Diversão nas areias

Sinta-se em uma montanha-russa a bordo dos típicos e valentes carrinhos

Lucas Frasão, O Estado de S.Paulo

03 Março 2009 | 02h19

O buggy acelera o quanto for possível, chega a 80, 90 quilômetros por hora com o motor adaptado de um Fusca. Ricocheteia para todos os lados e espalha areia. Sobe dunas e chega a lugares que só ele pode. E balança muito, o que torna o deslocamento, vale dizer, não tão confortável. Mas é o passeio indispensável de Jericoacoara.

 

Parece uma montanha-russa natural. No lugar das estruturas metálicas, dunas que desmancham sob as rodas e curvas entre raízes de mangue. Com um motorista mais ousado, a emoção estará garantida. Nem todos, no entanto, têm coragem de se aventurar na eletrizante descida da Duna do Funil. O paredão vertical faz o buggy escorrer na imensidão de areia. Levante os braços e aproveite momentos de liberdade absoluta.

 

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A duna está no roteiro entre Jeri e Tatajuba, no caminho para Camocim. Na divisa com Jijoca de Jericoacoara, que também marca o limite do Parque Nacional, o buggy precisa ser transportado em uma jangada adaptada sobre um braço de mar, na Barra do Guriú.

De brincos dourados, batom vermelho e um ''louro'' verde apoiado nos ombros, Delmira Silvestre das Chagas se tornou uma atração à parte no caminho. Há 11 anos, vende em sua barraca água de coco e refrigerante. Quem paga R$ 2 pela bebida leva de brinde uma história que ela, em ritmo de repentista, conta como ninguém.

Uma vila inteira está soterrada, há mais de 40 anos, na duna em frente à barraca. Do balcão em que trabalha em Velha Tatajuba, Delmira lembra da infância na casa onde morava. ''Foram 15 anos para a areia encobrir tudo'', diz Delmira, que hoje, aos 51 anos, resiste por ali ao lado de mais 20 vizinhos. Outros moradores se deslocaram para perto, onde foi erguida a Nova Tatajuba, hoje com mais de 400 casas.

Cardápio ao vivo

Ponto final do roteiro, a Lagoa da Torta é o local do merecido descanso depois de tanto sobe-e-desce nas dunas. Redes montadas na água dividem espaço com caiaques, barcos, velas de windsurfe e até uma tirolesa, que termina com uma refrescante queda na lagoa. A descida custa R$ 7,50.

O destaque é o ''cardápio ao vivo'', oferecido pelas quatro barracas montadas nos arredores da lagoa. Basta pedir o menu ao garçom para ele voltar com duas bandejas enormes cheias de peixes - o preço ele fala na hora. Tem corvina, garoupa e robalo, além de lagosta e camarão.

Às vezes, um figurão que se apelidou de Antônio da Ostra chega a tempo de apresentar sua iguaria ao lado do garçom. ''Vendo a melhor ostra do Ceará'', garante, e oferece uma degustação gratuita antes de vender o produto. A porção com 12 unidades sai por R$ 10.

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