Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

Deslize de boia sem fazer esforço

Crianças, idosos, casais apaixonados ou jovens de ressaca. A descida pelo Rio Formiga não desagrada a ninguém. Também, como pode dar errado uma atividade que consiste apenas em deixar-se levar pela suave correnteza deitado em uma boia? Para completar a paisagem, ou justificar ainda mais o passeio, águas translúcidas com um tom amarelado contrastam com robustos buritis que acenam das margens.

Felipe Mortara, de O Estado de S. Paulo, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2013 | 02h13

 

A brincadeira começa na vila de Cardosa, a uma hora de jardineira de Barreirinhas. Um parênteses: muitas agências chamam erroneamente o rio de Cardosa, mas todas trazem para este mesmo lugar. Após aplicar um filtro solar potente, todos para a beira do rio.

 

Algumas agências oferecem boias modernas, com forro e alça, enquanto outras apostam na boa e velha câmara de pneu de caminhão. O que não faz muita diferença. Um instrutor desce nadando e acompanhando cada grupo, de cerca de 10 pessoas. O tour custa, em média, R$ 50, com transporte.

 

É emocionante? Não. Tem corredeiras? Não. E adrenalina? Também não. Talvez seja pela transparência do rio que o passeio valha a pena. A integração com a natureza é total. Entre uma curva e outra, um rolamento para o lado para se refrescar - depois de algumas tentativas aprende-se a subir na boia sem muito esforço. A mata poucas vezes se fecha e o calor é intenso. Um chapéu ou boné ajudam.

 

Entre uma braçada e outra, além de tirar eventuais atolados nos remansos, o guia tranquiliza os inexperientes. Ao meu lado havia uma falastrona turista paulistana que, apesar de não saber nadar, não se deixou levar pelo medo graças à atenção que recebeu.

 

Pouco mais de uma hora depois, o tour chega ao fim numa pequena praia com remanso. Pertinho dali, como em toda boa atração turística, um quiosque vende castanha de caju e uma deliciosa tapioca (R$ 3) feita com farinha de mandioca plantada ali mesmo. Antes de voltar, uma caipirinha (R$ 3) aplaca o calor e deixa os bancos da jardineira mais confortáveis.

 

Caminhada leva a rincões inacessíveis em jardineira.

Nem só de 4X4 depende quem deseja conhecer a fundo os Lençóis Maranhenses. Caminhando é possível alcançar cantos onde as jardineiras não têm autorização para circular. A opção mais frequente costuma ser o trekking de 60 quilômetros, percorrido em três noites, saindo de Santo Amaro até Atins ou vice-versa.

 

Os pernoites são realizados em pequenas vilas que já existiam muito antes de a área ser denominada parque nacional, como Betânia e Queimada dos Britos. Com o vento, a areia mantém uma temperatura razoável e não chega a queimar os pés.

 

Quem já fez a travessia garante tratar-se de uma experiência visceral, única e muito marcante.

Seja para alcançar a vila de Santo Amaro ou Atins, será necessário deslocamento em jardineira. Agências como a Rota das Trilhas (rotadastrilhas.com.br) e Encantes do Nordeste (encantesdonordeste.com.br) customizam roteiros com agilidade. Custa em torno de R$ 150 por dia.

 

Rota das Emoções.

O nome dado ao trecho que engloba os litorais do Maranhão, Piauí e Ceará faz todo sentido quando se está diante das maravilhas naturais reservadas para este pedaço da costa brasileira. Roteiro turístico com cerca de 700 quilômetros, que passa por 14 municípios dos três Estados, a Rota das Emoções costuma ser percorrida em, no mínimo, cinco dias.

 

Alguns pontos de parada obrigatórios constam na lista de todos os turistas que a encaram, sendo os três principais Lençóis Maranhenses, Delta do Parnaíba e Jericoacoara. Praias indescritíveis, rios majestosos e o terceiro maior delta oceânico do mundo estão no caminho. O ótimo rotadasemocoes.com.br tem mais informações.

 

No começo ou no final da viagem, você deve passar pelo aeroporto de São Luís, a 260 quilômetros de Barreirinhas. Um dia e uma noite na cidade podem ser bem agradáveis para percorrer o centro histórico, que, apesar de degradado, ainda guarda belíssimos azulejos. O Museu Histórico e Artístico revela a trajetória ilustrada do Estado e o mercado da Casa das Tulhas garante o souvenir

Você só anda de chinelo, mas irá comer em ótimos restaurantes. Ao entardecer, o pôr do sol na duna é o ponto de encontro oficial de Jericoacoara. Muito procurada por praticantes do kitesurfe, reúne atrações como a Pedra Furada e as lagoas Azul e do Paraíso

 

Visto de cima, o encontro do Rio Parnaíba com o Oceano Atlântico lembra um quebra-cabeça gigante, sendo as peças as 75 ilhas do Delta do Parnaíba. Abriga mangues e igarapés com farta biodiversidade, como os lindos guarás vermelhos, que lembram flamingos. Prova de que, apesar de pequeno, com apenas 60 quilômetros, o litoral do Piauí merece a visita.

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