulcão com uma espetacular lagoa alagada em sua cratera. Os tons de verde variam de musgo a turquesa numa paisagem surreal. Localizado a 180 quilômetros a sudoeste de Quito, rende mais do que um bate-volta. Como a estrada é estreita e sinuosa, leva-se 4 horas até lá. Voltar para a capital no mesmo dia (como fiz) será exaustivo. 

Não siga meu exemplo e invista em uma visita sem pressa. A principal atividade ali é caminhar – mas lentamente, já que estamos a 3.900 metros de altitude. É possível dar a volta por cima ou por baixo da lagoa, dependendo do seu pique. Quem não aguentar a subida de cerca de 600 metros verticais ao longo de 1h30 pode pagar alguns dólares e subir no lombo de uma (pobre) mula. A estrutura de hospedagens simples e restaurantes ao redor da lagoa é razoável e não é má ideia pernoitar por lá.

Se você é do tipo que não se cansa fácil, pode começar se preparando no alto do TelefériQo, em Quito. Quem pretende subir até o cume do Vulcão Cotopaxi (5.897) faz uma caminhada de 4 quilômetros (com guia) até o topo da cratera de Rucu Pichincha, a três horas da estação do bondinho e a 4.680 metros de altitude. O Cotopaxi é uma empreitada mais complexa, com botas de neve e roupas especiais. Agências como a Cotopaxi Climbing cobram desde US$ 280 (R$ 1.060) por pessoa para um tour de dois dias com pernoite na base e ataque ao cume pela manhã. 

 

CALMARIA E ORQUÍDEAS

É possível que você, leitor brasileiro acostumado às nossas florestas tropicais úmidas e densas, não se importe muito. Mas a Reserva El Pahuma, 2h a noroeste de Quito, é uma joia natural. Com mais de 300 espécies de orquídeas, trata-se de um dos maiores viveiros naturais da flor. A infraestrutura é simples, mas bem conservada. 

Quatro circuitos autoguiados cobrem uma parte pequena do parque, mas recomendo ir com guia – até porque os olhos atentos apontarão detalhes onde você verá apenas “muito verde”. Assim, é possível caminhar por percursos que variam de 20 minutos a 2 horas, com destino a cachoeiras e mirantes. Numa delas, com 20 metros de altura, é possível praticar rapel. A rocha pouco inclinada é ideal para iniciantes. Sortudos podem avistar o raro e inofensivo urso-de-óculos.

A 70 quilômetros ao sul de Quito, a vila de Machachi, aos pés do Cotopaxi, é ideal para descansar ao fim da viagem. Sob o poético nome de Hacienda El Porvenir (algo como Fazenda O Futuro), a propriedade rural de 1913 recebe hóspedes em apartamentos simples e aconchegantes. A comida caseira e o clima de vida no campo fazem valer a visita. Diárias a partir de US$ 98; tierradevolcan.com

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Criatividade e tradição à mesa

Conheça a comida típica do país e onde experimentar os melhores pratos

Felipe Mortara, Especial para O Estado

09 de abril de 2019 | 04h30

Porco, milho e batata têm protagonismo inegável à mesa equatoriana. Mas a culinária do país vai além. A complexidade do ceviche perfeito não pode ser ignorada. Nem a excentricidade do cuy, o porquinho-da-índia, servido assado. Tampouco dá para deixar de falar do frescor das frutas. Em suma, o paladar é atiçado no Equador. 

Poucos lugares podem dar tanta ideia do que é a oferta gastronômica no país quanto o Mercado Santa Clara, com suas barracas com carnes, legumes, aves vivas e frutas diversas, disponíveis para prova, como naranjillo, uvilla e tomate-de-árvore. É ali que os moradores fazem suas compras e degustam pratos típicos como o hornado, porco assado inteiro servido com salada, chips de banana e batatas fritas. 

Bem na Praça São Francisco, no centro, a Casa Gangotena é mais do que um dos principais hotéis de luxo da cidade. Em seu refinado restaurante, o chef Byron Rivera mescla sua vivência na França com mais de 20 anos em cidades equatorianas. Resultado: receitas clássicas do país com leitura moderna e apresentação elegante. Caso do locro quiteño, tradicional sopa de batatas com abacate e milho (US$ 10) e o ótimo ceviche de camarão (US$ 13,50). 

Apesar de bem avaliado no TripAdvisor e querido por moradores de Quito, o Restaurante Belle Époque, no Hotel Plaza Grande, não me impressionou. Questão de gosto: se você curte jantares com apresentações folclóricas pode achar interessante. No ambiente com decoração de estilo francês dos anos 1940, famoso por receber chefes de Estado, o garçom nos serviu a sobremesa vestido de cavaleiro cucurucho – vestimenta típica da Páscoa equatoriana.

Uma saborosa surpresa foi a degustação de chocolates na República del Cacao. Lançando mão do trabalho de 2 mil fazendeiros familiares por todo o país, a empresa produz o doce com porcentuais de 52 a 85% de cacau. Por US$ 5 você degusta vários tipos e decide o seu favorito antes de levar uma barra para casa. Não é barato (US$ 9,50), mas a qualidade é altíssima.

No mesmo nível estão as boas cervejas IPA e ale (US$ 4) produzidas pela La Oficina, bar e cervejaria artesanal no bairro boêmio de San Blas. Ocupa o espaço de um antigo cinema e é palco para shows de jazz. Outra casa charmosa, com pinturas e livros colados pelas paredes, é o La Estación. Peça a cerveja local Pilsener (US$ 3) ao som de música ao vivo. 

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