Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

Do alto, dunas se enlaçam em mosaico cor de creme

O pequeno monomotor Cessna taxia por menos de 30 metros até a cabeceira da pista do aeródromo de Barreirinhas. Dentro, dois passageiros no banco de trás e um na frente, junto ao piloto, que muito gentilmente tirou a porta do lado direito. Além de refresco contra o forte calor do fim de tarde maranhense, permite que tiremos fotos sem vidros na frente. Calma, os cintos estão bem atados.

Felipe Mortara / BARREIRINHAS , O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2013 | 02h15

Acelerar na pista vazia é sempre emocionante, ainda mais na posição do copiloto. Primeiro vê-se Barreirinhas espalhando suas milhares de casas em meio às árvores, em seguida a mata se fecha e se estende ao longo do Rio Preguiças. Em instantes alcança-se a sua foz, que deságua no mar próximo à vila de Atins.

O Farol Preguiças, em Mandacaru, que lá embaixo se sobrepõe, lá de cima é um risquinho branco. Majoritariamente verde, a paisagem ganha tons amarelados na direção do deserto. Um visual e tanto. Do alto compreende-se porque Caburé fica em um ponto tão privilegiado, a poucos metros do rio e do mar, uma ponta de areia que sobrevive entre as águas. Os Pequenos Lençóis são um breve aperitivo.

Concluímos uma enorme curva à direita e a melhor parte do show começa. A 300 metros de altura, as lagoas exibem formatos inusitados, muito curvilíneos e recortados. Só as cores dariam uma tese de mestrado. Verdes de infinitos matizes e intensidades. Até os sedimentos mais escuros têm beleza. Dunas que se enlaçam num mosaico cor de creme. O sol tem papel fundamental na composição do cenário, transformando-o a cada minuto. Que lindo, que lindo.

Como às 17 horas a luz já não incide tão forte sobre as lagoas, ofuscando as cores, recomenda-se voar mais cedo. Mas é claro que o pôr do sol também é disputado. Méritos ao piloto, que, além de propor o melhor horário, ainda ajuda a diminuir a tensão natural ao voar em um avião de pequeno porte e demonstra bastante segurança.

Especialmente quando se aproxima o gran finale. A mais de 100 km/h, o avião começa a baixar sobre a Lagoa Azul, repleta de turistas que aguardam o pôr do sol. Não sei bem se pelo cenário, se pela adrenalina, se pela velocidade ou pelo privilégio, ficou difícil conter as lágrimas.

O sobrevoo de 30 minutos sobre os Lençóis está incluído naquela categoria dos passeios que valem o que custam e que, quando terminam, você quer ir de novo, tal qual uma criança saindo da montanha-russa. Acredite: R$ 250 pode parecer muito dinheiro antes de decolar. Mas, assim que pousar, você preencherá o cheque para a Primos Off Road (98-9194-3486) satisfeito. E perguntará: quando vou poder voar de novo?

Com pista irregular, polêmica cerca os voos panorâmicos

Uma polêmica ronda o sobrevoo panorâmico sobre os Lençóis Maranhenses. Isso porque a pista de onde decolam os aviões, assim como a maior parte dos aeródromos do País, não é homologada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o que torna os voos tecnicamente irregulares. No entanto, o cenário pode mudar em breve.

Um novo aeroporto, com capacidade para aeronaves de grande porte, está com a pista pronta e será inspecionado em setembro. Se não forem encontradas irregularidades na vistoria, a Anac deve conceder autorização para entrar em funcionamento. Apesar de o terminal de passageiros ainda estar em obras, um espaço provisório recebe os visitantes.

Caso tudo ocorra como previsto, os monomotores particulares que hoje operam em Barreirinhas poderão se associar a empresas de táxi aéreo da capital maranhense e, assim, passar a funcionar legalmente. Hoje estão autorizados apenas os voos que decolam e pousam em São Luís, a 260 quilômetros dos Lençóis, com duração de aproximadamente 1h40. Empresas como a Cururupu (98-3244-1511) cobram  R$ 2.500 para cinco pessoas pelo sobrevoo.

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