Flavia Alemi/ Estadão
Flavia Alemi/ Estadão

Dia 6 - No balanço do trem

A trilha pesada que a maioria do grupo enfrentou no dia anterior não deixou ninguém com vontade de fazer longas caminhadas às vésperas de conhecer Machu Picchu. Para facilitar a logística, a Mountain Lodges of Peru colocou à disposição dos viajantes uma mala extra para colocar os pertences que seriam usados nos próximos dois dias. O motivo é que a companhia de trem que leva a Águas Calientes, povoado aos pés das famosas ruínas, limita o tamanho da bagagem dos passageiros, portanto, não dá para correr o risco de chegar na estação e não poder embarcar.

Flavia Alemi, Cuzco

10 Abril 2018 | 04h30

Partimos do lodge por volta das 8h30 em direção a Ollantaytambo, a última ruína inca antes de Machu Picchu. Os detalhes das portas de cada casa, que ainda adotam o formato trapezoidal – mais resistente a terremotos – chamam atenção em meio às estreitas ruas de pedra. De acordo com os guias, a maior parte dos alicerces das casas é original dos tempos do Império Inca.

Entrando no sítio arqueológico, a arquitetura dos povos pré-colombianos novamente impressiona. Com os terraços agrícolas servindo como fortaleza, Ollantaytambo foi palco de uma das poucas vitórias dos incas sobre os espanhóis quando estes começaram a dizimar a população indígena no século 16. 

Fugindo de Hernando Pizarro, irmão de Francisco Pizarro, o líder Manco Inca usou os canais previamente construídos em Ollantaytambo para inundar o pé do morro e impedir que os espanhóis o alcançassem. A vitória durou pouco tempo, já que Pizarro retornou ao local com reforços, forçando nova fuga de Manco Inca.

A cada ruína, uma história 

O topo da fortaleza, onde está localizado o Templo do Sol, está separado da planície por altos degraus que exigem esforço renovado dos músculos ainda fragilizados. Cada parte de Ollantaytambo tem uma história para contar, desde as janelas acústicas até as casas de estocagem. Caso do Templo do Sol, que nunca foi terminado e cuja parede principal é formada por seis monólitos finamente polidos.

Depois de se perder pelas construções, é hora de começar a descer a montanha para voltar ao trem. O almoço ficou por conta da empresa, que preparou outra lancheira, que consumimos dentro da locomotiva da Peru Rail. O sacolejo do trem durante 1h30 proporciona um ótimo cochilo antes de chegar a Águas Calientes.

++ Há vários tipos e classes de trem para Águas Calientes. Entre os mais recentes lançamentos, o 360°, da Inca Rail, tem janelas maiores e teto de vidro para observar a paisagem; já o Belmond Andean Explorer liga Cuzco a Arequipa e Puno.

O povoado pitoresco está em franca expansão, a julgar pela quantidade de obras que cercam a rua da qual partem os ônibus para Machu Picchu. Perto do rio, um mercado de artesanato forma uma explosão de cores que encanta os turistas. O charmoso hotel Inkaterra, onde nos hospedamos, está a alguns metros da estação.

Ao todo, são 83 acomodações amplas e confortáveis, distribuídas em uma área com riacho e jardins de mata nativa – incluindo uma coleção de orquídeas com 372 espécies. É hora de relaxar – o momento pede descanso e Machu Picchu nos aguarda.

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