Viramundo e Mundovirado
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O que fazer com dois dias no Porto, em Portugal

Entre as atrações imperdíveis está a Estação São Bento, recomendação de morador; faça também um roteiro artístico

Silvia e Heitor Reali, Especiais para O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2019 | 04h20

​O tempo voa e eu também voaria no começo da noite, por isso era preciso se apressar. Meu objetivo no segundo dia era conhecer a cidade do Porto que se preocupa em botar os pés no tempo presente. 

10h00 - Estação São Bento

Perguntei ao motorista Sergio, que nos acompanhava: “Se tivesse um único lugar como referência nessa cidade, onde me levaria?”. A resposta veio de bate-pronto: “Estação São Bento”. E, ele tinha sim, suas boas razões. Construída no antigo Convento de São Bento de Ave-Maria, um espaçoso átrio abre as vistas para painéis ornados com mais de 20 mil azulejos pintados por Jorge Colaço, que retratam os acontecimentos da história e da vida portuguesa. 

11h00 - Terminal de Passageiros do Porto de Leixões

Inaugurado em 2011, o cais de onde partem navios de cruzeiro se tornou um ícone arquitetônico. Projetado por Luís Pedro Silva, se integra de forma convincente à paisagem. De imediato me fez pensar num grande rolo de fitas sendo desenrolado, em que cada ponta se torna um braço criando outros espaços aquáticos. 

A presença dos raios de sol que entram pelas enormes janelas e distribuem a luminosidade sobre o revestimento de azulejos brancos lembram escamas de peixe. Estes reluzindo com a iluminação solar criam um caos visual que se funde com a luz incidente nas águas do Atlântico, e me davam a ideia de estar na superfície da água.

13h00 - Arte Contemporânea

A Casa de Serralves, belo exemplar da arquitetura art décor, com jardins desenhados pelo francês Jacques Gréber, e o Museu de Arte Contemporânea, projetado pelo portuense Álvaro Siza, fazem dessa Fundação um centro de arte que rivaliza em importância com a Fundação Calouste Gulbenkian, de Lisboa. Sorte de Portugal ter instituições que, pela qualidade do acervo e da sua programação, se dedicam ao enriquecimento cultural de seus visitantes.

A coleção de Serralves acolhe mais de 4.200 artistas renomados internacionalmente, como Richard Serra, Anselm Kiefer ou Bruce Nauman, e de portugueses, entre eles, Pedro Cabrita, Lourdes Castro, Paula Rego. Site: serralves.pt.

17h00 - Emoções sonoras 

Será que o arquiteto holandês Rem Koolhaas se inspirou numa gigantesca caixa de som para desenhar a Casa da Música? O que me impressiona nesse arquiteto é sua diversidade. Ele pertence a uma linhagem rara daqueles que aceitam ser contratados para desenhar um banheiro público, ponto de ônibus ou megaprojetos, como a Biblioteca Central de Seattle (EUA) ou ainda essa espetacular obra. No decorrer da visita, pude observar a monumentalidade de seu interior com vários espaços musicais, e que tem como característica principal “a continuidade visual que se estabelece não só entre o interior e exterior. Uma relação de mistério que provoca os sentidos, uma sensação de caixa de surpresas que acompanha o percurso do início ao fim”, como o folheto a descreve. 

Dali, minha parada seguinte seria o aeroporto. E se cheguei aqui por uma frase de Saramago, deixo a cidade com outra: “É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta logo”.

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