Flavia Alemi/ Estadão
Flavia Alemi/ Estadão

Dia 7 - Finalmente, a cidadela

A névoa das primeiras horas do dia preocupava. Será que daria para ver as ruínas? Durante o café da manhã, esse foi o receio geral. Afinal, depois de tantos dias com tempo perfeito, seria possível o grande final ficar nublado? Não ficou. 

Flavia Alemi, Cuzco

10 Abril 2018 | 04h25

Pegamos o ônibus às 7h30 e começamos a subir a montanha por uma estrada tortuosa. Em alguns momentos, era possível avistar os aventureiros que tentavam chegar para chegar até Machu Picchu por um dos caminhos incas que cruza a montanha de 2.400 metros de altitude. Chegamos às ruínas às 8h20 e o tempo não podia estar melhor. A neblina havia se dissipado, e as nuvens, pouco a pouco, abriam espaço para os raios de sol penetrarem as sombras de Machu Picchu.

Eleita como uma das sete maravilhas do mundo moderno, a cidadela teria sido descoberta em 1911 pelo pesquisador norte-americano Hiram Bingham. No entanto, um estudo conduzido pelo cartógrafo americano Paolo Greer aponta que o governo peruano já sabia da existência de Machu Picchu desde, pelo menos, 1887, e teria concedido ao engenheiro alemão Augusto R. Berns permissão para explorar a área (inclusive para retirar e vender quaisquer objetos de valor que fossem encontrados). Um tema controverso entre os guias locais.

As novas regras de visitação não permitem mais ficar na cidadela do amanhecer até o pôr do sol (leia mais abaixo). Portanto, quando entramos, tínhamos a parte da manhã para explorar as ruínas.

++  Para subir à montanha de Huayna Picchu – a mais alta, de onde se vê a cidadela –, é preciso fazer a reserva antecipadamente, na compra do ingresso para Machu Picchu. A entrada combinada custa 152 soles.

Raio X

Na entrada, conforme explicou Danny, o guia que liderou o grupo em Machu Picchu, ficava o exército inca, guardando a cidade. Logo abaixo concentravam-se as residências dos nobres e havia, ainda, um espaço para fábricas. Os incas dividiam a produção sazonalmente, reservando uma parte do ano para fabricar tecidos, outra para quebrar e polir pedras que seriam usadas nas construções, outra para produzir ferramentas. 

O setor mais importante é a zona sagrada, onde estão os espaços nos quais os incas realizavam diferentes rituais. É nesse ponto que está a pedra Intihuatana, espécie de relógio solar esculpido em uma única rocha. A crença dá conta de que Intihuatana emana uma força eletromagnética, pois estaria sobre o centro energético do Império Inca.

Depois de explorar cada canto da cidadela, ainda há a opção de subir além de visitar a Porta do Sol, a entrada oficial do complexo inca. Definitivamente, a joia peruana vale qualquer esforço – e é o melhor grand finale para a jornada.

Novas regras para visitar a cidadela

Com 1,4 milhão de visitantes em 2016, o governo do Peru anunciou mudanças nas regras de visitação a Machu Picchu no ano passado. O acesso passou a ser em dois turnos, das 6h ao meio-dia e do meio-dia às 17h30 – é possível comprar ingresso para o dia todo por um preço mais alto. Além disso, é obrigatório estar acompanhado de um guia (ou contratar um dos disponíveis na entrada). 

Apesar da aparente rigidez no controle do fluxo de pessoas em Machu Picchu, não avistamos cenas de fiscais expulsando visitantes. Também não havia uma gerência sobre os turistas que estivessem, aparentemente, desacompanhados de guias. No entanto, é altamente recomendável contratar um, para que ele explique os detalhes de Machu Picchu. Um guia privativo sai por cerca de US$ 50.  Os ingressos custam US$ 70 (um turno) ou US$ 125 (dois turnos). Site: machupicchu.gob.pe.

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