Bruna Toni/Estadão
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Dia 3: garantir as lembrancinhas e passear de trem

Deixe o terceiro dia para as compras - de artesanato em pedra-sabão a artigos de antiquário - e, se sobrar tempo, vá de maria-fumaça a São João Del Rey

Bruna Toni, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2019 | 04h25

Compras: artesanato e antigas preciosidades

Em Tiradentes, espaços de consumo oferecem também encontros deliciosos. 

Casa de Panela 

Funciona numa casa colonial da Rua Padre Toledo. Da janela para dentro se avistam panelas de pedra-sabão e outros tantos produtos de esteatito, entre utensílios, decoração e souvenirs. Adilson é o proprietário: ao ver meu interesse, garante que a panela de pressão não tem risco de explodir. 

O imóvel tem piso de madeira e pinturas dos cinco sentidos. É dos mais antigos da cidade, pertenceu a um compositor do começo do século 20, Custódio Gomes. Está na fila da restauração.

RM Cerâmica Artística

No bairro do Cascalho está a casa, estúdio e loja do casal Rose Valverde, artista plástica e professora, e Maurílio Souza, físico e professor aposentado. Fazem cerâmica desde 2013. Dá para conhecer o espaço e as técnicas sustentáveis. O ateliê tem belos conjuntos esmaltados, canecas, moringas, jogos de servir (de R$ 20 a R$ 1.000). 

Marcas Mineiras 

No Largo das Mercês, o casarão com enorme jardim interno funciona como galeria que vende apenas itens de artistas mineiros. Há cristais Cá D’Oro, de Poços de Caldas; tapeçarias de Marie Camille, de Belo Horizonte; bordados com técnicas tradicionais de Barbacena, por Graziela Guimarães, dona do espaço ao lado do marido, Cléber. Na cafeteria do jardim é servido café com borda de doce de leite e bolos de laranja e de abobrinha, excepcionais. Gastei um tempão na loja.

 

Antiquário

No alto de um morro no distrito de Bichinho, a família de Thomaz Franchi construiu um casarão típico do século 19, utilizando materiais de outro casarão demolido. Portas, janelas, piso e parte da estrutura, portanto, podem ser considerados originais importados. A construção durou 10 anos. Paulista de São Bernardo do Campo, Thomaz foi morar na casa com a esposa e a filha e cuida do antiquário, uma paixão que vem do pai. À venda, há 500 itens que custam de R$ 50 a R$ 120 mil. Chamou minha atenção uma santinha de madeira do século 17, de autoria, provavelmente, de mestre Cabelinho. É o item mais antigo dali. 

Acervos da fé: Liturgia e Sant’Ana

Museu da Liturgia

Na Rua Jogo de Bola – existe nome mais divertido? – é possível entender a presença e a importância da fé no cotidiano de Tiradentes. Nela fica o Museu da Liturgia, onde somos recebidos pelo diretor, Rogério Almeida, para uma prosa antes da visita às 380 peças expostas – de um acervo total de 420. Tiradentino, o diretor é também presidente do Instituto Histórico e Geográfico, e já foi secretário de Cultura. 

“Obra de arte enclausurada é furto”, diz. Ele se refere à formação do acervo, que dependeu de árdua negociação para que a igreja e a população devota aceitassem retirar dos cofres peças de valor histórico e cultural – que são emprestadas a eventos religiosos e outros. 

O espaço teve patrocínio do BNDES entre 2009 e 2012 e também a ajuda de Padre Lauro, que cedeu a casa paroquial, do século 18, para abrigar este que é o único museu litúrgico da América Latina. 

Sorteamos papeizinhos com nomes de santos em uma cesta. Tirei Santa Efigênia, cuja imagem, nas salas superiores, me impressionou. Na visita guiada, soube que o hábito de acender incenso na missa, que perdura até hoje, era uma forma de disfarçar o cheiro dos cadáveres sepultados nas igrejas. As visitas são agendadas; R$ 10.

Museu de Sant’Ana

Na Rua Direita, o pequeno Museu de Sant’Ana funciona no prédio da antiga cadeia pública, do século 18. O acervo tem 291 esculturas de Ana, a mãe de Maria, venerada em religiões cristãs e algumas de matriz africana. Há imagens eruditas e populares, dos séculos 18 e 19. A coleção foi doada ao Patrimônio Público pela empresária Angela Gutierrez – o museu é administrado pelo instituto que ela fundou, o Flávio Gutierrez. Custa R$ 5. 

 

Onde comer: Tailandês e vegetariano, uai

Uaithai bistrô

 

“A aromática comida tailandesa encosta na fascinante comida mineira” é como se define o restaurante na Rua Padre Toledo. A ideia de inspirar o menu nas gastronomias do sudeste asiático e de Minas Gerais foi do chef goiano Ricardo Martins, que morou na Tailândia e, há quatro anos, se fixou em Tiradentes. Super descolado, o local tem um bar com drinques diferentes e, na parte externa, um pequeno teatro de arena onde já se apresentou o ator Tonico Pereira.

Almocei um thai ceviche: linguado marinado com limão, leite de coco, goiabada, coentro, pimenta dedo de moça, cebola, milho, amendoim e mel (R$ 45). Para beber, o drinque que mais sai, o Chiang Mai: gim e suco de limão siciliano, finalizado com xarope de jasmim, melissa e flor de hibisco (R$ 25). Quase 80% dos pratos podem ser feitos na versão vegetariana.

Cultivo

Dois jornalistas de Belo Horizonte decidiram (quase) abandonar a carreira para se dedicar à gastronomia vegetariana e vegana em Tiradentes. O resultado é um espaço aconchegante onde, além dos bem servidos hambúrgueres de feijão com funghi (R$ 41) e dos drinques refrescantes (a partir de R$ 20), você encontrará livros, poesia e discos disponíveis para serem tocados na vitrola ao gosto do freguês. Point da ala mais progressista da cidade, o lugar tem exemplares do jornal – eu disse que eles quase abandonaram a profissão – O Latido de Tiradentes, que satiriza fatos e personagens locais. Telefone: (31) 98868-4928.

De trem até São João Del Rey

A bordo de uma das mais antigas marias-fumaça do País, parte-se da Estação de Tiradentes, na Praça da Estação, em direção à vizinha São João del Rey, outra cidade do circuito histórico mineiro – mas muito maior. Para se ter uma ideia, Del Rey tem quase 90 mil habitantes, enquanto a pequena Tiradentes não passa dos 7 mil. 

O trem, operado pela VLI atualmente, segue por 12 quilômetros pela Estrada de Ferro Oeste de Minas, inaugurada por D. Pedro II em 1881 e tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ao longo da viagem com uma hora de duração, logo surgem na janela os contornos da Serra de São José e o curso do Rio das Mortes, assim como casas do século 19 e a paisagem que mescla cerrado e Mata Atlântica. 

Em São João del Rey, visite as igrejas Nossa Senhora do Carmo e São Francisco de Assis e, já que estamos falando de trilhos, o Museu Ferroviário, também tombado pelo Iphan. Ali está a locomotiva número 1 que cruzou a estrada de ferro e uma rotunda manual, entre outros objetos. 

O passeio de ida e volta custa R$ 70.

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