Dias de balanço e o 'mal da cabeça de algodão'

Cenário: Diego Zanchetta

O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2011 | 03h08

Não basta ser aventureiro e estar em forma para desfrutar o mundo selvagem de Galápagos e, depois de sete dias dentro de um barco, ainda reunir fôlego para percorrer trilhas de vulcões na altitude de 2.800 metros de Quito. A transição do Oceano Pacífico para a Cordilheira dos Andes traz complicações, como a sensação que os equatorianos definem bem como o "mal da cabeça de algodão".

Barcos grandes são proibidos em Galápagos. Você fica hospedado em iates com no máximo 40 cabines. Navega noites e noites em um mar revolto - eu até caí da cama com o balanço.

Logo que embarquei no La Pinta, cheguei a acreditar que teria de desistir da viagem. No começo, a sensação de enjoo beira o insuportável. Nos dias seguintes ela também volta a aparecer, em doses menos cavalares. Tanto que, logo na entrada do iate, são oferecidas pastilhas, uma versão do Dramin um pouco mais fraca. Tomava duas todos os dias.

E quando você começa a entrar em sintonia com o balanço do agitado Pacífico, é hora de voltar à terra firme. Mas quem disse que é firme? Você sai do barco, mas o balanço do barco não sai do corpo. E, a ele, somam-se tonturas e a falta de ar provocada pela altitude.

A sequência de voos pelos Andes (são seis em toda a viagem) também contribui para deixar o turista literalmente fora de órbita. Na volta ao Brasil, fiquei três dias com labirintite. Deitava na cama e tudo continuava se mexendo. Nada que afete, no entanto, minha vontade de voltar a Galápagos para encontrar o tubarão-baleia que faltou em nossos mergulhos.

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