Dias de fé na mais sagrada das terras

Rota religiosa corta o país, seguindo por Jerusalém, Belém, Galiléia...

Niza Souza, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2008 | 01h44

Não mais que 29 mil quilômetros quadrados de terra árida, espremida entre Egito, Jordânia, Líbano e Síria, resumem 4 mil anos de história da humanidade. Um trecho que guarda as pegadas de Abraão, patriarca das três grandes religiões monoteístas. Onde Davi ergueu seu reino e Jesus Cristo nasceu, pregou e foi crucificado. A fé atrai a maioria dos 2,8 milhões de visitantes - cristãos, judeus ou muçulmanos - que chegam ao país a cada ano. Uma rota religiosa que rasga Israel de norte a sul, distância que pode ser percorrida em seis horas ou em toda uma vida. A jornada começa em Jerusalém. E se estende pela vizinha Belém, na Cisjordânia (sob controle palestino), terra natal de Jesus e considerada sagrada também pelos judeus por guardar o túmulo de Raquel, mulher de Jacó. Prossegue por Jericó, onde Cristo sofreu as tentações do diabo, e desce ao sul até Massada, já no Deserto da Judéia. À beira do Mar Morto, essa fortaleza imponente é símbolo da resistência do povo judeu. Fazendo o caminho de volta, em direção ao norte, chega-se à região da Galiléia. Ali é possível percorrer todos os locais em que Jesus pregou e realizou milagres, incluindo Nazaré. O Monte das Beatitudes, onde ocorreu o Sermão da Montanha, ainda preserva a placidez e a vista deslumbrante do Mar da Galiléia e das Colinas do Golã. Um roteiro que atrai cada vez mais brasileiros. Neste ano, o número de turistas nacionais deve ficar em torno de 30 mil, 58% maior que no ano passado, segundo o Escritório do Ministério do Turismo de Israel no Brasil. Em tempo: a segurança não precisa ser motivo de preocupação. Desde o início da construção do muro em torno do país, não há atentados por lá. O comerciante Antônio Augusto de Oliveira e sua mulher, Maria Aparecida, estiveram no país no mês passado. "Foi emocionante passear pelo Mar da Galiléia e pelo Monte Tabor, e renovar o batismo no Rio Jordão", conta Oliveira. "Sempre sonhei com essa viagem." A época mais concorrida é a Semana Santa. Nesse período, chega a ser difícil caminhar na Cidade Velha de Jerusalém, cercada por monumentais muralhas e capaz de emocionar mesmo os mais céticos. No Natal, o movimento menor permite apreciar tudo em detalhes. E com calma. Belém, por razões óbvias, atrai mais turistas nesta época do ano. Mas essa é uma visita que requer planejamento. Guias israelenses não podem cruzar o muro e, por isso mesmo, você terá de buscar um profissional palestino para dar explicações sobre a cidade. ALTERNATIVAS Mas Israel tem inúmeras atrações além da rota religiosa. Na região da Galiléia, por exemplo, é possível hospedar-se num kibutz (fazenda coletiva), desfrutar a paisagem verde do Vale do Rio Jordão ou praticar esportes náuticos em Tiberíades, à beira do Mar da Galiléia. Outro passeio imperdível é pegar a estrada que sobe as Colinas do Golã. No alto, você tem uma vista panorâmica do Vale do Jordão e, nesta época de inverno, pode aproveitar para esquiar no Monte Hermon. As cidades históricas da costa norte do Mediterrâneo, como Acre, Haifa e Cesaréia, também surpreendem. Esses locais podem ser visitados em dois dias e ficam perto de Tel-Aviv, a capital financeira e a mais européia das cidades israelenses, com praia, gente jovem nas ruas e vida noturna agitada. Viagem feita a convite do Escritório Econômico de Israel no Brasil ESCADA DA DISCÓRDIA A Igreja do Santo Sepulcro é palco de brigas eternas entre as seis denominações cristãs que dividem sua administração. O maior ícone desses conflitos é uma escada de madeira. Nunca houve consenso sobre quem a deixou na entrada do complexo, em 1852. Resultado: está lá até hoje.

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