Do alto do Everest ao Pacífico

Experts já estão testando produtos que a gente só vai ter amanhã

Mônica Cardoso, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2009 | 03h23

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EXTREMO - Na subida do K2, no Himalaia, Niclevicz fez uso

de um notebook com bateria carregada em um painel solar

Quando atingiu o cume do Everest, em 1995, o alpinista Waldemar Niclevicz teve um pensamento: dividir com a família, que mora em Curitiba, a emoção de ser o primeiro brasileiro a conseguir tal proeza. Isolado pela altitude e pela neve, ele precisou descer os 8.848 metros para, quatro dias depois, enviar um fax. "Não tinha como me comunicar. Fiquei dois meses sem dar notícias."

 

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Os desafios continuam a existir, mas os aventureiros agora levam na mochila aparatos eletrônicos que pareceriam ficção científica décadas atrás. Graças a esses equipamentos, o bloco de anotações deu lugar ao blog, as imagens passaram a ser transmitidas em tempo real e, sim, ficou razoavelmente fácil falar com parentes e amigos.

A tecnologia ainda proporciona mais segurança. É possível conferir a previsão do tempo e pedir socorro, por exemplo. "No passado, o alpinista se guiava pelo feeling e contava com uma boa dose de sorte. A tecnologia facilitou a minha vida. Tomo decisões com mais confiança e posso ousar mais."

Para conectar o notebook à internet, ele utiliza um aparelho de transmissão de dados e voz por satélite. O preço do equipamento e a assinatura variam de acordo com o uso. Niclevicz comprou um aparelho que pesa 1 quilo e custa em torno de US$ 2 mil. O preço do minuto é salgado, cerca de US$ 8.

Como a tomada elétrica mais próxima está a quilômetros de distância, ele usa painéis solares que captam a luz natural e transformam em energia elétrica. Alguns painéis flexíveis pesam menos de 1 quilo e podem ser enrolados como uma folha de cartolina. Bem diferente dos antigos geradores. A tecnologia deixou a bagagem bem mais leve, o que torna a escalada mais rápida e segura. "Minha mochila pesava 32 quilos. Hoje, não chega a 20."

NO MAR

Visualize a cena. Você está no escritório quando, de repente, derruba café no notebook. Agora se imagine em um catamarã, um barco aberto, numa travessia de cinco meses pelo Pacífico. Esse era o drama do velejador Beto Pandiani.

Foi quando a Semp Toshiba topou o desafiou e desenvolveu um notebook para a expedição, à prova d"água e de choque. "O aparelho caiu, tomou chuva e banho de mar." Com o sucesso do projeto, o notebook Xtreme-XS 1473 foi lançado há três meses. O preço é de R$ 7 mil.

Não é novidade que equipamentos desenvolvidos para expedições passarem, com o tempo, para o uso cotidiano. "Meu primeiro GPS era enorme e funcionava com oito pilhas. O GPS que levo agora na viagem é o mesmo que uso em São Paulo."

Ele aposta que o rastreador via satélite será o próximo queridinho do mercado. A antena emite sinais para um satélite e, a cada três horas, envia um e-mail com a posição baseada na latitude e longitude. "Com a falta de segurança, logo ele vai ser incorporado ao celular."

Mas se engana quem pensa que a tecnologia fez os aventureiros abandonarem velhos hábitos. Eles têm relógios multifuncionais, que combinam bússola, altímetro e barômetro. Mas, pelo sim, pelo não, ainda levam a boa e velha bússola manual, inventada nos idos do século 15.

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