Flavia Alemi/ Estadão
Flavia Alemi/ Estadão

Dia 3 - Ruínas e desafios

Como mudaríamos para um chalé diferente, era preciso acordar um pouco mais cedo para deixar as malas prontas. Isso, é claro, se o despertador tivesse sido programado. Esqueci – e tive de fazer tudo na correria. 

Flavia Alemi, Cuzco

10 Abril 2018 | 04h45

Depois do café da manhã, o mercado de Pisac aguardava nossa visita. De milho roxo a pimentas enormes, os produtos expostos nas barracas dão a oportunidade de conferir de perto os hábitos alimentares da população peruana.

Após o passeio, chegamos de van no sítio arqueológico de Ancasmarca, um dos mais fascinantes da viagem. Ali, as construções seguem um formato circular. De acordo com os guias, cada um dos círculos eram silos, onde ficavam estocados grãos e outros alimentos. Por ter bastante incidência de sol e vento, Ancasmarca possui as condições ideais para manter tudo fresco, o que mostra a sabedoria dos incas a respeito de suas terras.

Piquenique no riacho 

Ancasmarca é de cair o queixo, mas não havia tempo para continuar admirando a inteligência inca enquanto havia uma trilha à espera. Depois de uma hora dentro da van, fizemos um piquenique ao lado de um riacho. Sanduíches, frutas e suco deram energia para a segunda parte do dia. 

Mais 20 minutos de van e chegamos ao ponto de partida em Cuncani, no pé de uma montanha, a uma altitude de 3.800 metros. A passagem estava a 4.200 metros. Sem pânico.

Sinceramente, quando você começa a trilha, bate uma sensação de arrependimento. É muito difícil superar as dificuldades físicas, principalmente quando você passa duas horas apenas subindo a montanha. O fôlego vai embora muito rápido e toda a água fresca do mundo parece insuficiente para repor os minerais perdidos ao longo da empreitada. A cada parada para respirar, a cada esticada de braço para pegar o cantil, você olha para baixo, procurando onde foi o local onde a trilha começou. E são nesses breves momentos em que um misto de sensações que nada tem a ver com arrependimento se manifesta. Felicidade, superação, dever cumprido. Com esse incentivo, terminar a trilha fica bem mais fácil. 

Da passagem em diante, o cenário muda: os caminhos estreitos e pedregosos se transformam em campos abertos e úmidos, recortados por três lagos. No topo da montanha, o vento forte e gelado obriga a vestir peças de lã, como cachecóis e luvas, para aguentar a parte final da caminhada – agora, morro abaixo. 

Depois de uma hora encontrando lhamas e alpacas no meio do caminho, já conseguimos avistar o chalé Huacahuasi. A jacuzzi privativa me aguardava, quentinha, em meio ao frio de 7 graus.

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