Mônica Aquino/AE
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Despertar em um horizonte de gelo

Glaciar Pio XI, o maior da América do Sul, e uma pitoresca vila indígena estão na rota dos cruzeiros

Mônica Aquino, estadao.com.br

08 Setembro 2009 | 02h43

São 6 horas e a temperatura está abaixo de zero grau. Em qualquer outro lugar e situação, seria loucura pular da cama nessas condições. Não aqui. Assistir ao raiar do sol diante da maior geleira da América do Sul justifica o sacrifício, depois de ter passado a noite no barco ancorado bem na frente dela.

 

O glaciar Pio XI tem área equivalente à de toda a região metropolitana da capital do Chile, Santiago. São 1.265 quilômetros quadrados. O tamanho impressiona. A velocidade com que pedaços de gelo se desprendem e caem, provocando encanto e susto, também. Na queda, deixam uma nuvem de gelo suspensa no ar e formam ondas ao tocar a superfície da água. O barulho, especialmente durante a noite, lembra relâmpagos. Nada mais esclarecedor para compreender os efeitos do aquecimento global. Segundo moradores, outro glaciar da região, o Grey, encolheu 1 metro por ano nas últimas três décadas.

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Vários cruzeiros navegam pelos fiordes do Parque Nacional Bernardo O?Higgins, onde fica o glaciar Pio XI. O Skorpios III é uma boa opção para evitar os excessos - de pessoas e atrações - das viagens marítimas tradicionais. No comando do navio e da empresa familiar responsável pela viagem, hoje uma das maiores do Chile, está o capitão don Constantino Kochifas Cárcamo.

 

A mulher dele, Mimi, cuida da cozinha. A rotina de refeições não guarda nenhuma semelhança com a dos cruzeiros comuns. Não há turnos para almoço e jantar. Os hóspedes escolhem seu prato entre o menu vegetariano e as duas opções de carnes. Há cardápios temáticos quase diariamente: italianos, mexicanos, de frutos do mar e, claro, chilenos.

PITORESCO

Perto da geleira Pio XI fica a última comunidade kaweskar da Patagônia. Na cidadezinha de Puerto Éden, sede do Parque Nacional Bernardo O?Higgins e parada de cruzeiros, vivem os remanescentes dessa etnia indígena que habitou a região durante séculos.

A vila não tem ruas, apenas passarelas de madeira (apesar disso, é grande o número de cães de rua, como em todo o Chile). Casinhas coloridas, barcos abandonados, crianças e vendedores em barracas formam o pitoresco cenário. Para tirar fotos com nativos será preciso comprar algo. Ou dar alguns pesos, em troca de uma pose e de um sorriso.

linkSkorpios III: www.skorpios.cl. O cruzeiro custa desde US$ 1.120 (R$ 2.093) por pessoa

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