Diversão máxima com frio mínimo na receptiva e multicultural Toronto

Sim, a cidade tem 8 meses de clima nada agradável. Mas está preparada para fazer você esquecer o tempo ruim

Mônica Nóbrega, O Estado de S.Paulo

24 Fevereiro 2009 | 02h27

Divulgação

Skyline em dia iluminado: como todos se veem na obrigação de estar ao ar livre, margens do Lago

Ontário ficam cheias de gente  

 

Robert e Maurice Biancolin são proprietários do box de sanduíches Carousel Bakery, no Mercado Saint Lawrence. Nascidos na Itália, migraram para o Canadá nos anos 1960, vindos de uma Europa em conflito. Preferem a nova à antiga pátria - e mais não revelam de sua história.

O taxista Mulugeta Habte teve de deixar sua Etiópia natal há três décadas, por causa de divergências políticas. Aterrissou em Toronto em 1992. Ficou.

Já a mexicana Adriana Islas é recém-chegada. Está prestes a completar um ano como coordenadora de Vendas do Hotel King Edward. Garante que se acostumou às temperaturas de dois dígitos abaixo de zero - mesma dificuldade inicial da chef brasileira Maria da Conceição Sita, há 20 anos por lá.

Essa lista poderia ter 2,5 milhões de personagens, metade dos habitantes da maior região metropolitana do Canadá. Toronto é, definitivamente, uma cidade de imigrantes. Um mosaico de cores e sotaques na margem norte do Lago Ontário. Centro financeiro e cultural da província de mesmo nome.

O boom de crescimento populacional veio com o fim da 2ª Guerra Mundial. Mais recentemente chegaram os chineses, que moram e ganham a vida nos arredores da Spadina Avenue, centro da Chinatown local. Graças a tanta mistura, a cidade se enche de vida. No verão, o agito é mais visível, porque os habitantes perseguem o sol e estendem seus domínios às calçadas, aos parques, aos barcos que vendem passeios pelo lago.

Mas mesmo agora, no período de frio que dura pelo menos oito meses, Toronto se revela sem nenhuma dificuldade. E até cria artifícios para reduzir a sensação de enclausuramento, como os tetos de vidro para deixar entrar luz natural em prédios comerciais e shoppings.

O jeitinho canadense (se é que ele existe) mais notável é a cidade subterrânea, batizada de The Path. Grandes lojas, hotéis e até o Hockey Hall of Fame, em homenagem ao esporte nacional, têm a sua versão debaixo da terra, tudo interligado por 25 quilômetros de "ruas" aquecidas que parecem corredores de shopping. Mas que você vai agradecer por existirem quando os termômetros lá fora marcarem 12 graus negativos.

TORRE

A CN Tower, onde fica o observatório público mais alto do mundo, com 447 metros, é um marco zero informal de Toronto. A vista em 360 graus com visibilidade de mais de 100 quilômetros faz sucesso, mas o piso de vidro, a 342 metros, é um teste para os nervos. A sensação é a de estar suspenso no vazio.

O delicioso Mercado Saint Lawrence, aquele do box dos irmãos italianos, fica bem perto dali. Tem 200 anos, mais antigo que o Canadá independente, com 142. Acha-se de tudo à venda, até um casaco ou gorro a mais para enfrentar o frio. A simpatia dos vendedores é marcante. Receber bem, afinal, parece ser a vocação de Toronto.

Hockey Hall of Fame: www.hhof.com; entrada: 13 dólares canadenses (R$ 24)

CN Tower: www.cntower.ca; entrada: 32,99 dólares canadenses (R$ 61)

Mais conteúdo sobre:
viagemtorontoontario

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.