Desvende paisagens a pé e a cavalo

Geleira debruçada sobre dois morros ou dias de cavalgada no campo? Na dúvida, fique com os dois passeios

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2008 | 02h51

Desde Coyhaique, duas horas ao norte pela Carretera Austral, está o Parque Nacional Queulat, de 154 mil hectares. Ali, um glaciar, debruçado sobre dois morros, deixa despencar água cristalina por cerca de 450 metros, resultado de seu degelo. A visão do Ventisquero Colgante, ou Geleira Pendurada, é o ponto alto desta parte da Patagônia chilena.Na entrada do parque o guarda florestal faz seus avisos. Há três trilhas: uma curtíssima, outra média e a última, longa. "E o pessoal tem visto pumas. Portanto, é bom tomar cuidado. Se o animal aparecer, não vire de costas e não saia correndo. Permaneça parado", orienta.Durante a caminhada de menos de 200 metros até o primeiro mirante, no entanto, apenas pássaros patagônicos, como o chucao, e espécies de beija-flor aparecem entre as folhas de nalca, cujo caule comestível é servido em alguns restaurantes.Quando a mata se abre, a primeira visão do glaciar apresenta o bloco de gelo apoiado sobre um enorme paredão de pedra. À distância, suas águas caem uniformemente, escorrem em alta velocidade em direção ao mirante e fogem pela esquerda até a Lagoa Témpano, a poucos metros dali. Cinco minutos depois, um estrondo transforma o que era apenas uma cascata em duas. Parte da geleira desaba, mostrando a mobilidade do glaciar, que, segundo relatos do século 19, chegou a cobrir toda a trilha.O próximo percurso e a curiosidade levam o viajante para mais perto do glaciar. Na primeira etapa, 600 metros e a travessia da ponte sobre o Rio Ventisquero conduzem à beira da Lagoa Témpano. A última trilha, de 3 quilômetros, é o maior desafio. São mais de quatro horas de caminhada para chegar a poucos metros da geleira. É permitido acampar no parque e fazer o caminho sem pressa.Como os pioneirosParticipar de uma cavalgada na patagônia chilena é, como proclamam os locais, refazer os passos dos corajosos pioneiros da região. Mas com a temperatura mais amena, distante dos 40 graus negativos de outros tempos. O trajeto proposto pelo Campo Ecuestre de Coyhaique tem seis dias e cinco noites. A fazenda, ponto de partida, fica a 15 minutos da cidade.Matías Saavedra, líder da "expedição dos colonizadores", avisa que o grupo deve ter no mínimo dois e no máximo quatro cavaleiros. Todos com espírito aventureiro: a tropa dorme em barracas nas estepes e a comida (churrasco, muito churrasco) é preparada na hora.Para provar doses mais leves da vida no campo na patagônia chilena há também opções de cavalgadas com duração entre meio dia e três dias.Em qualquer uma haverá sempre dois peludos cães vira-latas à frente, caçando lebres enquanto os cavalos crioulos chilenos sobem a trilha até o pé do Cerro Negro, paredão de pedras de pelo menos 300 metros de altura. "Lar de condores", aponta Saavedra. A leve subida transforma, a cada metro de altitude superado, o chuvisco constante em flocos bem finos de neve. A paisagem vai se esbranquiçando, mas, bem preparados e equipados com ponchos e perneiras dados pelo guia Saavedra, os cavaleiros não sentem o incômodo do frio.No entreposto do almoço, o cordeiro já está no fogo de chão - o famoso asado patagón - e, ao brinde de um pisco sour, uma folga no sofá confortável. Hora de tomar uma difícil decisão: subir até o Cerro Los Franciscanes (mais duas horas a cavalo), ou admirar o fogo um pouco mais.  

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