Flavia Alemi/ Estadão
Flavia Alemi/ Estadão

Dia 1 - Quem cedo madruga

Algo que a maioria das pessoas omite quando conta sobre as aventuras no Peru é o quão cedo o dia começa. Se você não troca o café da manhã do hotel por nada, vai precisar de uma força de vontade extra para deixar a cama aconchegante às 6h e encarar o frio matutino da cidade de Cuzco para se alimentar.

Flavia Alemi, Cuzco

10 Abril 2018 | 04h55

Devidamente nutrido, é hora de subir na van para começar a aventura. A primeira parada é uma das muitas cooperativas de tecelagem de Chinchero. Lá, dá para ter uma ideia geral de todo o processo de fabricação dos coloridos tecidos peruanos, desde a limpeza da lã pura de lhama, alpaca ou ovelha, até o acabamento. Tudo é feito à mão e com produtos naturais, inclusive o tingimento: extraem-se a partir de plantas, flores e insetos. Para atingir nuances diferentes de uma mesma cor, adiciona-se suco de limão. “Conseguimos chegar a cerca de 20 tons de vermelho”, contou Milagros, uma das tecelãs de Chinchero.

Com a lã limpa, tingida e seca, começa a etapa mais longa: a tecelagem. Para fabricar um único caminho de mesa, leva-se cerca de um mês inteiro, o que valoriza o trabalho das famílias peruanas que fazem parte da cooperativa. É possível comprar um dos caminhos de mesa por 250 soles (que tem a cotação bem similar ao real). Já os cobertores, que têm mão de obra menos complexa, saem por 100 soles. Há também gorros, luvas, meias, porta-moedas, chaveiros e pulseiras.

O início da trilha 

Depois de abastecer a mochila com lembrancinhas, chega o momento de visitar o campo arqueológico de Chinchero. O que outrora havia sido um dos muitos templos incas foi derrubado para dar espaço a uma igreja católica quando os espanhóis dominaram a região. O entorno da igreja, por sua vez, é repleto de terraços agrícolas nos quais os incas cultivavam diversos tipos de batatas, grãos e ervas. E é na base desses terraços que a trilha finalmente começa.

Quem não tem experiência no assunto deve ouvir com alívio que essa primeira caminhada não tem subida, certo? Errado. Foram oito quilômetros de descida, boa parte deles cheios de degraus, que não fizeram nada bem aos joelhos desta repórter. A dor, no entanto, foi compensada pelas belas paisagens, principalmente nos pontos da trilha em que o Rio Urubamba e o povoado de Urquillos estavam visíveis. Um dos ensinamentos desse primeiro dia foi o de não subestimar a importância dos bastões de caminhada. Nos trechos em que a trilha fica mais seca e cheia de pedregulhos, eles evitaram pelo menos seis tombos homéricos.

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