Dicas para um casamento na Toscana

Com sua mascote Trashie alegre como nunca a chapinhar nas neves acumuladas nas praças de São Petersburgo, mr. Miles substituiu (provisoriamente) seu chapéu coco por um gorro de cossaco. Confessa ter adorado rever a cidade, que visitou três vezes quando esta se chamava Leningrado, e apenas duas em sua versão hagiológica.

Mr. Miles, O Estado de S.Paulo

17 Março 2015 | 02h08

A seguir, a pergunta da semana:

Mr. Miles, boa noite. Preciso abusar de sua experiência e solicitar dicas para um roteiro. Em setembro, terei de ir a um casamento que vai se realizar na Toscana. A ideia é obter o menor custo de passagens, hospedagens etc. Para aproveitar a oportunidade, imaginei entrar por Portugal, locar um carro, passar pela Espanha e em seguida ir à Itália. É a melhor e mais econômica das alternativas? Quais as distâncias e em que locais poderemos nos alojar sem sustos? Aguardo, obrigado.

Luizclombardo, por e-mail.

"Well, well, my friend: em primeiro lugar, meus cumprimentos antecipados ao futuro casal. Creio que há poucos lugares tão inspiradores no mundo para um início de vida a dois quanto a bela Toscana, a terra das obras-primas. Adoro pedalar pela região, mas, sempre que vou a Florença, tento ler notícias desagradáveis (como é fácil encontrá-las!) antes de visitar seus museus e galerias.

É a minha maneira particular de evitar ser acometido pela Síndrome de Stendhal. Já ouviu falar nela? Trata-se de uma doença psicossomática rara, provocada pelo excesso de beleza. O cidadão vê um quadro lindíssimo e começa a sentir uma aceleração do ritmo cardíaco; em seguida, uma escultura e passa a ter vertigens. Oh, my God! Em um único salão da galeria Uffizi, ele pode chegar a ter alucinações e perder os sentidos. É uma overdose de encanto visual, que, as I told you, eu combato com más noticias. O nome Stendhal é uma duvidosa homenagem ao célebre escritor francês (que se chamava Marie-Henri Beyle), que teve tal perturbação na Basílica de Santo Croce, em Florença, nos idos de 1817.

I'm sorry, mas as divagações me levaram muito longe de suas perguntas objetivas. Sobre elas, não tenho dúvidas ao dizer que o roteiro pelo qual você está optando é o melhor, porque já pertence ao universo de seus sonhos. Se não fosse assim, porque você imaginaria começar por Portugal uma jornada cujo destino é a Itália?

Am I right? Então, vamos lá: a ideia de alugar um carro em Lisboa, for instance, cruzar a Espanha, a França - que também está no caminho, I'm sorry to say - e alcançar a Itália é maravilhosa. Eu diria que, evitando as grandes cidades e buscando informações sobre as pequenas pérolas da jornada, será um roteiro seguro e agradável.

Reserve dez dias até Florença se, de fato, você quer aproveitar o passeio. O roteiro inteiro tem menos de 1.800 quilômetros. Da Sé da Lisboa à Ponte Vecchio.

Há, no entanto, um problema a considerar - é melhor avaliá-lo desde já. Unfortunately, a maior parte das locadoras não permitirá que você pegue o carro em Lisboa e o deixe na Itália. Ou vai cobrar uma quite heavy taxa de retorno. Por isso, dear Luiz, aproveite que ainda há tempo e negocie fartamente com as locadoras internacionais ou seus representantes. Há empresas brasileiras de reputação que podem ajudá-lo nessa tarefa.

Se, however, você não chegar a um acordo e quiser fazer a viagem de outra maneira, não se preocupe. Você não vai ser perder. Há 20 séculos sabemos que todos os caminhos levam a Roma, right?

Pois, estando em Roma, Florença fica 280 quilômetros de estrada ao norte. Viu como é fácil?"

*Mr. Miles é o homem mais viajado do mundo. Ele esteve em 183 países e 16 territórios ultramarinos 

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