Scott B. Rosen/NYT
Scott B. Rosen/NYT

Deslizando pelo vulcão

Descer as encostas do Cerro Negro, na Nicarágua, é a nova modalidade nos esportes de aventura

Laura Siciliano-Rosen, The New York Times

12 Maio 2009 | 02h41

Não há nada como o silêncio que se experimenta na descida de uma encosta vulcânica de 487 metros de altura, deslizando sobre uma prancha enquanto uma nuvem de pedrinhas vai ficando para trás. Com os olhos meio fechados para evitar o forte sol da Nicarágua, reencontrei meus óculos de proteção, que haviam caído durante a descida, me ajeitei na prancha e voltei a me entregar aos caprichos da gravidade. Cada vez mais para baixo, até parar no sopé da montanha, sob aplausos de quem estava por ali.

Essa foi minha introdução ao mundo do volcano boarding, esporte radical recém-criado que ganhou destaque no Cerro Negro, formação geográfica no oeste da Nicarágua. Os aventureiros sobem na prancha e descem a encosta do vulcão - ainda em atividade - a cerca de 80 quilômetros por hora. É uma experiência quente, poeirenta, amedrontadora. E maluca o suficiente para ser divertida.

Chega-se ao Cerro Negro a partir de Leon, cidade colonial conhecida como ponto de encontro de intelectuais de esquerda. A atmosfera sandinista atraía para lá revolucionários, estudantes e poetas. Hoje, Leon está ganhando fama entre os que curtem aventura. Tudo por causa do tal volcano boarding.

A modalidade surgiu em 2005, quando o australiano Darryn Webb, que cresceu praticando sandboard, percebeu o potencial nicaraguense. Depois de tentar descer usando prancha de bodyboard e até lençóis, ele chegou ao modelo de madeira reforçado com metal. "Quando conseguimos acertar, a descida ficou divertida." Webb decidiu, então, montar o Hostel Bigfoot. No ano passado, ele vendeu o empreendimento e voltou para Perth, mas o hostel continua lá, agora sob o comando de Gemma Cope, que faz os tours.

EM ATIVIDADE

Distribuídas em picapes, as 17 pessoas do meu grupo viajaram 40 minutos até o Parque Nacional Cerro Negro. As estradas ainda têm as marcas da última erupção, em 1999. Cerro Negro é o mais jovem vulcão da América Central e, desde 1850, já entrou em erupção 20 vezes.

Na base da montanha recebemos prancha, roupas e óculos. A subida íngreme até o topo não é das mais fáceis. Foram 45 minutos. Uma vez lá em cima, observamos as entranhas do vulcão, com a cratera coberta de amarelo vivo e marrom.

Logo era a hora de a aventura começar. Gemma deu uma breve aula - explicando principalmente como controlar a velocidade. Depois, avisou que as mulheres iriam primeiro, para observarem, lá de baixo, a rapidez com que os homens gostavam de descer a encosta.

Relutantes, duas mulheres se ofereceram como voluntárias para começar e em pouco tempo estavam deslizando. Depois de mais duas pessoas, eu não aguentava mais o suspense e fui até o ponto de partida. Lá, percebi que gritar durante o percurso não seria uma boa ideia. Há poeira por toda parte.

Comecei a descida reduzindo a velocidade com os pés. Minha técnica não era boa e o efeito foi igual ao de brecar uma bicicleta em alta velocidade. No fim, o radar do Bigfoot registrou: 46 quilômetros por hora. Fui tropeçando até o grupo, consciente de mãos e joelhos ralados. Todos estavam atordoados, mas sorrindo, apesar dos rostos pretos de sujeira.

COMO IR

linkBigfoot Hostel: a diária custa entre US$ 6 (R$ 12), em quarto coletivo, e US$ 13 (R$ 27), em quarto privativo. O passeio até o Vulcão Cerro Negro sai por US$ 28 (R$ 58). Informações: www.bigfootnicaragua.com

linkOutras opções de agências locais que organizam o tour até o vulcão: Va Pues Tours (www.vapues.com), que cobra US$ 33 (R$ 69), e Tierra Tours (www.tierratour.com), por US$ 28 (R$ 58)

linkO trecho São Paulo-Manágua- São Paulo custa a partir de US$ 849 na Copa (3549-2672)

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