Adriana Moreira/Estadão
Adriana Moreira/Estadão

Dia 2: de Pomerode a Itoupava, 34 km

Degustação em sala de aula

Adriana Moreira, Blumenau / O Estado de S.Paulo

18 Julho 2017 | 04h20

Na manhã do segundo dia, o grupo se dividiu. Parte das mulheres aproveitou para fazer compras – os outlets de artigos para casa e malharia (como Karsten e Hering) estão entre os mais cobiçados. Enquanto isso, o resto do grupo foi “estudar” na Escola Superior de Cerveja e Malte. Isso mesmo: há um curso superior que forma mestres cervejeiros em Blumenau.

Ao contrário do que você pode estar imaginando, não é só uma desculpa para beber cerveja – embora a gelada seja uma espécie de material escolar. Os cursos são sérios: o de mestre cervejeiro, por exemplo, é técnico, e dura 10 meses.

Nosso grupo estava lá para entender as diferenças entre as quatro escolas cervejeiras: belga, alemã, inglesa e americana. A aula é profissional e tem mesmo cara de aula, com apresentação em PowerPoint e perguntas para a classe – mas a sala tem cara de pub.

Uma parede de canecas variadas, um bar com copos diferentes para cada tipo de cerveja (sim, aprendemos isso na aula). Nas mesas, uma ficha para anotar as diferentes características: teor alcoólico, aroma, cor, transparência, sabor... Provamos quatro tipos: Blumenau Capivara, uma indian pale ale; Bierland Weizen, de estilo german weizen; Container stout, escura e densa; e a DasBier Saison, de estilo belga.

Alunos aplicados, terminamos a prova prática (ou seja, a degustação) e seguimos de van até Pomerode, conhecida pela colonização alemã. Ainda levaríamos mais de uma hora para começar a trilha, com direito a lanche e aquecimento no meio. Nenhum risco de pedalar alcoolizado. 

Tem espaço na van

Checando a altimetria, vi que o primeiro trecho era o mais puxado, com seis quilômetros de subida. Decidi ir na van até elas acabarem. Antes, havia um trecho curto, do centro de Pomerode ao início da trilha, em meio à Mata Atlântica, onde foi servido o almoço – pães, frios, bolos, frutas, sucos, picles.

A mesa foi montada em frente à casa de Arno Kretz, de 70 anos, que reúne antiguidades, quinquilharias e objetos curiosos. Garrafas pet viram moinhos d’água, guarda-chuvas antigos, peça de decoração. Um cone de trânsito se transforma em vaso e bonecas, em uma espécie de cerca por onde circulam galinhas. Pode parecer um monte de coisas jogadas a esmo, mas há lógica naquele pseudo caos. 

A prosa estava boa, mas era hora de seguir. Eu e mais um pequeno grupo subimos na van, mas a maioria dos corajosos encarou o desafio. Ao fim dos seis quilômetros, estávamos reunidos.

Todo santo ajuda, mas... 

Cheia de energia, me empolguei em uma das descidas e por pouco não tomei um tombo daqueles. Consegui me equilibrar e aprendi a lição: para baixo todo santo ajuda, mas cautela nunca é demais.

O dia terminou em uma cervejaria bem diferente. A Container  segue o modelo dos pubs ingleses não apenas em relação às luzes baixas e mesas altas, mas também na decoração caprichada. Tudo ali faz referência à cena musical britânica, com objetos de colecionador – como a guitarra autografada pelos membros do AC/DC.

Fui de Joke (R$ 8,50; 300 ml), uma pilsen inesquecível. Outra opção interessante é a Wembley, criada para a Copa do Mundo, que tem uma irmã gêmea na Windsor & Eton Brewery, na Inglaterra, chamada Maracanã, com blend de açaí e goiaba. Com disposição, faça o minitour entre os tonéis (visíveis de dentro do pub). Com sorte, você vai conseguir tomar um copinho direto da fonte. Ah, que delícia…

Esfomeados

Já sem bikes, saímos para jantar em outra cervejaria, a Blumenau, com cara de hamburgueria descolada. Os tonéis de produção ficam no fundo do salão de pé direito alto e bem iluminado. Comemos como se não houvesse amanhã (mas havia): bolinho de feijoada com geleia de pimenta (R$ 28) de entrada, filé de alcatra com pãozinho, farofa e vinagrete