Dez situações que podem atrapalhar numa viagem

De sua escrivaninha no Condado de Essex, nosso bravo viajante enviou sua correspondência em uma carta escrita com tinta azul real lavável. “Não se preocupem, my friends”, disse ele. “Está tudo muito consolidado porque usei um mata-borrão novinho em folha.”

Mr. Miles, O Estado de S.Paulo

31 Maio 2016 | 04h00

A seguir, a pergunta da semana.

Mr. Miles: gostaria de saber o que pode estragar uma viagem? Tânia Ferrarezi, por e-mail

“Well, my dear, vou tentar dar respostas que sirvam a todos, aproveitando sua ótima pergunta. However, prefiro o verbo ‘atrapalhar’ a ‘estragar’.

1. Falta de informação prévia. As you know, sem lição de casa pode dar tudo errado. Você pode viajar para uma praia na época de furacões, pode querer ver montanhas quando a névoa as encobre, pode cometer toda sorte de enganos. E, quando no destino, desinformado, o viajante pode passar ao lado de um marco histórico de relevância sem sequer observá-lo. Pode escolher um restaurante turístico com comida esquentada em microondas que fica ao lado de outro estabelecimento que mereceria ser visitado. And so on.

2. Não praticar o desapego. Quem não consegue deixar para trás a sua casa, a sua cidade e seus amigos costuma sofrer de um mal, sometimes strong, que vocês chamam de saudade. É preciso viajar aproveitando cada minuto. E lembrar-se que, ao voltar, você terá muito a dizer a quem ama.

3. Falta de humildade. Quem viaja convencido de que sabe muito e tem pouco a aprender está jogando seu dinheiro fora. O mundo existe para quem está disposto a ganhar novos conhecimentos e novos ângulos de visão a cada momento da vida. Mesmo que ela seja tão longa quanto a minha. 

4. Medo excessivo. Qualquer jornada é melhor para quem não se assusta com tudo. Quem não teme o idioma estanho, o tempero diferente, as ruas com mão invertida, o modo como os locais vivem, pensam e, eventually, rezam. Cautela, of course, é parte do que se deve levar na bagagem. Mas se ela for excessiva, eu tomaria antes um Rivotril – ou o remédio que seu médico prescrever.

5. Jogo de cintura. Unfortunately, acontece de chegar a um destino e ter de enfrentar uma greve, chuva prolongada, obras de restauração (Roma é campeão nesse quesito, by the way). Os assim chamados ‘cinturas duras’ tenderão a reclamar do lugar, a crer que ele sempre será desagradável. Muitos vão jurar que não voltam. Quem tem, as you say, molejo, saberá tirar proveito de pequenos dissabores e inverter a perspectiva.

6. Problemas de relacionamento. Não viaje com pessoas que você não conheça muito bem. Em situações de emoção e tensão, como as que ocorrem, thank God, durante um roteiro qualquer, as pessoas podem tornar-se irritadiças, deixar de compartilhar os mesmos gostos e mesmo chegar a um rompimento definitivo. E isso inclui, I’m sorry to say, casais e velhos amigos que nunca antes viajaram juntos.

7. O acaso. Um acidente, assalto, doença podem, lamentavelmente, comprometer suas férias. Lembre-se, however, de que são obras exclusiva do acaso. Os mesmos problemas poderiam ocorrer se você ficasse em seu próprio bairro.

8. Sentimentos nacionais exacerbados. Não é agradável para quem recebe sentir que o viajante está, durante todo o tempo, comparando e exaltando seu país. ‘Nossa comida é muito melhor’, ‘nosso frio é mais tolerável’ e outros comentários do mesmo quilate não são, no mínimo, elegantes. We say polite.

9. As idiossincrasias. Also known as ‘frescuras’. Não querer provar algo novo, não querer ver um museu por considerá-lo antecipadamente uma chatice, não querer entrar em um mercado com medo de ser assaltado; não aceitar frequentar banheiros orientais (que usualmente só tem um espaço para os pés ou que, em lugar de papel, oferecem um balde d’água), não entrar em um barco por temer enjoar ou uma caverna por claustrofobia. Em outras palavras: deixar que suas frescuras pessoais ultrapassem o seu desejo de conhecer pode atrapalhar bem uma viagem.

10. Incidentes no transporte. Filas excessivas nos aeroportos, guardas desagradáveis procedendo a revistas humilhantes, voos mal servidos ou com turbulência exagerada. Você vai superar tudo isso. Mas que atrapalha, ah, atrapalha mesmo.”

*É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E  

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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